<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
		>
<channel>
	<title>Comentários sobre: Vanguarda sem Retaguarda</title>
	<atom:link href="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/2009/11/18/vanguarda-sem-retaguarda/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://olhodevidro.sertaofilmes.com/2009/11/18/vanguarda-sem-retaguarda/</link>
	<description>Blog da Sertão Filmes, contendo discussões técnicas, e nem tão técnicas assim, sobre cinema e vídeo digital, equipamentos, filmes, etc. Afinal, como já dizia o Riobaldo, "filmar é muito perigoso..."</description>
	<lastBuildDate>Fri, 16 Jul 2010 21:35:45 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.0</generator>
	<item>
		<title>Por: Yuri Vieira</title>
		<link>http://olhodevidro.sertaofilmes.com/2009/11/18/vanguarda-sem-retaguarda/comment-page-1/#comment-383</link>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Dec 2009 16:56:07 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://olhodevidro.sertaofilmes.com/?p=377#comment-383</guid>
		<description>&quot;A ruína dos ideais clássicos fez de todos artistas possíveis, e portanto, maus artistas. Quando o critério da arte era a construção sólida, a observância cuidadosa de regras — poucos podiam tentar ser artistas, e grande parte desses são muito bons. Mas quando a arte passou de ser tida como criação, para passar a ser tida como &lt;em&gt;expressão de sentimentos&lt;/em&gt;, cada qual podia ser artista porque todos têm sentimentos.&quot; (Fernando Pessoa / Bernardo Soares, “Livro do Desassossego”, Ed. Brasiliense, pág.383)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;A ruína dos ideais clássicos fez de todos artistas possíveis, e portanto, maus artistas. Quando o critério da arte era a construção sólida, a observância cuidadosa de regras — poucos podiam tentar ser artistas, e grande parte desses são muito bons. Mas quando a arte passou de ser tida como criação, para passar a ser tida como <em>expressão de sentimentos</em>, cada qual podia ser artista porque todos têm sentimentos.&#8221; (Fernando Pessoa / Bernardo Soares, “Livro do Desassossego”, Ed. Brasiliense, pág.383)</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Yuri Vieira</title>
		<link>http://olhodevidro.sertaofilmes.com/2009/11/18/vanguarda-sem-retaguarda/comment-page-1/#comment-382</link>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 17:52:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://olhodevidro.sertaofilmes.com/?p=377#comment-382</guid>
		<description>&quot;Desconfio dos mestres que o não podem ser primários. São para mim como aqueles poetas estranhos que são incapazes de escrever como os outros. Aceito que sejam estranhos; gostara, porém, que me provassem que o são por superioridade ao normal e não por impotência dele.&quot;
(Fernando Pessoa / Bernardo Soares, &quot;Livro do Desassossego&quot;, Ed. Brasiliense, pág.385)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Desconfio dos mestres que o não podem ser primários. São para mim como aqueles poetas estranhos que são incapazes de escrever como os outros. Aceito que sejam estranhos; gostara, porém, que me provassem que o são por superioridade ao normal e não por impotência dele.&#8221;<br />
(Fernando Pessoa / Bernardo Soares, &#8220;Livro do Desassossego&#8221;, Ed. Brasiliense, pág.385)</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Olho de Vidro &#8212; blog sobre cinema e vídeo digital &#187; Vanguarda sem Retaguarda II</title>
		<link>http://olhodevidro.sertaofilmes.com/2009/11/18/vanguarda-sem-retaguarda/comment-page-1/#comment-378</link>
		<dc:creator>Olho de Vidro &#8212; blog sobre cinema e vídeo digital &#187; Vanguarda sem Retaguarda II</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 14:36:15 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://olhodevidro.sertaofilmes.com/?p=377#comment-378</guid>
		<description>[...] POST É UMA RÉPLICA AO COMENTÁRIO DO RODRIGO CÁSSIO NO MEU TEXTO &#8220;VANGUARDA SEM RETAGUARDA&#8221;.  SE NÃO OS LEU, SUGIRO [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] POST É UMA RÉPLICA AO COMENTÁRIO DO RODRIGO CÁSSIO NO MEU TEXTO &#8220;VANGUARDA SEM RETAGUARDA&#8221;.  SE NÃO OS LEU, SUGIRO [...]</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Pedro Novaes</title>
		<link>http://olhodevidro.sertaofilmes.com/2009/11/18/vanguarda-sem-retaguarda/comment-page-1/#comment-486</link>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 23:13:12 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://olhodevidro.sertaofilmes.com/?p=377#comment-486</guid>
		<description>&lt;span class=&quot;topsy_trackback_comment&quot;&gt;&lt;span class=&quot;topsy_twitter_username&quot;&gt;&lt;span class=&quot;topsy_trackback_content&quot;&gt;@revistabula Claro. Para além da vaidade, parte do problema reside nisso: http://tinyurl.com/yfeugmq. @rodrigocassio fez um ótimo comment.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p><span class="topsy_trackback_comment"><span class="topsy_twitter_username"><span class="topsy_trackback_content">@revistabula Claro. Para além da vaidade, parte do problema reside nisso: <a href="http://tinyurl.com/yfeugmq" rel="nofollow">http://tinyurl.com/yfeugmq</a>. @rodrigocassio fez um ótimo comment.</span></span></span></p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Rodrigo Cássio</title>
		<link>http://olhodevidro.sertaofilmes.com/2009/11/18/vanguarda-sem-retaguarda/comment-page-1/#comment-487</link>
		<dc:creator>Rodrigo Cássio</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 21:38:11 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://olhodevidro.sertaofilmes.com/?p=377#comment-487</guid>
		<description>&lt;span class=&quot;topsy_trackback_comment&quot;&gt;&lt;span class=&quot;topsy_twitter_username&quot;&gt;&lt;span class=&quot;topsy_trackback_content&quot;&gt;O cinema é uma experiência em que estão envolvidos os realizadores, o público e a crítica. O debate é fundamental: http://bit.ly/6AqBhP&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p><span class="topsy_trackback_comment"><span class="topsy_twitter_username"><span class="topsy_trackback_content">O cinema é uma experiência em que estão envolvidos os realizadores, o público e a crítica. O debate é fundamental: <a href="http://bit.ly/6AqBhP" rel="nofollow">http://bit.ly/6AqBhP</a></span></span></span></p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Rodrigo Cássio</title>
		<link>http://olhodevidro.sertaofilmes.com/2009/11/18/vanguarda-sem-retaguarda/comment-page-1/#comment-488</link>
		<dc:creator>Rodrigo Cássio</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 21:32:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://olhodevidro.sertaofilmes.com/?p=377#comment-488</guid>
		<description>&lt;span class=&quot;topsy_trackback_comment&quot;&gt;&lt;span class=&quot;topsy_twitter_username&quot;&gt;&lt;span class=&quot;topsy_trackback_content&quot;&gt;O @pedronovaes publicou um artigo no blog Olho de Vidro que suscita importantes questões sobre o cinema atual. http://bit.ly/6AqBhP&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p><span class="topsy_trackback_comment"><span class="topsy_twitter_username"><span class="topsy_trackback_content">O @pedronovaes publicou um artigo no blog Olho de Vidro que suscita importantes questões sobre o cinema atual. <a href="http://bit.ly/6AqBhP" rel="nofollow">http://bit.ly/6AqBhP</a></span></span></span></p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Carlos Cipriano</title>
		<link>http://olhodevidro.sertaofilmes.com/2009/11/18/vanguarda-sem-retaguarda/comment-page-1/#comment-377</link>
		<dc:creator>Carlos Cipriano</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 21:25:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://olhodevidro.sertaofilmes.com/?p=377#comment-377</guid>
		<description>Acrescento aos argumentos do Rodrigo as constantes apropriações que a indústria cinematográfica e os filmes de narrativa clássica sempre fizeram das descobertas ou inovações empreendida pelos filmes de ruptura, inovações técnicas, estruturais, de linguagem. O experimental renova o clássico, é fonte de inspiração para a construção de outras formas de percepção do cinema.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Acrescento aos argumentos do Rodrigo as constantes apropriações que a indústria cinematográfica e os filmes de narrativa clássica sempre fizeram das descobertas ou inovações empreendida pelos filmes de ruptura, inovações técnicas, estruturais, de linguagem. O experimental renova o clássico, é fonte de inspiração para a construção de outras formas de percepção do cinema.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Tweets that mention Olho de Vidro — blog sobre cinema e vídeo digital » Vanguarda sem Retaguarda -- Topsy.com</title>
		<link>http://olhodevidro.sertaofilmes.com/2009/11/18/vanguarda-sem-retaguarda/comment-page-1/#comment-376</link>
		<dc:creator>Tweets that mention Olho de Vidro — blog sobre cinema e vídeo digital » Vanguarda sem Retaguarda -- Topsy.com</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 20:13:29 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://olhodevidro.sertaofilmes.com/?p=377#comment-376</guid>
		<description>[...] This post was mentioned on Twitter by Pedro Novaes and Rodrigo Cássio, Rodrigo Cássio. Rodrigo Cássio said: O @pedronovaes publicou um artigo no blog Olho de Vidro que suscita importantes questões sobre o cinema atual. http://bit.ly/6AqBhP [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] This post was mentioned on Twitter by Pedro Novaes and Rodrigo Cássio, Rodrigo Cássio. Rodrigo Cássio said: O @pedronovaes publicou um artigo no blog Olho de Vidro que suscita importantes questões sobre o cinema atual. <a href="http://bit.ly/6AqBhP" rel="nofollow">http://bit.ly/6AqBhP</a> [...]</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Pedro Novaes</title>
		<link>http://olhodevidro.sertaofilmes.com/2009/11/18/vanguarda-sem-retaguarda/comment-page-1/#comment-375</link>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 17:18:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://olhodevidro.sertaofilmes.com/?p=377#comment-375</guid>
		<description>Obrigado pelo comentário, Rodrigo, muito mais profundo e elaborado que meu texto que o enseja. Com calma, respondo. Abração.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigado pelo comentário, Rodrigo, muito mais profundo e elaborado que meu texto que o enseja. Com calma, respondo. Abração.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Rodrigo Cássio</title>
		<link>http://olhodevidro.sertaofilmes.com/2009/11/18/vanguarda-sem-retaguarda/comment-page-1/#comment-374</link>
		<dc:creator>Rodrigo Cássio</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 16:25:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://olhodevidro.sertaofilmes.com/?p=377#comment-374</guid>
		<description>Olá Pedro Novaes, 

É sempre bom encontrar textos que refletem sobre o cinema, inclusive quando discordamos deles. A propósito, o espírito da discordância inteligente e produtiva é algo que anda raro, infelizmente. Talvez porque esse espírito tenha sido verdadeiramente forte apenas durante o cinema moderno, ou nos circuitos fechados da vanguarda. 

Penso que o artigo extrai algumas conclusões impróprias de premissas que deveriam ser melhor debatidas, e gostaria de comentar sobre isso. Tratando-se de um texto que emite juízo de valor estético, há uma concepção de arte que fica velada, servindo-lhe de fundamento; ou seja, há uma predeterminação do bom e do mau filme, mas que não é posta em xeque nunca. Talvez essa ausência de uma análise dos próprios filmes seja o que simplifica, no texto, o significado do cinema clássico e do moderno, simplificando também as relações entre eles na era contemporânea. Sobretudo na parte final do artigo, isso me incomodou. 

Ainda que, na primeira frase do parágrafo final, o texto tenha a precaução de não condenar o experimentalismo tout court, é patente a indisposição para com essa vertente, sintetizada nas cobranças por um aprimoramento técnico, ou na afirmação de que um gesto vanguardista, no Brasil, deveria ser posterior a algum tipo de profissionalização do cinema que consolidasse o alvo a ser contraposto por ele (o que pergunto é: qual a concepção de cinema que está por trás dessas cobranças? Afirmar a importância do aprimoramento técnico já é um ato que inibe alternativas diferentes. Não é possível defender certas práticas sem cunhar um significado do cinema.). 

Quando é dito, então, que o experimentalismo é uma desculpa para que sejam feitos filmes ruins, essa tese carece de demonstração. Até mesmo se considerássemos, imprudentemente, que o conceito de filme ruim é algo muito claro e evidente, a discussão se tornaria estéril por causa da duvidosa assertiva sobre a intenção vanguardista dos cineastas. Seriam eles pessoas más intencionadas, que levantam referências cinematográficas apenas como desculpa? Ou seriam preguiçosos arrogantes?. O cinema de ruptura (moderno/vanguarda) será mesmo esse vulto que paira sobre os cineastas atuais, prejudicando a todos? Não creio. 

Do fato de que muitos filmes, ditos experimentais, possam ser considerados ruins, não resulta que o flerte dos cineastas com essa tradição é o que realmente deva ser questionado. Existem filmes ruins tanto do lado do cinema de origem clássica quanto do lado das rupturas! Ao contrário do que sugere o texto, não vejo o acesso ao cinema de ruptura como uma etapa que só é conseguida depois que os cineastas aprendem a fazer filmes, como em Hollywood. Nessa tese, há o deslocamento equivocado de um problema de formação estética e de construção da sensibilidade (problema do qual o artigo desdenha) para o domínio da realização. 

Não é necessário dominar a técnica do cinema narrativo dramático para ser um Júlio Bressane (você conseguiria imaginar Bressane filmando um filme clássico? rs Aposto que ele simplesmente não seria capaz). A imensa maioria dos cineastas modernos e de vanguarda nunca realizou filmes clássicos. Todavia, a maioria destes mesmos cineastas foram ou são cinéfilos vorazes e pensadores do cinema. Apenas isso nos força a admitir que a formação dos cineastas (e também do público) não é uma falsa questão, e merece ser vista com outro olhar. Não é a inexistência de um cinema narrativo de características clássicas, localmente, que faz com que os nossos filmes pretensamente modernos sejam ruins, mas sim a inexistência de um ambiente no qual o gesto moderno de ruptura seja tomado em seu verdadeiro sentido e amplitude. Falta discutir e entender melhor o cinema, e não fazer mais filmes. 

Nesse aspecto, o seu artigo já mostra que a assimilação das rupturas é um tanto quanto turva, hoje (o que não exclui que a assimilação do cinema clássico, em geral, também é deficitária; mas não necessariamente na prática). Entender que o princípio glauberiano da câmera na mão e uma ideia na cabeça foi sobretudo um lance de marketing é desprezar exatamente o que Glauber tem de mais importante para nos dizer. Afirmar que a vanguarda é uma moda, seja em suas diversas vertentes do século XX ou em seus legatários atuais, é dissimular o que é a vanguarda, a fundo, e qual a sua importância para o cinema (o termo MODA, aqui, chegaria a ser ofensivo para certos vanguardistas!rs). Na mesma linha, o ataque do artigo a um esquerdismo questionador de Hollywood é gratuito. A teoria crítica do cinema hollywoodiano é muito mais avançada do que supõe essa rejeição ideológica tão em voga, disseminada por certo neoconservadorismo, e que, na verdade, não faz nem cócegas nos teóricos de esquerda sérios, que existem inclusive no Brasil. 

Por fim, eu concordo que experimentar não significa deixar de lado o apuro técnico e o planejamento. Mas acrescento que exigir apuro técnico, enfatizar os bons roteiros e insuflar o planejamento meticuloso que resulta na boa imagem são gestos que estabelecem, necessariamente, um tipo determinado de cinema e de gosto como os merecedores da nossa maior atenção. Em arte, sobretudo na era (pós) industrial, não há defesa de meios ou de estéticas que não acarrete marginalizações. E, com isso, o risco de passar por cima do cinema de ruptura, ignorando o que ele pode nos ensinar, é muito grande. Penso que o seu texto cedeu a esse risco, e por isso escrevo. 

Saudações, 
Rodrigo Cássio 
( http://vistoseescritos.wordprerss.com )</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Olá Pedro Novaes, </p>
<p>É sempre bom encontrar textos que refletem sobre o cinema, inclusive quando discordamos deles. A propósito, o espírito da discordância inteligente e produtiva é algo que anda raro, infelizmente. Talvez porque esse espírito tenha sido verdadeiramente forte apenas durante o cinema moderno, ou nos circuitos fechados da vanguarda. </p>
<p>Penso que o artigo extrai algumas conclusões impróprias de premissas que deveriam ser melhor debatidas, e gostaria de comentar sobre isso. Tratando-se de um texto que emite juízo de valor estético, há uma concepção de arte que fica velada, servindo-lhe de fundamento; ou seja, há uma predeterminação do bom e do mau filme, mas que não é posta em xeque nunca. Talvez essa ausência de uma análise dos próprios filmes seja o que simplifica, no texto, o significado do cinema clássico e do moderno, simplificando também as relações entre eles na era contemporânea. Sobretudo na parte final do artigo, isso me incomodou. </p>
<p>Ainda que, na primeira frase do parágrafo final, o texto tenha a precaução de não condenar o experimentalismo tout court, é patente a indisposição para com essa vertente, sintetizada nas cobranças por um aprimoramento técnico, ou na afirmação de que um gesto vanguardista, no Brasil, deveria ser posterior a algum tipo de profissionalização do cinema que consolidasse o alvo a ser contraposto por ele (o que pergunto é: qual a concepção de cinema que está por trás dessas cobranças? Afirmar a importância do aprimoramento técnico já é um ato que inibe alternativas diferentes. Não é possível defender certas práticas sem cunhar um significado do cinema.). </p>
<p>Quando é dito, então, que o experimentalismo é uma desculpa para que sejam feitos filmes ruins, essa tese carece de demonstração. Até mesmo se considerássemos, imprudentemente, que o conceito de filme ruim é algo muito claro e evidente, a discussão se tornaria estéril por causa da duvidosa assertiva sobre a intenção vanguardista dos cineastas. Seriam eles pessoas más intencionadas, que levantam referências cinematográficas apenas como desculpa? Ou seriam preguiçosos arrogantes?. O cinema de ruptura (moderno/vanguarda) será mesmo esse vulto que paira sobre os cineastas atuais, prejudicando a todos? Não creio. </p>
<p>Do fato de que muitos filmes, ditos experimentais, possam ser considerados ruins, não resulta que o flerte dos cineastas com essa tradição é o que realmente deva ser questionado. Existem filmes ruins tanto do lado do cinema de origem clássica quanto do lado das rupturas! Ao contrário do que sugere o texto, não vejo o acesso ao cinema de ruptura como uma etapa que só é conseguida depois que os cineastas aprendem a fazer filmes, como em Hollywood. Nessa tese, há o deslocamento equivocado de um problema de formação estética e de construção da sensibilidade (problema do qual o artigo desdenha) para o domínio da realização. </p>
<p>Não é necessário dominar a técnica do cinema narrativo dramático para ser um Júlio Bressane (você conseguiria imaginar Bressane filmando um filme clássico? rs Aposto que ele simplesmente não seria capaz). A imensa maioria dos cineastas modernos e de vanguarda nunca realizou filmes clássicos. Todavia, a maioria destes mesmos cineastas foram ou são cinéfilos vorazes e pensadores do cinema. Apenas isso nos força a admitir que a formação dos cineastas (e também do público) não é uma falsa questão, e merece ser vista com outro olhar. Não é a inexistência de um cinema narrativo de características clássicas, localmente, que faz com que os nossos filmes pretensamente modernos sejam ruins, mas sim a inexistência de um ambiente no qual o gesto moderno de ruptura seja tomado em seu verdadeiro sentido e amplitude. Falta discutir e entender melhor o cinema, e não fazer mais filmes. </p>
<p>Nesse aspecto, o seu artigo já mostra que a assimilação das rupturas é um tanto quanto turva, hoje (o que não exclui que a assimilação do cinema clássico, em geral, também é deficitária; mas não necessariamente na prática). Entender que o princípio glauberiano da câmera na mão e uma ideia na cabeça foi sobretudo um lance de marketing é desprezar exatamente o que Glauber tem de mais importante para nos dizer. Afirmar que a vanguarda é uma moda, seja em suas diversas vertentes do século XX ou em seus legatários atuais, é dissimular o que é a vanguarda, a fundo, e qual a sua importância para o cinema (o termo MODA, aqui, chegaria a ser ofensivo para certos vanguardistas!rs). Na mesma linha, o ataque do artigo a um esquerdismo questionador de Hollywood é gratuito. A teoria crítica do cinema hollywoodiano é muito mais avançada do que supõe essa rejeição ideológica tão em voga, disseminada por certo neoconservadorismo, e que, na verdade, não faz nem cócegas nos teóricos de esquerda sérios, que existem inclusive no Brasil. </p>
<p>Por fim, eu concordo que experimentar não significa deixar de lado o apuro técnico e o planejamento. Mas acrescento que exigir apuro técnico, enfatizar os bons roteiros e insuflar o planejamento meticuloso que resulta na boa imagem são gestos que estabelecem, necessariamente, um tipo determinado de cinema e de gosto como os merecedores da nossa maior atenção. Em arte, sobretudo na era (pós) industrial, não há defesa de meios ou de estéticas que não acarrete marginalizações. E, com isso, o risco de passar por cima do cinema de ruptura, ignorando o que ele pode nos ensinar, é muito grande. Penso que o seu texto cedeu a esse risco, e por isso escrevo. </p>
<p>Saudações,<br />
Rodrigo Cássio<br />
( <a href="http://vistoseescritos.wordprerss.com" rel="nofollow">http://vistoseescritos.wordprerss.com</a> )</p>
]]></content:encoded>
	</item>
</channel>
</rss>

<!-- Dynamic Page Served (once) in 0.694 seconds -->
