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A Hora e a Vez dos Curtas
Posted By Pedro Novaes On junho 3, 2007 @ 7:00 am In Festivais e Mostras | No Comments
ENVIADO PELO BETO LEÃO [1]:
Mais de 500 produções. Este foi o total de obras inscritas para a “Mostra Competitiva Brasileira de Curta-Metragem”, do “XVII Cine Ceará”
Deste total, foram selecionados 16 projetos para a competição (oito ficções, quatro documentários, três animações e um vídeo experimental). O Ceará está presente na disputa com uma produção em cada categoria.
Embora no mercado os curtas não tenham a visibilidade dos longas, nos festivais uma parcela do público comparece só pra aplaudir o segmento. Já para os realizadores, os filmes de menor duração permitem a maturação das idéias e o aperfeiçoamento técnico, servindo de balão de ensaio para produções mais ousadas.
No “XVII Cine Ceará”, os selecionados concorrem ao “Troféu Mucuripe”, em categorias semelhante as de longa-metragem (melhor filme, direção, ator, atriz, fotografia, edição, roteiro, som e direção de arte). Além disso, disputam prêmios em dinheiro concedido por alguns apoiadores do evento.
Um dos curtas selecionados para a mostra competitiva, é a ficção cearense “Sol de Amém”. Dirigido por Ives Albuquerque, a produção retrata uma história de fé ambientada no semi-árido, “lugar onde a espera é o alimento do tempo e a esperança se alimenta da alma”, como informa a sinopse. Albuquerque já participara de outras edições do Cine Ceará, se declara entusiasmado. “A seleção foi uma surpresa, sobretudo diante do número de inscritos. Apresentá-lo no nosso estado, para um público que conhece a realidade do sertão, é muito importante pra nós”, destaca.
Estreante em curta-metragem, o publicitário Márcio Santos apresentará a animação “Vida Maria”, realizada com recursos do “III Prêmio Ceará de Cinema e Vídeo”, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado (Secult). Apesar da pouca experiência, Santos já contabiliza elogios: o filme levou quatro prêmios na última edição do Cine PE (antigo Festival de Cinema do Recife), além de ter sido bem recebido em eventos similares do País.
“É um trabalho bem autoral, feito praticamente sozinho, com exceção da trilha sonora. Fico feliz e ansioso com a exibição no Cine Ceará. Fica a expectativa: serei a ´prata da casa´ ou o ´santo que não faz milagre´”, brinca Santos.
Veterano na competição, com duas produções já classificadas para a mostra de curtas (“Retrato Pintado” e “Canoa Veloz”), o diretor Joe Pimentel retorna ao festival com sua nova produção – “Câmara Viajante”. Trata-se de um documentário sobre os fotógrafos populares que trabalham nas festas e romarias de Canindé e Juazeiro do Norte, municípios cearenses de grande religiosidade. “O Cine Ceará é um festival nacional que contribui para divulgar a produção audiovisual local. Por isso, é importante simbolicamente estrear neste evento. E, para quem faz curtas, ele é praticamente a única vitrine”, diz Pimentel.
O último cearense na disputa é o filme experimental “O Espírito d´O Pão”, de Marcley de Aquino. O curta explora as possibilidades imagéticas do texto literário em consonância com a linguagem audiovisual para resgatar o legado da Padaria Espiritual, importante movimento artístico que fomentou o ambiente cultural de Fortaleza em fins do século XIX.
Mostras para cinéfilos e entusiastas
A exemplo de outros festivais, o Cine Ceará também se notabiliza pela programação paralela às exibições competitivas: um cardápio diversificado, que enche os olhos dos entusiastas da sétima arte. Um dos destaques desta edição é a “Mostra Curta Espanha”, que apresentará documentários e curtas-metragens do país ibérico. A retrospectiva será exibida de sábado a quinta-feira, sempre às 16h, no “Espaço Unibanco Dragão do Mar” (sala 1).
Entre as produções incluídas na mostra hispânica, figuram os seguintes títulos: “A primeira vez” (11 min); “O trem da bruxa” (19 min); “A origem do problema” (20 min); “Sangue, suor e couro sintético” (10 min); “Um instante na vida alheia” (1h 20); “Akixo” (38 min); “A Linha” (20 min); “Dez Minutos” (17 min); “No mundo a cada segundo” (2 h); “Em construção” (2h05); e “Balseiros” (2 h).
Fotógrafo húngaro radicado no Brasil, Thomaz Farkas estará presente no evento com uma mostra das principais produções realizada pela “Caravana Farkas”. Entre os anos de 1968 e 1972, o projeto reuniu realizadores de várias vertentes, para filmar, de forma inovadora e independente, aspectos da vida do povo brasileiro não captadas pelo cinema clássico.
Marco na produção documental, a “Caravana” consagrou cineastas como Geraldo Sarno (“Viramundo”), Maurice Capovilla (“Subterrâneos do Futebol”), Paulo Gil Soares (“Memória do Cangaço”) e Eduardo Escorel (“Visão de Juazeiro”), entre outros, tendo legado à cinematografia brasileira um acervo de aproximadamente 40 filmes.
No Festival, Farkas será uma das personalidades agraciadas com o “Troféu Eusélio Oliveira”, honraria concedida às personalidades que contribuíram para o desenvolvimento da sétima arte no País. A distinção é um reconhecimento pelo seu pioneirismo no gênero documental.
A “Mostra Homenagem Thomaz Farkas” será exibida de sábado a quinta-feira, sempre às 14h, no “Espaço Unibanco Dragão do Mar” (sala 1). Confira alguns dos documentários incluídos na retrospectiva: “Hermeto, Campeão” (de Thomaz Farkas); “Vitalino Lampião” (de Geraldo Sarno); “Viramundo” (de Geraldo Sarno); “De Raízes e Rezas” (de Sérgio Muniz); “Erva Bruxa” (de Paulo Gil Soares); “Visão de Juazeiro” (de Eduardo Escorel) e “Memória do Cangaço” (de Paulo Gil Soares).
Histórico do festival
Desde o seu início, o “Cine Ceará” tenta se firmar entre os principais eventos consagrados à sétima arte no Brasil. Passadas 17 edições, o evento se mantém entre os quatro grandes do gênero no País, ao lado de Gramado, Brasília e Recife. Um posto conquistado com afinco, porém, nem sempre mantido com brilho no decorrer do tempo.
A gênese do “Cine Ceará” é a “Vídeo Mostra Fortaleza”, festival local, organizado no início dos anos 1990 por um grupo interessado em alavancar o audiovisual no Estado. O evento frutificou, cresceu em popularidade e atrações, ganhou incentivos oficiais e, em 1994, foi rebatizado com o nome atual. O apoio do governo estadual contribuiu para torná-lo um evento regular no calendário cultural da cidade.
No final do último decênio, pegando carona na política de estímulo ao audiovisual promovida pelo então secretário de Cultura Paulo Linhares, o evento contabilizou um bom crescimento, convertendo-se em vitrine das produções aqui realizadas.
Na trilha deste projeto, o Cine Ceará decolou. Entre os anos de 1997 e 2000, era acirrada a disputa por assento para conferir a programação do São Luiz e constante o frenesi na Praça do Ferreira. Um retrospecto diferente das edições entre 2003 e 2005, quando houve esvaziamento de público. Um dos grandes desafios do festival, portanto, é chegar à maioridade (18 anos) plenamente consolidado, sem sobressaltos, com aprovação popular e de crítica. Neste sentido, o desempenho desta XVII edição, orçada em R$ 2 milhões, pode ser um termômetro indicativo do futuro do evento.
Serviço:
Dia e horário de exibição dos curtas cearenses no Cine São Luiz:
- ´O Espírito d´O Pão´ (de Marcley de Aquino): sábado, às 19h
- ´Vida Maria´ (de Márcio Ramos): domingo, às 19h
- ´Sol de Amém´ (de Ives Albuquerque): segunda-feira, às 19h
- ´Câmara Viajante´ (de Joe Pimentel): terça-feira, às 19h
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