segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Mova a Câmera!
Movimentos inesperados e surpreendentes de câmera, sobretudo planos sequência bem feitos, são um dos componentes fundamentais da magia do cinema. Aliás, aqui um belíssimo texto sobre grandes planos sequência com links para alguns deles no You Tube. Na tela acima, um excerto de Soy Cuba, de Mikael Kalatozov, uma pérola da produção comunista, com alguns dos mais espetaculares planos sequência já realizados (a história deste filme é retratada em “O Mamute Siberiano”, do brasileiro Vicente Ferraz).
Muitos de nós, jovem cineastas, entretanto, talvez influenciados por uma certa valorização do experimentalismo que confunde inovação estética com pobreza técnica e operação de câmera porca, parecemos achar que enquadramentos bizarros e câmeras tremidas a ponto de causar enjôo no espectador são coisas desejáveis em nossos filmes.
Talvez isso se deva também ao fato de acharmos que movimentos de câmera elaborados demandam necessariamente gruas, dollies e steadicams de milhares de reais. Na verdade, com criatividade e alguma habilidade manual, é possível improvisar movimentos de câmera que agregam enorme valor a nossos filmes, ou ainda construir equipamentos que fazem praticamente o mesmo que suas contrapartes caras.
Um exemplo disso é o Steadycam de 14 dólares, que qualquer um que saiba o endereço de uma ferragista pode construir em casa. O essencial é compreender o princípio de funcionamento de um steady, nada mais do que simplesmente fornecer um contrapeso à câmera, evitando que ela rotacione em seu eixo horizontal (em movimento indesejado de tilt). Vejam, por exemplo, este filme demonstrativo e comprovem a eficácia da traquitana.

Outra peça genial é o livro “Killer Camera Rigs that You Can Build”, que detalha projetos relativamente simples de gruas, braços e suportes para gravações em carros, entre outras peças, que revolucionarão seus filmes. Veja também que beleza os filmetes demonstrativos. Mais um livro pra nossa Biblioteca do Cineasta Digital.
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