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A Culpa é do Diretor
Posted By Pedro Novaes On janeiro 2, 2008 @ 7:55 am In Uncategorized | No Comments

Para mim parece muito claro que a maior deficiência do cinema nacional está na preparação e direção de atores. E más performances são 95% culpa de maus diretores e apenas 5% culpa dos atores. Bons diretores, dadas certas condições, extraem papéis memoráveis de pessoas que nunca atuaram (vide, entre outros, os filmes do argentino [1] Carlos Sorín, como “O Cachorro” e “Histórias Mínimas”, além da exceção nacional a confirmar a regra: “Cidade de Deus”).
A afirmação feita acima é tão mais válida quanto menor o orçamento do filme e inquestionável quando falamos de curta-metragens brasileiros. Felizmente, na produção de longas, esta deficiência tem sido minorada a passos largos com a valorização de profissionais de preparação de elenco. Pessoas como Sérgio Penna, Fátima Toledo e Chris Duvenport têm sido fundamentais na produção de atuações memoráveis em filmes como “Bicho de Sete Cabeças”, “Tropa de Elite” e no próprio “Cidade de Deus”. Até o [2] Manual da Vida Brasileira dia desses dedicou matéria ao tema.
Fato é que, se as produções de baixo orçamento ainda penam para ganhar pleno domínio de técnicas básicas como fotografia, o que dizer da direção de atores, campo em larga medida ainda tido como esotérico num meio bastante dominado por diretores de origem mais técnica.
A maioria de nós jovens diretores ainda crê que basta dar uma ordem para que o ator produza uma performance. E, se a coisa não funciona, culpa do ator, que não nos escuta ou, pior, “que não sabe atuar pra câmera porque sua formação é de teatro”. Essa é uma bobagem que escuto com grande frequência.
É evidente que há diferenças grandes na mise-en-scene teatral e na do cinema, mas o ofício do ator continua o mesmo, isto é, se emocionar diante do público para contar uma história. A diferença entre uma arte e outra cabe ao diretor entender muito mais que ao ator.
Felizmente, há farta literatura sobre o tema, a começar pelos trabalhos seminais obrigatórios de [3] Constantin Stanislavski.
Em língua inglesa, um dos melhores livros publicados sobre o tema é [4] “Directing Actors”, de Judith Weston. Obrigatório. Vai para nossa [5] “Biblioteca do Cineasta Digital”.
Estou traduzindo um dos melhores trechos do livro, em que a autora descreve, de maneira muito elucidativa, tudo aquilo que um diretor não deve fazer no trabalho com os atores. Em breve, devo postá-lo por aqui.
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[1] Carlos Sorín: http://www.imdb.com/name/nm0815044/
[2] Manual da Vida Brasileira: http://www.veja.com.br
[3] Constantin Stanislavski: http://pt.wikipedia.org/wiki/Constantin_Stanislavski
[4] “Directing Actors”: http://www.amazon.com/Directing-Actors-Memorable-Performances-Television/dp/0941188248/ref=pd_bbs_sr
_1?ie=UTF8&s=books&qid=1199308272&sr=8-1
[5] “Biblioteca do Cineasta Digital”: http://olhosdevidro.wordpress.com/biblioteca-do-cineasta-digital/
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