Sertão Filmes

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Arquivo de abril de 2009

O Tunelzinho da Princesa

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Neste domingo, às 15 horas, na FILC, em Campinas, acontece o lançamento do novo livro do brother Biajoni, o já famoso “Buceta – Uma Novela Cor de Rosa”.

Para quem não conhece, Biajoni é autor do lendário “Sexo Anal – Uma Novela Marrom”, uma novela pornô-policial absolutamente genial. Para usar as palavras de um grande psicanalista amigo meu – a quem apresentei o Sexo Anal (o livro apenas) -, “o Biajoni é um Machado de Assis da intimidade”. É fato, o Bia escreve pra caralho: seus livros têm um ritmo que os torna impossível de largar e uma ironia e profundidade na construção dos personagens que fazem com que o sexo explícito seja apenas a cereja do bolo.

Conheci o Biajoni porque propus a ele fazermos um roteiro cinematográfico do Sexo Anal. Na verdade, o livro já é um roteiro de filme praticamente pronto. Eu adoraria filmá-lo. Está na gaveta dos projetos, pois resolvemos primeiro roteirizar o “Virgínia Berlim”, outro de seus romances imperdíveis. O roteiro está por aí, em edital do Minc, e vamos tentando articular caminhos para viabilizá-lo.

Nos encontramos no Rio de Janeiro por uma coincidência de viagens e tomamos mais de 50 chopps no Baixo Gávea. Mas, como quem bebe com o Bia não tem ressaca, acordei são no outro dia de madrugada pra dirigir de volta até Goiânia. É uma amizade nova que parece antiga.

Enfim, crianças, tive o privilégio de ser um dos primeiros leitores do “Buceta” e posso assegurar-lhes que é mais uma pequena obra-prima e outro  roteiro cinematográfico pronto, que inclui alguns dos mesmos personagens do Sexo Anal e o mesmo cenário de cidade média do interior paulista (por coincidência, o Bia mora em Limeira). É a história da descoberta de um golpe envolvendo desmanche de carros com a participação de uma grande concessionária, de vários outros crimes que se ligam a este e de um trágico e grande amor entre dois homens. Tem de tudo: uma loira fatal bandidíssima, muitos travestis – um deles é de Goiânia (o Bia gosta de fazer pequenas homenagens a seus amigos nos livros) -, sexo de todos os tipos, crimes, sangue e bucetas.

Não perca. O livro já está em pré-venda no site da Os Vira latas.

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Animated Soviet Propaganda – um documentário

Um documentário que mostra o uso da animação — por parte do governo da extinta União Soviética –, enquanto veículo de manipulação ideológica. (Veja mais detalhes abaixo do vídeo.) Esta é a primeira de quatro partes.

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Part 1 of 4 of the Documentary “Animated Soviet Propaganda“. From 1924 to Perestroika the USSR produced more than 4 dozen animated propaganda films. They weren’t for export. Their target was the new nation and their goal was to win over the hearts and minds of the Soviet people. Anti-American, Anti-British, Anti-German, Anti-Capitalist, Anti-Fascist, some of these films are as artistically beautiful as the great political posters made after the 1917 revolution which inspired Soviet animation. A unique series. With a unique perspective. Includes interviews with the directors of the animated films which are still alive and commentary by a leading Soviet film scholar.

Two hours of documentary and six hours of animated films: Black and White, 1933, directed by I. Ivanov-Vano and L. Mister Twister, 1963, A. Karanovitch, Soyuzmultfilm Studio. Someone Else’s Voice. 1949. I. Ivanov-Vano. Soyuzmultfilm. Ave Maria, 1972, I. Ivanov-Vano. Soyuzmultfilm. The Millionaire, 1963, V. Bordzilovsky and Y. Prytkov, Soyuzmultfilm. Shooting Range, 1979, V. Tarasov. Soyuzmultfilm. Mr. Wolf, 1949, directed by V. Gromov. Soyuzmultfilm. OVERVIEW COMMENTATORS: Igor Kokarev, Professor of Film Sociology, Russian State Film School. Vladimir Tarasov, director/ artist “Shooting Gallery” Dr. Sofia Marshak, PhD, great-granddaughter of children’s poet Samuel Marshak Amalrik. Mezrabpomfilm.

More Information at: www.russiananimation.com.

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Contardo, cinema e escola

contardo

Excelente artigo de Contardo Calligaris, na Folha de hoje, sobre o ensino de cinema nas escolas:

CONTARDO CALLIGARIS

Cinema na escola


A primeira tarefa do crítico é a de permitir que a obra entre na vida do leitor e a transforme

TEMPOS ATRÁS , neste espaço, eu estranhei que o cinema não fosse matéria escolar: os alunos, pelo mundo afora, devem aprender a ler e a apreciar as artes e a literatura (incluindo o teatro -reduzido ao texto), mas não o cinema.
Talvez seja por alguma sisudez dos pedagogos que escolhem programas e objetos de estudo: “O cinema diverte? Então, divirtam-se; a escola não tem nada a ver com isso”, como se o prazer das massas implicasse o escasso valor cultural dos “produtos”.
As próprias artes e a literatura parecem estar no “panteão” das matérias escolares à condição que os alunos renunciem ao “barato” de ler e de olhar. Por sorte, sempre há professores que contaminam os alunos com seu próprio prazer na fruição de literatura e arte. Mas eles são exceção: em geral, o prazer é esmagado pelo peso da história literária (frequentemente transmitida sem uma relação viva com a história das ideias e dos homens) e de uma análise, dita “crítica”, que teima em excluir o essencial da experiência do leitor, ou seja, o fato de que, lendo, ele transforma sua experiência de si mesmo, dos outros e do mundo. Por exemplo, durante o secundário, meu professor de literatura conseguiu me tornar quase impossível a leitura (obrigatória) de “Os Noivos”, de Manzoni, que é (descobri depois) um grande romance. Em compensação, meu professor de grego, embora tivesse de nos ensinar a língua junto com sua literatura, transformou a “Odisseia” em parte do nosso mito pessoal. Com ele, a gente se apropriou de um patrimônio de experiências que mal poderíamos viver numa vida inteira. Quem nunca viajou soube o que é a nostalgia de Ítaca, e quem viajou viveu aquela nostalgia mil vezes mais intensamente.
Foi publicado recentemente, aliás, um pequeno livro de Tzvetan Todorov, “A Literatura em Perigo” (Difel), que recomendo a todos os que ensinam. Todorov, que foi um dos pregoeiros do formalismo na análise literária francesa, constata o fracasso do ensino da literatura e propõe que, antes de formar críticos, a gente forme leitores.
Mas voltemos ao cinema. Uma boa notícia não faz mal: no Estado de São Paulo, começa agora o programa “O Cinema Vai a Escola” para o ensino médio. Os educadores já receberam uma primeira caixa com 20 filmes em DVD (outra virá) e dois volumes do “Caderno de Cinema do Professor” (um terceiro também chegará mais tarde). O primeiro lote inclui o DVD “Luz, Câmera… Educação”, que mostra um pouco os artifícios e recursos do cinema, mas o projeto do programa aparece sobretudo no primeiro caderno dos professores. Trata-se de um guia para conversas possíveis com os alunos, depois de cada filme. Sem esquecer completamente a análise da linguagem cinematográfica e a história do cinema, o acento é sobre a relação de cada filme com questões que podem surgir em outras disciplinas ou, simplesmente, na vida dos alunos: problemas, dramas e dilemas que são, no fundo, cotidianos.
Ou seja, a intenção é a de enriquecer a experiência cinematográfica dos alunos, não para que jubilem ao reconhecer, em cada cena, planos abertos e planos fechados, mas para que possam, graças aos filmes aos quais eles assistem, tornar sua existência mais complexa e mais intensa. Talvez alguém se queixe de que não há, no novo ensino, teoria e história suficientes ou que ele não transforma os alunos em críticos. Respondo assim.
Na faculdade, fui aluno de alguns grandes professores de literatura (J. Starobinski, J. Rousset, G. Steiner, R. Dragonetti, R. Barthes). Cada um de seu jeito, eles me ensinaram a analisar um texto, mas a razão de minha gratidão por eles é outra: todos confirmaram meu amor pela ficção, porque todos entendiam que a primeira tarefa do crítico é a de se deixar seduzir pela obra e, com isso, ajudar o leitor a permitir que a obra entre na sua vida e a transforme. Havia, na faculdade, uma exceção: um professor (de novo, de literatura italiana) que parecia medíocre, e talvez fosse mesmo. Ele sabia pouco ou nada de teoria crítica, não analisava os textos, apenas declamava longos trechos das obras e, emocionando-se, contava casos de sua vida nos quais a leitura daquela obra o tinha ajudado a viver.
Ruim? Pode ser. Mas o fato é que ele também nos dava uma vontade danada de ler os livros que trazia para a aula. Desejo que o mesmo aconteça com o cinema nas escolas de São Paulo e, quem sabe, do resto do Brasil.

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