Sertão Filmes

Arquivo de agosto de 2008

O Rolex e o Celular

Digamos, por motivos de pura ironia, que seu nome era Christian, uma vez que se mostrou tão irritado — em outra conversa velha de um ano, que agora não vem ao caso — ao tratar das “desprezíveis” raízes cristãs (the christian roots) do Ocidente. Christian, um diretor de cinema brasileiro, basicamente de curtas-metragens, me foi apresentando como sendo curador de um relevante festival de cinema do Rio de Janeiro. “Não se preocupe”, me disse, “pelo que ouvi falar a respeito do seu filme, com certeza irei gostar muito”. Eu não estava preocupado, mas quis saber o que ele ouvira. “Ué, bróder, me disseram que o filme era uma porrada no estômago. Fiquei curioso. Se eu curtir, ele poderá ser selecionado pro meu festival.” Estávamos na festa de encerramento de mais uma edição da Goiânia Mostra Curtas, taças de vinho à mão, enquanto, ao nosso lado, uma fila se formava para o bufê que já começara a ser servido. Era noite e o pátio da Secretaria de Cultura estava abarrotado de cineastas, atores, políticos, empresários e culturetes em geral, todos muito satisfeitos em participar de um evento do gênero. Era como se uma atmosfera cosmopolitana tivesse subitamente descido sobre a cidade. Nada como testemunhar que o cinema goiano, em particular, e o brasileiro, em geral, parecia ter finalmente tomado impulso — muito embora não se soubesse exatamente em qual direção…

O rega-bofes patrocinado involuntariamente pelo contribuinte seguia seu curso, enquanto eu, Christian e o também cineasta João Novaes prosseguíamos rindo e conversando sobre temas diversos. A certa altura, lembrando-me da polêmica recente a respeito do sucesso do longa “Tropa de Elite”, decidi indagar:

“E aí, Christian, você gostou do Tropa de Elite? Seria interessante saber de um cineasta carioca se o filme afinal é fiel ou não à realidade.”

O cara mudou de cor instantaneamente, ficou branco, em seguida vermelho, então franziu o cenho e começou a disparar mil petardos contra o filme. Falava na velocidade de uma metralhadora, uma dessas que os traficantes costumam usar nos morros. Mais baixo que eu, Christian às vezes me olhava por cima dos óculos, o que tornava suas sobrancelhas mais ameaçadoramente expressivas. Dizia que o “Tropa” era o filme mais mentiroso e ridículo de todos os tempos, uma enganação com DNA hollywoodiano à qual apenas a massa estúpida poderia dar algum crédito.

“Acho que então faço parte da ‘massa estúpida’”, comentei, “porque achei o filme excelente.” Leia mais

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Teste de Dominique Swain para “Lolita”

Teste e leitura de roteiro com Jeremy Irons.

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Escreva roteiros no OpenOffice

Num post anterior, falei de vários programas para formatação de roteiros. Mas, obviamente, há outros, além de alguns recursos bem simples. Por exemplo: para quem usa o OpenOffice, que é uma versão gratuita do Microsoft Office desenvolvida pela Sun, basta baixar este template, abri-lo no Writer e terá então uma ferramenta para formatar seu roteiro segundo os padrões usuais.

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ESPELHO (2007) - curta-metragem

Nossa, que engraçado, só agora notei que ainda não havia publicado aqui o ESPELHO, curta-metragem que escrevi e que dirigi em parceria com Cássia Queiroz. Até que é uma boa hora, uma vez que ele já foi assistido 6642 vezes no You Tube (a versão legendada em inglês foi vista 1212 vezes), sendo ainda, entre 16200 curtas, o segundo resultado, em ordem de relevância, quando se busca “curta-metragem”.

A ficha técnica e demais informações seguem logo abaixo.

“Uma platéia de cinema se surpreende ao ver-se diante de um filme que não mostra outra coisa senão… uma platéia de cinema! Por quanto tempo essas pessoas conseguirão resistir à própria reflexão?”

ATENÇÃO: Este filme foi feito tendo em vista sua apresentação em festivais de cinema. Aqui no You Tube, vc poderá dar boas risadas, mas não verá algo — a não ser com um pequeno esforço de imaginação — que realmente vale a pena: o desconforto e/ou surpresa da platéia real diante de uma platéia virtual que supostamente a assiste. Num cinema, certas reações são realmente muito engraçadas e merecem ser descritas numa outra oportunidade. Ao sentar na platéia, vc abdica do controle e, se o filme for ruim, não pode parar a projeção quando bem entender e muito menos abandonar a sala tão facilmente, afinal, dá um certo trabalho pisar nos pés dos vizinhos de poltrona. Este filme é uma espécie de armadilha em festivais, principalmente quando o filme anterior é chato… ;-)

(Não deixe de assistir aos erros de gravação durante os créditos.)

Recebeu o PRÊMIO DE MELHOR DIREÇÃO em CURTA-METRAGEM no III FestCine Goiânia 2007, com juri formado por Neuza Borges, Cecil Thiré, Germano Pereira, Guilherme de Almeida Prado, Telma Reston e Anselmo Pessoa Neto.

SELECIONADO PARA O CINEME-SE 2008 - Festival da Experiência do Cinema (SANTOS-SP).

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Turma Boa

Acima, a equipe de set quase completa do “Cartas do Kuluene”. Em pé, da esquerda pra direita: Ricardo, nosso mestre-cuca, Cássia Queiroz, Assistente de Direção, Arturo Lucio, técnico de som, Antonio Zayek, um dos protagonistas, Tiago Benetti, outro dos protagonistas, Letycia Rossi, Diretora de Arte, eu, Edmar, motorista, Marcelo, assistente de maquiagem, e Rogério Neves, fotógrafo de still. Agachados: Dani Azul, assistente de câmera, Emerson Maia, Diretor de Fotografia, Chico Macedo, maquinista, Accioly Neto, maquiador e cabelereiro, Denir Calassara, maquinista, Maurício Cruz, platô e Jânio, motorista. Faltam Maria Eugênia Tovar, Diretora de Produção, Ursula Ramos, produtora de arte e cenógrafa e Paulo Paiva, produtor executivo, além dos atores Felipe Brum e Beatrice Labaig, do preparador de elenco, Sandro di Lima e da editora de imagens, Aline Nóbrega.

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