Sertão Filmes

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Arquivo de março de 2011

Do Lado de Lá do Rio da Prata

Artigo Publicado originalmente no Jornal Opção.

Há sempre muita briga quando se compara o cinema argentino ao cinema brasileiro – gente argumentando por uma suposta superioridade do cinema ao sul do Rio da Prata, gente se batendo pela solidez de nossa produção, que em nada ficaria a dever à deles.

A despeito da polêmica, é evidente que a Argentina possui uma produção farta e diversa de altíssima qualidade no campo da ficção. Curiosamente, sua cinematografia documental ainda permanece em larga medida desconhecida no Brasil.

Eles por lá têm também suas próprias polêmicas, e o incensado Juan José Campanella, diretor do oscarizado “O Segredo dos Seus Olhos”, é um dos principais focos desses atritos; premiado e bem sucedido comercialmente, polemiza com muitos de seus pares ao defender a necessidade de um olhar mais comercial sobre o cinema, atacando a grande parcela da produção argentina que, como no Brasil, se financia com recursos públicos e gera pouco interesse nas platéias.

Passando ao largo da briga, Campanella é roteirista e diretor de melodramas sensíveis e inteligentes – característica que, a meu ver, une muitos dos melhores diretores do cinema recente argentino.

Além de Campanella, nomes como Carlos Sorín, Pablo Trapero, Daniel Burman, Lucía Puenzo, Marcelo Piñeyro, Adolfo Aristarain e Eduardo Mignogna, entre outros, guardadas suas peculiaridades e estilos em alguns casos radicalmente diferentes, têm em comum filmes de estrutura melodramática, que fogem porém do moralismo, do maniqueísmo e das emoções fáceis. Todos eles em algum momento dirigiram dramas humanos quase sempre singelos baseados em personagens construídos com complexidade, não raro retratando pessoas comuns e fatos cotidianos; filmes quase sempre calcados em grandes atuações que envolvem temas recorrentes como a família, a velhice e o desemprego, e outros delicados, como hermafroditismo ou a máfia de seguros no sistema de saúde.
Entre os melodramas de Campanella se destacam sobretudo o premiado “O Segredo dos Seus Olhos” e o também conhecido “O Filho da Noiva”. Apesar de considerá-los grandes filmes, é Carlos Sorin, entretanto, meu cineasta argentino favorito. Quase todos os seus filmes têm como cenário as paisagens monumentais da Patagônia. Nos quadros amplos e nos planos longos e silenciosos, aparecem anti-heróis simples e ingênuos – grande parte das vezes representados por não-atores – como o Juan Villegas de “O Cachorro” (veja o trailer acima) ou a Maria Flores e o Don Justo de “Histórias Mínimas”.

Pablo Trapero é um dos cineastas jovens argentinos mais conhecidos e premiados. “Abutres”, seu trabalho mais recente, foi parte da seleção oficial de Cannes em 2010. É um excelente thriller com um pano de fundo de crítica social, mas seu primeiro filme – “Mundo Grua” – segue sendo sua melhor realização. Rodado em preto e branco, o filme conta a história de Rulo, um desempregado que tenta conseguir trabalho como operador de gruas numa obra.

Para não ficarmos só no melodrama, cabe encerrar com a também conhecida Lucrecia Martel, cujo longa de estréia “O Pântano” é um retrato perturbador de uma família provinciana no nordeste da Argentina. Distantes da estrutura de um cinema clássico narrativo, a seus filmes não interessa a causalidade dos fatos, mas a própria tessitura da vida, onde certas ações não levam a nada, onde o acaso tem papel predominante e onde as coisas não fazem mesmo muito sentido. Seus outros dois longas: “A Menina Santa” e a “Mulher sem Cabeça” trilham caminhos semelhantes e são também muito perturbadores.

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Produção Indepentende de Verdade

Julie, Agosto, Setembro – Teaser from Pedro Novaes on Vimeo.

Em todos os lugares, no Brasil e fora, onde houve uma renovação importante da produção de cinema, com filmes que chamaram a atenção da mídia e do público, quase sempre existia uma escola de cinema que, de alguma forma, propiciava o ambiente para que grupos de aspirantes a cineastas e cineastas já experientes interagissem. Dessa mistura, alimentada por debates acadêmicos, pela discussão de filmes e por aprendizado técnico, é que começaram a aparecer filmes novos e de frescor inusitado em lugares como Recife, Porto Alegre e Buenos Aires.

Não sabemos se algo que chame a atenção do país em termos de cinema surgirá aqui em Goiás em algum momento no futuro próximo. Mas o fato é que a mera existência de um curso superior de graduação em Audiovisual, na Universidade Estadual de Goiás, com todos os seus problemas de estrutura, já começa a mudar a cara do que se faz por aqui – sem demérito dos demais realizadores que, de várias maneiras, têm interagido com os alunos daquela instituição e contribuído para o caldo que devagar se forma ali.

A primeira turma se graduou no ano passado e vários talentos já começam a despontar. Alguns deles se juntaram para a realização do curta “Julie, Agosto, Setembro”, que tive o prazer de editar e que será lançado no dia 14 de março, às 20 horas, no Cine Cultura.

O filme foi produzido absolutamente sem recursos, a partir da colaboração voluntária de toda a equipe e dos esforços da Panaceia Filmes e da Tá na Lata Filmes.

Com roteiro e direção de Jarleo Barbosa, direção de arte de Benedito Ferreira e fotografado por Emerson Maia com uma Canon 5D, o curta, com cerca de oito minutos de duração, conta a história da adaptação de uma jovem suíça a Goiânia.

O resultado ficou muito bom.

JULIE, AGOSTO, SETEMBRO
Roteiro e Direção: Jarleo Barbosa
Direção de Arte: Benedito Ferreira
Direção de Fotografia: Emerson Maia
Produção: Larissa Fernandes
Edição: Pedro Novaes
Edição de Som: Thais Oliveira
Trilha Sonora: Victor L. Pontes
Música Tema: Folk Heart

 

 

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Como falar de si mesmo com credibilidade

Institucional Grupo Tecnomont/Sigma from Pedro Novaes on Vimeo.


Direção e roteiro: Pedro Novaes
Produção: Sambatango Filmes
Fotografia: Vinícius Aguiar/André Montelo
Direção de Arte: Benedito Ferreira
Edição e Gráficos: Ronei Batista
3D: Fred Brown

Fazer vídeos institucionais interessantes é um enorme desafio, mas de vez em quando a gente acerta a mão.

Em primeiro lugar, como fazer algo que chame a atenção e que minimamente desperte interesse, quando se está falando de coisas como engenharia, fábricas, serviços, indústrias, vendas? Todas coisas aparentemente sem muito apelo estético ou emocional.

Segundo, como fazer com que uma empresa falando de si mesma numa linguagem necessariamente documental transmita credibilidade?

Minha resposta parcial, e acho que ela encontra suporte no institucional acima do Grupo Tecnomont Sigma, está em dois caminhos associados: primeiro, em buscar histórias, exemplos vivos, que atestem o que se fala sobre as qualidades da empresa. Não adianta simplesmente afirmar nada: conte uma boa história e quem assiste irá tirar sozinho suas conclusões. Segundo, dar rosto humano à empresa. E isso não significa botar recepcionistas sorridentes em planos com travelings suaves, mas colocar as pessoas para falarem de fato e com espontaneidade – gaguejando muitas vezes, que seja – , sem olhar para a câmera, dando depoimentos ancorados em sua vivência e sua experiência, que ajudem a contar as histórias acima e demonstrar de forma crível que a empresa de fato é aquilo tudo que se está dizendo.

Isso não é fácil e nem sempre possível porque toma tempo e dá trabalho, mas o resultado é palpável. Imagine as mesmas coisas afirmadas nesse vídeo, ditas apenas por um locutor. Ficaria um vídeo muito chato e com zero de credibilidade.

Obter conteúdo assim só é possível com uma empresa disposta a investir, primeiro, na elaboração dedicada de um roteiro – eu conheci as obras, conversei com as pessoas, pude garimpar as histórias que no final compõem o vídeo -, segundo, confiar em nossa capacidade e investir também na produção.

Por fim, resulta também de uma produtora, a Sambatango Filmes, que também investe para entregar mais do que o prometido, sem economizar recursos para obter o melhor resultado possível.

 

 

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