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Arquivo de setembro de 2010

Ritos de Passagem do Cinema Goiano

O Rodrigo Cássio e eu, fomos convidados pela UFG, através do Lisandro Nogueira, para assumir a curadoria da Mostra “Cinema Feito em Goiás”, que começou no dia 01/09 e se encerra amanhã. A propósito disso, publicamos hoje um artigo a quatro mãos no jornal “O Popular”, que segue reproduzido abaixo.

Ritos de passagem do cinema goiano

Rodrigo Cássio e Pedro Novaes

Toda seleção de filmes é produto de critérios. A Mostra Cinema Feito em Goiás, em cartaz no Cine UFG, até 10 de setembro, anuncia o critério da sua seleção já em sua proposta: evidenciar os filmes mais relevantes produzidos em Goiás nos últimos anos. Muito pode ser dito sobre a dimensão ampla desse objetivo. Quantos goianos conhecem o cinema que tem sido feito no Estado? O que se pode falar sobre ele a partir do conjunto de filmes exibidos no Cine UFG?

Para essas duas perguntas, a existência de um critério de qualidade é também uma provocação aos que se interessam pelo tema, e talvez se surpreendam com o fato de que Goiás possui bons filmes. Ao mesmo tempo, estes bons filmes da Mostra (e há outros que ficaram de fora), sugerem tanto os potenciais quanto as fraquezas de uma produção detida em um contexto desfavorável. Por um lado, há condições inadequadas de realização das obras. Por outro, há uma deficiente recepção e circulação delas, a tal ponto que a maioria do público goiano sequer toma conhecimento dos filmes mais relevantes.

Por isso, de um ponto de vista da qualidade, é melhor falar sobre o que os filmes da Mostra evitaram. Melhor falar sobre o que eles “não são”, e, com isso, abordar características que têm impedido o cinema de Goiás a crescer e comprometido a sua identidade.

O aspecto que talvez mais se destaca, entre vários, é que os filmes da Mostra Cinema Feito em Goiás não se furtam de discutir temas recorrentes na produção como um todo. Porém, almejam uma singularidade na maneira como realizam essa discussão. Passageiros da Segunda Classe, Mudernage, Recordações de um Presídio de Meninos ou Número Zero investigam a nossa realidade mais próxima, como a presença de crianças de rua em Goiânia ou o fechamento do hospital Adauto Botelho. Diferentes de inúmeros filmes com o foco sobre Goiás, eles são também propostas de linguagem cinematográfica, conscientes de que discursam por meio de imagens. Leia mais

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