Sertão Filmes

Arquivo de julho de 2008

O Vazio depois do Filme

Terminar de rodar um filme é sempre emocionalmente difícil. Por mais duros, adversos ou conflituosos que tenham sido os dias ou semanas, é sempre um processo intenso de trabalho e convivência. Quando ele é suave, divertido e com bom astral então, são necessários alguns dias de “descompressão” para que a gente seja capaz de enfrentar a realidade e para que a vida volte ao normal. Este é o caso do Cartas do Kuluene.

Apesar do pouco dinheiro, tivemos uma equipe de primeira e um processo muito bem organizado e conduzido, encerrado com cinco dias de gravações nas paisagens espetaculares do alto Rio Araguaia e do Rio Encantado, em Goiás.

Os percalços foram pequenos e as ordens do dia todas cumpridas com mínimos ajustes. A equipe trabalhou muito afinada, serviço de gente grande, a despeito dos mosquitos, do frio constante nas noturnas e nas manhãs, do sol forte, dos carrapatos e das poucas horas de sono. O material ficou espetacular. No final das contas, 11 dias de gravações, quase 15 locações, 24 profissionais.

Agora partimos para a seleção da trilha sonora, sob supervisão do Márcio Júnior, numa parceria com a Monstro Discos, para a gravação das narrações e, passada a campanha eleitoral, começo a montar o filme com a Aline Nóbrega, nossa editora de imagens.

Espero nesta segunda já conseguir me relacionar direito com o mundo real.

Abaixo, mais algumas fotos. Na primeira, o maquinista Chico Macedo prepara os 2 mil watts do Molly Richardson na locação na casa que pertenceu a atriz americana Mary Martin. Na segunda, o técnico de som Arturo Lucio no set. Depois, Antonio Zayek passa frio na gélida madrugada enquanto espera a hora de encarnar o anarquista Paul Berthelot. E finalmente os atores Tiago Benetti, Bia Labaig e Felipe Brum já caracterizados como Buell Quain, Nicole e Andrew.

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Kill the Babies!

Não tenho dúvida que um dos maiores desafios no caminho de um diretor de cinema é aprender a abrir mão. Ponte entre a imaginação do roteiro e a realidade do filme, ele tem a cada dia que exercitar o jogo de cintura necessário para fazer o máximo sem querer o impossível que frustraria qualquer possibilidade de filme. Refém do real, sem lutar contra ele, o diretor é medíocre, e seu filme perde qualquer sentido. Refém do impossível, seu filme não existe, pois nunca é bom o suficiente.

Assim, é preciso saber abrir mão da cena mais imaginada, mais cobiçada, mais preparada e mais sonhada, e mesmo assim saber que o filme ainda segue bom ou até melhor. Abrir mão dela conforme imaginada para que ela tome a forma possível, ou mesmo abrir mão dela depois, na montagem, porque simplesmente não se encaixa mais no filme.

Mas é preciso saber que se fez todo o possível para ter a cena imaginada, e então, mas só então, abrir mão. É difícil, mas não há como ser um bom diretor sem essa capacidade.

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O comercial da Brasil Telecom

Eis o comercial da Brasil Telecom, gravado em Anápolis, no qual a Sertão teve participação. A criação é da agência Leo Burnett, a produção é da TV Zero, do Rio de Janeiro, com direção do André Horta, aliás, diretor de fotografia do longa Dois filhos de Francisco. (Eita, equipe bacana! O André é um figuraça, assim como todos os demais.) O chato foi eu ficar vestido com um macacão de Top Gun, me achando um gostosão, fazer mil e uma poses — eu fui figurante — e não ver sequer a sombra do meu nariz nessa montagem aí, hehehe. Pelo menos havia uma figurante linda-divertida-interessantíssima para me fazer companhia… Né, Silvia?

(Bem, não tenho certeza, mas acho que o cara de camiseta rosada empurrando o avião é o Pedro.)

O instrutor de paraquedismo é o Hélio Rubens, sócio-proprietário da Mergulho no Céu. Estavam presentes outros caras muito bacanas da Mergulho, tais como o Leandro e o Beto. Eles fazem salto-duplo — o Leandro salta junto e grava tudo — e qualquer um pode ir até lá e, por exemplo, presentear o namorado ou a namorada com um salto. E ainda leva o DVD pra casa…

Ficha técnica do comercial
Anunciante: Brasil Telecom
Agência: Leo Burnett Brasil
Produto: Telefonia Móvel
Títulos: Flexibilidade e Ilimitado
Redação: Christian Fontana e Carla Cancellara
Direção de arte: Renato Butori
Direção de criação: Ruy Lindenberg
Planejamento: Ana Paula Cortat, Ira Finkelstein e Tiago Lara
Atendimento: Pedro Arlant, Juliana Seabra, Gustavo Burnett
RTVC: Iracema Nogueira e Fernanda Moura
Som: Estúdio Hitz
Aprovação: Rodrigo Cicutti, Ane Lopes e Luciana Mangoni
Produtora de filme: TV Zero
Direção do filme: André Horta

E os figurantes? Eu, o Pedro Novaes, a Silvia Prado e a Bruna Medeiros, a única que realmente aparece nas cenas…

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Sertão começa a rodar longa documental

Tiago e Felipe contracenamBia Labaig encarna Nicole

Iniciamos hoje as gravações do documentário em longa-metragem “Cartas do Kuluene”. Com roteiro e direção meus, o filme é um relato emocional a três vozes sobre a experiência de contato com povos indígenas no Brasil. Na forma de uma impensável troca de cartas entre o próprio diretor e dois personagens históricos, o filme se desenrola misturando cenas dramáticas a serem rodadas com atores e cenas documentais, já gravadas no Parque Indígena do Xingu. O diretor troca impressões sobre as emoções e dificuldades da experiência indígena com Buell Quain, antropólogo americano que se suicidou em 1939 entre os Krahô, no Maranhão, e com Paul Berthelot, militante anarquista francês que se embrenhou pelo vale do Araguaia na década de 1910 para investigar se as sociedades indígenas podiam ser consideradas sociedades anarquistas.

O projeto foi aprovado para patrocínio por meio do mecanismo da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Goiânia, e conta com investimentos da Leonardo Rizzo Participações Imobiliárias, da Cantagalo Comunicação e do Adress West Side Hotel, além de inúmeros apoios que merecidamente serão listados aqui.

Serão 12 dias de gravações para a conclusão das cenas dramáticas em locações em Goiânia e arredores e depois na Área de Proteção Ambiental do Encantado, no município de Baliza (GO). A equipe é composta por Cássia Queiroz, assistente de direção, Emerson Maia, diretor de fotografia, Paulo Paiva, como produtor executivo, Maria Eugênia Tovar respondendo pela direção de produção e Maurício Cruz na direção de set; Letycia Rossi faz a direção de arte, Arturo Lúcio, a captação de som direto, respondendo também posteriormente pela edição de som e finalização. Daniela Tonaco é nossa assistente de câmera. Ursula Ramos faz cenografia, produção de arte e contra-regragem. A maquiagem e cabelos são responsabilidade de Accioly Neto. A maquinária está sob o comando de Chico Monteiro, auxiliado por Denir Calassara. Rogério Neves faz a fotografia de still. Aline Nóbrega será a editora de imagens e Márcio Júnior assinará a direção musical. A preparação de atores ficou a cargo de Sandro di Lima. Os dois papéis principais ficarão com Antonio Zayek – o anarquista - e Tiago Benetti, o antropólogo. O elenco conta ainda com Felipe Brum e Beatrice Labaig.

Todas as fotos de Rogério Neves.

Accioly Neto prepara Bia LabaigCássia, assistente de direção, e Tiago BenettiO set no Golfe Clube

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