Sertão Filmes

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Jean Charles Surpreende

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Fiquei positivamente surpreso com “Jean Charles”, o filme do Henrique Goldman, que conta a história do brasileiro morto pela Scotland Yard no metrô londrino por ter sido confundido com um terrorista. Confesso inclusive que acabei assistindo ao filme por acidente. Fui para uma sessão de “Ninguém sabe o duro que dei”, mas o horário errado na programação do jornal me confrontou com as alternativas de Jean Charles, Mulher Invisível ou voltar pra casa. Arrisquei o primeiro.

Evidentemente, esperava um melodrama clássico, pintando nosso azarado compatriota como um herói latino-americano, vítima de uma polícia autoritária e despreparada: um defensor da paz, um homem bom injustamente esmagado pelo choque entre radicais islâmicos e o Império.

Não é nada disso. Jean Charles é retratado como um absoluto anti-herói, cujo principal traço é a pior das características nacionais, isto é, o jeitinho e a malandragem vistos como traço positivo de caráter. Logo na sequência de abertura, vemos o protagonista, interpretado por Selton Mello, mentindo deslavadamente para o oficial de imigração que quer negar entrada no país à sua prima, interpretada por Vanessa Giácomo, desconfiado de que ela pretende trabalhar na Inglaterra - o que de fato é obviamente sua intenção. Engambelado o agente do governo, na sequência seguinte, à saída do aeroporto, abraçado à prima e orgulhoso de sua façanha, Jean Charles ensina, sublinhando o quão ingênuos e otários são os ingleses: “Pra mentir bem, tem que mentir com detalhe.” Esse é nosso personagem: um imigrante com inteligência um pouco acima da média que a usa para subir na vida, não importando os meios e servindo-se do famoso jeitinho brasileiro: ele vende vistos de permanência que não consegue entregar, dá a volta em seu empregador e amigo e se oferece para prestar serviços diretamente aos clientes dele, entre outros expedientes pouco éticos ou simplesmente ilegais.

Deve-se ressaltar que escapamos do melodrama fácil, mas que ainda nos encontramos em seu território. O filme é corajoso ao caracterizar Jean Charles dessa maneira, mas o reverso disso tudo é a idéia - corroborada pelo desdobramento de seus expedientes, todos malogrados - de que ele, no fundo, tem bom coração, pois se arrepende dos erros, gosta de ajudar as pessoas e de promover a conciliação geral. A regeneração moral é uma das pedras angulares do melodrama.

Antes do jeitinho brasileiro como crítica de fundo do roteiro, há evidentemente também a crítica direta ao país que não consegue se colocar nos trilhos de algo que se possa chamar de desenvolvimento e que continua empurrando as pessoas para o portão de embarque dos aeroportos rumo ao trabalho no exterior.

O roteiro também ganha pontos por conseguir evitar se estruturar como uma trama conforme o cânone dos manuais de roteiro. Nada mais é que uma exposição do protagonista e de sua vida abruptamente interrompida por seu assassinato, o que sublinha outro subtexto essencial e impactante: a angústia em torno do aspecto aleatório de nossas vidas. Vemos Jean Charles em seu cotidiano banal e de repente acabou-se. São pequenos e estúpidos detalhes que se somam para culminar nos sete tiros que tiraram sua vida. Mínimas diferenças e o resultado teria sido outro.

Outro ponto forte do filme reside na escolha dos atores. Selton Mello passa, mas sua performance é obscurecida pelos coadjuvantes, sobretudo pelo excelente Luis Miranda, que surpreende, por sua formação como comediante, com uma brilhante performance dramática. De modo geral, é muito feliz a escolha de um elenco com cara de gente comum (mesmo Vanessa Giácomo passa muito bem como secretária de dentista de cidade do interior).

Em resumo, não se trata de uma obra-prima, mas o filme merece crédito pela abordagem inesperada e até corajosa. Toca de forma inteligente as emoções e não deixa de ser respeitoso com Jean Charles e sua família, levantando ainda a bola do importante debate sobre emigração no Brasil. Nota 7,5.

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Cartas do Kuluene - Trailer

No ar um primeiro trailer do Cartas do Kuluene, nosso novo documentário. Lançamento previsto para outubro.

Cartas do Kuluene/Letters from Kuluene - Trailer from Pedro Novaes on Vimeo.


FICHA TÉCNICA

Direção: Pedro Novaes

Elenco: Tiago Benetti, Antonio Zayek, Felipe Brum, Beatrice Labaig, Tatiana Marinho
Vozes: Aaron Wolf e François Meyer

Assistente de Direção: Cássia Queiroz
Direção de Fotografia: Emerson Maia
Fotografia Documental: Lula Araújo, Marcelo Novaes e Piva Barreto
Assistente de Fotografia: Dani Azul
Fotografia Still: Rogério Neves
Maquinária: Chico Macedo e Denir Calassara
Elétrica: Roosevelt Saavedra
Direção de Arte: Letycia Rossi
Cenografia: Úrsula Ramos
Maquiagem e cabelos: Accioly Neto
Assistente de Maquiagem: Marcelo Ramos
Produção Executiva: Paulo Paiva. Antonio Guerino, Arturo Lúcio
Produção Maria Eugênia Tovar
Direção de Platô: Maurício Cruz
Edição: Sérgio Valério
Som direto e Edição de Som: Arturo Lúcio
Som documental: Pedro Moreia
Preparação de Elenco: Sandro di Lima
Consultoria Musical: Márcio Jr.

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quarta-feira, 3 de junho de 2009

“Strangers” by Erez Tadmor & Guy Nattiv

Agora só falta uma invasão dos greys para unir todo mundo…

(Via @Cassiaq.)

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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Atraso em Stop Motion

Belo curta em stop motion. Vale à pena assistir. No final, durante os créditos, não deixe de ver o pequeno making of.

Sorry I’m Late from Tomas Mankovsky on Vimeo.

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quinta-feira, 28 de maio de 2009

“C’était un rendez-vous” — filmé par Claude Lelouch

Tudo bem, você está atrasado e muito ansioso. Mas ao menos você está de Ferrari e está em Paris…

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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Apagãolipse Now

[Escrevi o conto abaixo — Apagãolipse Now — há exatos 10 anos, na Casa do Sol, residência da escritora Hilda Hilst. Volto a publicá-lo aqui porque traz comentários críticos a dois filmes concorrentes ao Oscar daquele ano: A Vida é Bela e Central do Brasil. Foi inspirado em acontecimentos reais ligados ao grande blecaute ocorrido naquele ano — 11/03/1999 — em quase todo o país.]

 

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Ivan chegou de Campinas, por volta das dezoito horas, um tanto cansado. Não conseguia se livrar de tanta informação apocalíptica, tantas coincidências significativas, tanta sincronicidade. Ou tudo não passava de humor negro cósmico - que o fazia sentir-se à beira da loucura - ou Alguém o escolhia como um tipo de profeta moderno, um João de Pátmos paulista. Em Campinas, na Casa da Lua, passou dois memoráveis meses em companhia da poeta e escritora outsider Lia Lizt. Tudo ali parecia corroborar não apenas as idéias da estranha organização que conhecera em Brasília, mas também muitos prognósticos sobre o futuro próximo do planeta. Lia Lizt tinha certeza: vivemos uma época à beira do extraordinário e do fantástico, um prenúncio de acontecimentos surpreendentes, deslumbrantes. Os ovnis que ela vira, as manifestações de seres do astral, os sinais que vira no céu, as fitas que gravara com mensagens do além, as vozes que ouvira, suas projeções astrais, os clarividentes que conhecera, sua eterna busca poética de Deus, tudo era prova disso, pouco importando se a chamavam de louca. E a viagem que Ivan fizera a uma imensa fazenda, no extremo norte do Distrito Federal, também o deixara perplexo. Realmente se construía ali uma pequena cidade multiétnica e multicultural, sob os bigodes do governo e da mídia. E ninguém se apercebia desse insólito ululante. E tudo isto era apenas o começo: como já haviam previsto malucos como Dom Bosco e Pietro Ubaldi, ali se planejava o centro de uma nova fase para o planeta. Ana, a amiga que o apresentara àquela gente, lhe contara sem pestanejar: "eles vieram ontem, antes de você chegar. Eram dez naves de quatro diferentes planetas. Vão construir suas embaixadas bem aqui." Ivan não sabia o que pensar. Ana - uma respeitada neurologista - não era nenhuma louca, nenhuma pódi-crê, muito menos aquelas outras cento e cinqüenta pessoas, entre estrangeiros e brasileiros. Ivan conversara, num inglês de Tarzã, com um engenheiro eletrônico japonês que lhe explicou como os extraterrestres vinham lhe ensinando uma tecnologia ainda desconhecida na Terra. "Para produzir energia limpa", dissera ele. Mas o mais incrível é que tudo aquilo era tão natural para aquelas pessoas, que o assunto mais corrente entre todos não eram os ETs, ou a pretensa Nova Era, mas as duas onças que vinham atacando o gado da região. Era surpreendente ainda existirem onças no centro-oeste. Teilhard de Chardin talvez tivesse razão: só o fantástico tem condições de ser verdadeiro.

Em sua casa, na grande São Paulo, Ivan tentava costurar as informações. Um certo Raël, um judeu francês, tentava convencer o Primeiro Ministro de Israel a ceder um terreno para a construção de uma embaixada para os Elohim, aqueles que vêm do céu. Claro, os dois últimos ministros não lhe fizeram caso. Raël escreveu: "não há um povo escolhido. Escolhidos são aqueles que escolhem aceitá-los. Se não for em Israel, será noutro lugar. Eles, os Elohim, oferecem tal oportunidade ao povo judeu apenas por uma questão histórica. Nós os recebemos no passado." Coincidência? Pela Internet, qualquer um pode conhecer tal carta. Mas não há nada sobre a embaixada que está sendo construída em Brasília. Ivan ainda se lembrava quando o japonês lhe falou sobre Karran, o líder ET, e de como há um certo Lord por trás de tudo. Ivan brincou citando Darth Vader, mas o japonês lhe contestou: "não, ele não é material como os outros, como o Karran, ou como nós. É um ser de luz. Esteve entre nós como Jesus de Nazaré…"

Ivan acendeu um beque e ficou pensando no outdoor negro que vira na Marginal Tietê, assim que chegara de Brasília: "Jesus está chegando!", dizia. Loucura? Fanatismo? Ilusão? Ana lhe dissera que nosso mundo é um planeta descarrilhado, mas que está prestes a reingressar na Família Cósmica. "Leia o Livro de Urântia", ela dissera. "Foi dele que o Benítez tirou praticamente todas as informações para escrever os vários Operação Cavalo de Tróia. O tal livro tá todinho na Internet, dizem que é uma revelação dos seres astrais e mentais sobre toda a verdade do Cosmos", acrescentou.

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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Neste último sábado, a Sertão Feelmes rodou as cenas finais do primeiro vídeo-clipe da Mugo, banda metal de Goiânia fenômeno no My Space, com quase 2 milhões de acessos. A Mugo prepara o lançamento de seu primeiro álbum, intitulado “Go to the Next Floor”, e o vídeo-clipe impulsionará ainda mais esta banda de som pesado e diferente.

O clipe da música “Screams” é resultado de uma parceria entre a Sertão Feelmes e a Cinelocações. Foi rodado em dois dias, no Centro Cultural Oscar Niemeyer e no estúdio da Idéia Produções. Direção de Antonio Guerino e fotografia de Naji Sidki. Nossos agradecimentos à Idéia Produções.

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Feelmes + Sertão = Sertão Feelmes

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Como a maioria de vocês já sabe, a Sertão Filmes e a Feelmes Cultura & Entretenimento, estão se unindo sob um único teto. Com isso, mais que uma produtora audiovisual, a nova empresa, coincidentemente chamada “Sertão Feelmes”, passará a atuar, de forma mais ampla, na produção de cultura e entretenimento. Aguardem para breve novidades.

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quarta-feira, 13 de maio de 2009

MIAU, MIAU, MIAU

Entre quarta e sábado da semana passada, tive a satisfação de fazer parte, junto com Pedro Plaza e Carolina Paraguassu, do juri do II MIAU (Mostra Independente do Audiovisual Universitário), aqui em Goiânia. O MIAU é uma mostra nacional com foco em curtas, documentais ou de ficção, realizados por universitários de todo o país.

Apesar de se encontrar apenas em sua segunda edição, impressiona o nível de organização do evento, realizado com parcos recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Goiânia, sua ampla divulgação e sobretudo a qualidade dos filmes selecionados. Já participei de alguns festivais e mostras de curtas no país e raras vezes vi um conjunto de filmes com tamanha qualidade. Parece que as universidades são hoje de fato o lugar onde se realizam alguns dos filmes mais criativos no Brasil.

Escolher os filmes a serem premiados não foi fácil diante do alto nível. Outorgamos quatro menções honrosas e os prêmios de melhor filme, melhor ficção, melhor documentário e Gato da Vez (dado ao diretor que apresentasse maior nível entre seu último filme universitário e primeiro depois de graduado). Confira abaixo os premiados. Se tiver oportunidade, todos valem realmente à pena serem vistos:

MELHOR FILME

“Sobre um Dia Qualquer”, de Leonardo Remor;

PRÊMIO GATO DA VEZ

Allan Ribeiro, por “O Brilho dos meus Olhos” e “Depois das Nove”;

MELHOR FICÇÃO

“Romance.38″, de Vinicius Casimiro e Vitor Brandt (tem trailer no You Tube);

MELHOR DOC

“A Vermelha Luz do Bandido”, de Pedro Jorge;

MENÇÕES HONROSAS

“Darluz” (fic), de Leandro Godinho (aqui os vídeos promocionais);

“Maresia” (fic), de Christian Schneider e Natália Piva Chim;

“Baronesa” (doc), de Cláudia Afonso;

“Encanto” (doc), de Julia de Simone (veja acima a primeira parte e aqui a segunda parte).

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

O Tunelzinho da Princesa

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Neste domingo, às 15 horas, na FILC, em Campinas, acontece o lançamento do novo livro do brother Biajoni, o já famoso “Buceta - Uma Novela Cor de Rosa”.

Para quem não conhece, Biajoni é autor do lendário “Sexo Anal - Uma Novela Marrom”, uma novela pornô-policial absolutamente genial. Para usar as palavras de um grande psicanalista amigo meu - a quem apresentei o Sexo Anal (o livro apenas) -, “o Biajoni é um Machado de Assis da intimidade”. É fato, o Bia escreve pra caralho: seus livros têm um ritmo que os torna impossível de largar e uma ironia e profundidade na construção dos personagens que fazem com que o sexo explícito seja apenas a cereja do bolo.

Conheci o Biajoni porque propus a ele fazermos um roteiro cinematográfico do Sexo Anal. Na verdade, o livro já é um roteiro de filme praticamente pronto. Eu adoraria filmá-lo. Está na gaveta dos projetos, pois resolvemos primeiro roteirizar o “Virgínia Berlim”, outro de seus romances imperdíveis. O roteiro está por aí, em edital do Minc, e vamos tentando articular caminhos para viabilizá-lo.

Nos encontramos no Rio de Janeiro por uma coincidência de viagens e tomamos mais de 50 chopps no Baixo Gávea. Mas, como quem bebe com o Bia não tem ressaca, acordei são no outro dia de madrugada pra dirigir de volta até Goiânia. É uma amizade nova que parece antiga.

Enfim, crianças, tive o privilégio de ser um dos primeiros leitores do “Buceta” e posso assegurar-lhes que é mais uma pequena obra-prima e outro  roteiro cinematográfico pronto, que inclui alguns dos mesmos personagens do Sexo Anal e o mesmo cenário de cidade média do interior paulista (por coincidência, o Bia mora em Limeira). É a história da descoberta de um golpe envolvendo desmanche de carros com a participação de uma grande concessionária, de vários outros crimes que se ligam a este e de um trágico e grande amor entre dois homens. Tem de tudo: uma loira fatal bandidíssima, muitos travestis - um deles é de Goiânia (o Bia gosta de fazer pequenas homenagens a seus amigos nos livros) -, sexo de todos os tipos, crimes, sangue e bucetas.

Não perca. O livro já está em pré-venda no site da Os Vira latas.

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