Sertão Filmes

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Arquivo de janeiro de 2009

Benicio del Toro e o filme “Che”

Em entrevista à jornalista Marlen Gonzalez, Benicio del Toro gaguejou, ficou mudo e, por fim, deve ter se arrependido amargamente da dita cuja. A primeira pergunta: “por que estrear um filme sobre Che Guevara numa cidade (Miami) onde vivem tantos cubanos vitimados por um sistema que ainda está implantado em Cuba? É uma provocação?” Benicio gagueja. E ela completa: “O filme traz uma imagem positiva do Che, e imagine que, se fosse sobre Hitler, estaria ofendendo aos judeus.” Ele diz que o Che não criou campos de concentração. E ela: “Estamos falando sobre assassinos. Não é o mesmo crime assassinar uma pessoa, cem ou cem mil?” E acrescenta: “Você sabia que o Che, quando esteve encarregado da prisão de La Cabaña, mandou fuzilar pessoalmente mais de 400 pessoas?” Benicio del Toro fala de pena de morte e ela contesta, já que foram execuções sumárias, sem julgamento. Ele afirma então que eram terroristas ligados ao ex-ditador Batista. (Santa inocência!) Ela o contesta, dizendo que foram assassinados por suas opiniões contra o governo revolucionário, por suas consciências. Ele fica muuuito desconfortável. A jornalista indaga por que o filme não mostra os fuzilamentos, os disparos que o próprio Che deu, em execuções, a sangue frio. O ator não sabe. E, por fim, ela pergunta se Benicio conhece a seguinte declaração de Che Guevara: “A forma mais positiva e mais forte que há, à parte de toda ideologia, é um tiro em quem se deve dar em seu momento”. “Não me lembro, exatamente”, responde ele. E ela lhe presenteia com o livro “Guevara: Misionero de la Violencia“, escrito por Pedro Corzo, historiador cubano e ex-preso político na ilha.

Ah, claro: a jornalista Marlen Gonzalez é de origem cubana.

Che: Part One e Che: Part Two (2008) são filmes de Steven Soderbergh.

Pedro Corzo mantém o Instituto de la Memoria Histórica Cubana contra el Totalitarismo.

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The Curious Case of… Forrest Gump!

The Curious Case of Forrest Gump – watch more funny videos

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Cineastas

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Dois Filmes com Penélope Cruz

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Sobre “Vicky Cristina Barcelona”, tenho ouvido várias pessoas fazendo comentários do tipo: “Ah, achei legal, mas não é dos melhores dele”, ou, mais comumente ainda, coisas do tipo: “É leve, né? Divertido, despretensioso”, como se se referissem a “American Pie” ou coisa do gênero. Por último, um descolado conhecido disse que não era legal porque “as pessoas passam por tudo aquilo, mas ninguém se transforma”.

Como achei o filme excelente, possivelmente o terceiro melhor Woody Allen (depois de “Match Point” e “Desconstruindo Harry”), me pus a pensar o que havia de errado comigo que ninguém o achara tão bom quanto eu, exceto minha mulher. E, óbvio, cheguei à conclusão de que o problema está nos outros.

Afinal, é preciso sutileza para compreender a fina ironia que perpassa todo o roteiro do filme e, sobretudo, para escapar às peças que nossos cérebros e espíritos, acostumados ao melodrama, nos pregam.

Em primeiro lugar, a voz do narrador marca o tempo todo, em constantes observações, sempre de fundo irônico, o contraponto ao que está acontecendo. E evidentemente o filme é corrosivamente crítico das posições de todos os personagens, na verdade estereótipos: a moderna que nunca acha sentido nas coisas, o artista galante que não consegue se acertar, o yuppie que só vê o mundo através de rótulos, a intelectual que não consegue arriscar ou mudar a vida por medo da opinião dos outros e a mulher desequilibrada.

Anestesiados pela enxurrada de melodramas, evidentemente aprendemos a esperar transformações dos personagens. As pessoas enfrentam obstáculos, se expõem a situações novas ou arriscadas e, no fim, se transformam para melhor. Mas a grande ironia de “Vicky…” é justamente que as pessoas não se transformam. Elas seguem as mesmas.

Acho que meu conhecido descolado não consegue enxergar o grosso dessa ironia porque o filme apresenta uma situação que é uma fantasia batida da maioria de nós, e, por isso, não apenas levada a sério, mas carregada de uma grande expectativa de transformação: um triângulo amoroso em Barcelona, a vida descolada dos artistas, jardins com apresentações de guitarras flamencas em noites de verão, etc. Tudo isso é lindo e bastante batido. Como poderia não transformar alguém?
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Fatal, por sua vez, seria um filme quase cinco estrelas, se acabasse antes. ( O Lisandro acha que é apenas um melodrama sofisticado). (Atenção, spoilers do filme abaixo).

Para mim, o roteiro deveria terminar quando, findo o caso entre David e Consuela, e morto George, o amigo poeta, o personagem de Ben Kingsley e Carolyn, sua antiga amante, conversam e ele se oferece para levá-la ao aeroporto no outro dia, ao que ela responde: “Estamos há 20 anos juntos. Por que começar com isso agora?” Fim perfeito. Daí em diante, capotada total. É incrível porque parece que o filme, até então equilibrado, bastante sóbrio e implacável com os personagens, instantaneamente descamba para o melodrama: em três rápidas cenas em sequência, David olha pela janela e vê, no prédio do outro lado da rua, uma velha triste na janela; em seguida, o vemos solitário e desajeitado no café onde costumava encontrar o amigo agora falecido; por fim, na sala de sua casa, as folhas de uma planta estão secas e caem ao chão. Todo filme sobre velhice têm que acontecer no outono e ter folhas caindo? Segue-se aquela infindável e intragável parte sobre o câncer de Consuela e a tranformação de David, que finalmente se torna um homem bom, capaz de se relacionar, a ponto de começar a rever a relação com o filho.

Esta última transformação, em particular, me foi a mais dolorida. A cena do filho procurando David para confessar que tinha um caso fora do casamento é sensacional, talvez a melhor do filme: diálogos ácidos, personagens muito bem trabalhados e interpretações soberbas de Kingsley e Peter Sarsgaard. A palhaçada do final estraga tudo. Nota 3,5.

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A Fábula pela Metade

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É legalzinho, bonitinho, esse “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Inevitável, como já se tem dito muito por aí, a comparação com “Forest Gump”. O pecado do filme, na minha opinião, é ser uma fábula só pela metade. A situação central, de um camarada que nasce velho e vai rejuvenescendo, apresenta a história como tal, mas fica nisso, o que não é o caso de Forest Gump, muito melhor que essa sua quase cópia. Depois, o filme vira um romance água com açúcar, e o cara é só um sujeito super bonzinho sem defeitos. Os caras tinham que ter entrado de cabeça no realismo fantástico.  Como é, ficou bobo. Três estrelinhas. Vale mais pela Cate Blanchett, absolutamente estonteante.

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Mais fotos do Cartas

Olhaí mais fotos de divulgação e bastidores do “Cartas do Kuluene”. Gravação da últimas cena em São João del Rey: a equipe, além de mim, diretor, tinha Paulo Paiva, Produtor Executivo, Emerson Maia, como fotógrafo, Antonio Zayek, nosso protagonista, Ricardo Calaça, som direto e Chico Macedo, assistente de câmera. Mais uma vez os sinceros agradecimentos à Vale e à Ferrovia Centro-Atlântica, à Prefeitura de São João del Rey, sobretudo na pessoa do Gilvane, e aos hotéis Trilhos de Minas e Calcinfer.

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Clique aqui para ver o ábum completo. Fotos do Paulo Paiva.

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Continuidade e atenção

Se você é um visitante assíduo do site The Internet Movie Database, já notou que todos os filmes possuem um link chamado “Goofs” no qual, entre outras mancadas, você encontrará os erros de continuidade do respectivo filme. Chega a ser assombroso verificar que mesmo os filmes que considerávamos os mais perfeitos também apresentam inúmeros erros de continuidade, tal como o clássico Era uma vez no oeste, de Sergio Leone. Mas o que pouca gente sabe é que esses erros são assumidos no momento da montagem, afinal, os diretores sabem que a atenção do espectador não está voltada para detalhes secundários. O diretor só irá arrancar os cabelos e refazer a cena se o erro de continuidade envolver alguma ação significativa para o entendimento da trama. No final das contas, tudo não passa de um truque muito bem feito, de prestidigitação, tal como no vídeo abaixo, “O truque do baralho que muda de cor”. Assista-o, acompanhe a “mágica” e veja se você consegue perceber como se dá o jogo entre a atenção ao essencial e a atenção ao detalhe.

Entendeu por que os diretores deixam passar certos erros de continuidade?

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Trilha sonora no Blip.fm

Tenho postado, no meu Blip.fm/yurivs, algumas músicas que fazem parte da trilha sonora de diversos filmes. Fica aí a dica.

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Blog do Lisandro

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Outro blog cinematográfico que merece acompanhamento e participação nos debates é o do Lisandro Nogueira, professor da Universidade Federal de Goiás e crítico de cinema. O Lisandro é meu “supervisor” de estudos sobre teoria e linguagem cinematográfica, na falta de um designação melhor. Grande figura.

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Buraco Negro

Putz, olha que curta genial:

Via Twitter do Tiago Cordeiro.

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