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Sobre a extinção da Embrafilme
Posted By Yuri Vieira On maio 27, 2010 @ 1:04 pm In Política Cultural | No Comments
Ipojuca Pontes, cineasta e ex-Secretário Nacional da Cultura, comenta abaixo a extinção da Embrafilme.
(Fonte: MSM [1].)
«Quem sancionou a extinção da Embrafilme (e mais oito empresas estatais, entre elas, o IBC), em 12 de abril de 1990, foi o Congresso Nacional que aprovou, in totum, o Decreto 8.029 enviado pelo novo governo. Nelson Carneiro, presidente do Congresso, e demais parlamentares, inclusive os da ruidosa oposição, poderiam ter embargado a sua aprovação – mas não o fizeram. E por quê?
«Pelo odor pútrido que a estatal do cinema exalava. De fato, a Embrafilme, empresa criada durante a vigência do AI-5, além de deficitária e inepta, tornou-se, sob a égide da patota do Cinema Novo, um instrumento de “corrupção, politicalha e privilégios” – conforme expressa a abrangente Pesquisa de Opinião publicada em 1980 pela Agência Razões & Motivos, de São Paulo, encomendada, ironicamente, pela estatal do cinema. Para a população brasileira consultada, a Embrafilme deveria ser fechada com urgência e os seus dirigentes devidamente responsabilizados.
«O próprio Glauber Rocha, um dos beneficiários do esquema embrafilmico, assim se manifestou, em carta destinada à “Celsinho” Amorim, então diretor-geral da empresa (tido como traidor e mais tarde expulso do cargo pelos militares): “Proponho para Embrafilme medidas regueanas (queria se referir as “reaganomics”, iniciativas de política econômica de Ronald Reagan, presidente do USA, que tratavam de privatizações, desregulamentação e corte de impostos) de desestatização. Sou favorável, aliás, à desestatização de todo aparato cultural: Funarte, INL, SNT, etc…”.
«Caetano Veloso, por não procurar as fontes primárias, algo fundamental para quem pretende questionar os fatos, acha, como os seus pares, que o cinema brasileiro era só o da patota do CN e ignora que nos dois anos de Collor foram produzidos, sem a grana do governo, 105 filmes de longa-metragem (dado, por exemplo, que o criterioso pesquisador Antonio Leão da Silva Neto, depois de consultar produtoras, distribuidores, realizadores e arquivos oficiais, registra no seu bem documentado “Dicionário de Filmes Brasileiros”, edição de 2002).
«O então fechamento da Embrafilme resultou de uma política desestatizante de governo, a melhor já traçada no País em todo século, infelizmente malograda pela incompetência de Collor e a ação incessante da aparelhagem comunista que não pode viver sem sugar as tetas do Estado – razão de ser da permanente esculhambação nacional.
«De minha parte, digo e repito: foi uma honra ter participado da batalha pela extinção da Embrafilme. O que não impediu, infelizmente, do cinema brasileiro ser hoje uma atividade inteiramente dominada pelo “Estado Forte” de Lula (ou, no futuro, de Dilma ou Zé Serra, pouco importa) a serviço da nomenclatura comunista – um ônus a mais para o bolso do infeliz trabalhador contribuinte que se enverga como louco para sustentar o parasitismo de escol de gente como Cacá Diegues e aliados. (Aqui, convém lembrar que Cacá, cujo pai, Manuel Diegues Jr., dirigia o Departamento Cultural do MEC – órgão ao qual a Embrafilme estava subordinada no tempo da “sangrenta ditadura dos militares” -. não tinha o menor pudor em sacar rios de dinheiro da estatal do cinema para fazer seus “miuras” cerebrinos).»
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