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ESPELHO (2007) - curta-metragem
Nossa, que engraçado, só agora notei que ainda não havia publicado aqui o ESPELHO, curta-metragem que escrevi e que dirigi em parceria com Cássia Queiroz. Até que é uma boa hora, uma vez que ele já foi assistido 6642 vezes no You Tube (a versão legendada em inglês foi vista 1212 vezes), sendo ainda, entre 16200 curtas, o segundo resultado, em ordem de relevância, quando se busca “curta-metragem”.
A ficha técnica e demais informações seguem logo abaixo.
“Uma platéia de cinema se surpreende ao ver-se diante de um filme que não mostra outra coisa senão… uma platéia de cinema! Por quanto tempo essas pessoas conseguirão resistir à própria reflexão?”
ATENÇÃO: Este filme foi feito tendo em vista sua apresentação em festivais de cinema. Aqui no You Tube, vc poderá dar boas risadas, mas não verá algo — a não ser com um pequeno esforço de imaginação — que realmente vale a pena: o desconforto e/ou surpresa da platéia real diante de uma platéia virtual que supostamente a assiste. Num cinema, certas reações são realmente muito engraçadas e merecem ser descritas numa outra oportunidade. Ao sentar na platéia, vc abdica do controle e, se o filme for ruim, não pode parar a projeção quando bem entender e muito menos abandonar a sala tão facilmente, afinal, dá um certo trabalho pisar nos pés dos vizinhos de poltrona. Este filme é uma espécie de armadilha em festivais, principalmente quando o filme anterior é chato…
(Não deixe de assistir aos erros de gravação durante os créditos.)
Recebeu o PRÊMIO DE MELHOR DIREÇÃO em CURTA-METRAGEM no III FestCine Goiânia 2007, com juri formado por Neuza Borges, Cecil Thiré, Germano Pereira, Guilherme de Almeida Prado, Telma Reston e Anselmo Pessoa Neto.
SELECIONADO PARA O CINEME-SE 2008 - Festival da Experiência do Cinema (SANTOS-SP).
Imprimir | Sem comentáriosMini 35 P + S
Antes de mais nada, as escusas pela falta de manutenção do blog. Está difícil tirar tempo pra escrever, mas esperamos, em breve, sobretudo convidando mais colaboradores, que ele seja atualizado com maior regularidade.
O Gustavo Seabra, leitor do blog, perguntou num comentário a respeito de adaptadores de lentes de câmeras de cinema para câmeras de vídeo. É uma técnica interessante, que já vi em ação, e que realmente colabora muito para dar um look de cinema às imagens gravadas digitalmente, sobretudo por reduzir a profundidade de campo infinita do vídeo derivada principalmente do diminuto tamanho do CCD (1/2 polegada ou cerca de 12,5 mm, os maiores), em comparação com negativo, que tem 35 mm.
Há uma relação direta e fixa entre o tamanho do plano de imageamento (o filme ou o CCD) e a profundidade de campo que se obtém. Na verdade, há dois fatores interrelacionados que determinam esta profundidade: o tamanho do plano de imageamento e a distância focal da lente usada. São estes dois elementos que, por sua vez, determinam o ângulo de visão e , por esta via, a profundidade de campo.
Sintetizando, um plano de imageamento maior permite profundidades de campo menores sob uma mesma abertura de diafragma e distância focal igual. Daí resulta, em grande parte, o efeito dramático e estético superior das imagens em filme.
Este tipo de adaptador mencionado pelo Gustavo é produzido pela P + S Technik (não sei se há outros fabricantes) e presta um duplo serviço ao cineasta digital: 1) permite o uso de diferentes lentes de qualidade superior e distâncias focais variáveis em câmeras digitais que, via de regra, possuem lentes fixas e de distância focal limitada; 2) aumentam o plano de imageamento, produzindo uma profundidade de campo cinemática.
O adaptador, chamado “Mini 35″, é encaixado na frente da lente da câmera e, diante dele, encaixa-se a lente profissional desejada. A imagem captada pela lente profissional é projetada sobre uma placa de acrílico ou material semelhante, que passa a ser o plano de imageamento primário, de onde é captada pela lente fixa da câmera digital. O resultado é uma nova relação de profundidade de campo e imagens captadas por lentes de qualidade em geral muito superior.
O efeito é realmente sensacional. O custo não é, entretanto, dos mais acessíveis, mas evidentemente fica muito menor do que o de uma câmera 35 mm. O resultado vale à pena, caso se disponha de um pouco mais de recursos para o trabalho. No Brasil, sei que a Cine Locações de Brasília possui o equipamento e o utiliza em geral acoplado a uma HVX 200.
Imprimir | 4 comentáriosComo dar cara de cinema a seu filme digital?
Há uma série de questões que devem ser observadas por quem quer dar aquele look de cinema a um filme gravado em vídeo digital. Ainda que haja bastante material sobre isso disponível, muitos dos cineastas digitais continuam incorrendo em erros e problemas.
A primeira destas questões é saber que, por mais que você se esforce, seu filme não terá a mesma cara que teria se fosse realmente filmado em película. Mas a boa notícia é que pode ficar muito legal e exibir um visual tremendamente atraente e sexy, se você der os passos certos.
Antes de mais nada, é preciso planejar. Este impacto visual não decorre simplesmente de gravar a 24 quadros por segundo, nem de alguns presets de câmera com nomes equivocados. Um visual de cinema depende sobretudo de um adequado entendimento de do encadeamento e relacionamento entre as várias fases de produção. Ele depende sobretudo de gravar do modo certo PARA QUE a finalização possa ser feita em condições ideais.
Com “finalização” quero dizer aquilo que é feito sobre o material audiovisual depois da edição de imagens, isto é, seu tratamento através de softwares adequados para a correção de cores, buscando o equilíbrio dentro de cada cena e entre as várias cenas de seu filme, bem como um visual que transmita determinadas sensações e emoções ao espectador. Dependendo do filme, isso pode significar buscar cenas com alto contraste de cores ou o reverso disso, cenas com pouco constraste; pode implicar também em privilegiar certas tonalidades, fazendo-as sobressair em relação às demais. Pode ser, quem sabe, por outro lado, puxar todas ou muitas das cenas em direção a certos tons, como o verde da Matrix, etc, etc.
Ponto essencial número um: cara de filme depende também da forma como as imagens são captadas, mas não há como obter este visual de forma satisfatória sem tratamento de imagens na pós-produção (nem mesmo para filmes em película, que dirá para imagens em vídeo). Leia mais
Imprimir | 4 comentáriosO Básico do Vídeo Digital
Um ótimo manual básico, cobrindo vários aspectos e todas as etapas de produção de material audiovisual digital é o “The Essential Digital Video Handbook”, escrito por Pete May, que aliás tem um site com informações e materiais úteis. Pode ser adquirido também através da Livraria Cultura.
Imprimir | Sem comentáriosManuais do Cineasta Digital
Ainda no espírito rebelde, nosso amigo Stu Maschwitz, autor do DV Rebel’s Guide, apresenta sua lista de livros obrigatórios para o profissional de cinema digital. Além do próprio Guia do Rebelde, ela inclui:
- Sound for Digital Video, de Tomlinson Holman;
- Adobe After Effects 7.0 Studio Techniques, de Mark Christiansen;
- In the Blink of an Eye, o clássico do mestre da montagem Walter Murch;
- Directing Actors: Creating Memorable Performances for Film & Television, de Judith Weston;
- Rebel Without a Crew: or How a 23-year-old filmmaker with $7,000 became a Hollywood player, o relato pessoal de Robert Rodriguez sobre a produção de “El Mariacchi”.
Para acessar a lista completa no site da Amazon, clique aqui.
Imprimir | Sem comentáriosImagens sem compressão numa DVX100?
No topo da lista de invenções interessantes e sobretudo no espírito de extrair o máximo da tecnologia disponível figura o Andromeda. Esses camaradas da Reel Stream simplesmente abrem uma Cãmera DVX100 e, com algumas intervenções, possibilitam a gravação de imagens sem compressão com até 1540 X 990 linhas de resolução (direto para um disco rígido evidentemente, mas ao mesmo tempo em que se pode continuar gravando imagens SD para um fita DV normalmente). Se você não se importa de perder a garantia da sua DVX100 e tem 2.500 dólares para investir, pode ser uma opção a ser considerada.
Imprimir | Sem comentáriosFórum do Rebelde Digital
O rebelde digital, conforme o espírito do livro “The DV Rebel´s Guide”, já tem também seu próprio fórum virtual. É o Rebel´s Café, que consta dos links aí ao lado, moderado pelo próprio autor, Stu Maschwitz. A arena é aberta a todo o tipo de dicussão e Stu se compromete a responder às questões especificamente relacionadas a pontos do livro.
Imprimir | 3 comentáriosO Espírito Rebelde
Uma recente publicação imperdível para quem deseja extrair o máximo da tecnologia disponível e aprender um bocado de atalhos e segredos para produzir filmes em vídeo digital com cara de cinema, para produzir efeitos visuais fantásticos com baixíssimo custo e para fazer vídeos em geral com alta qualidade e orçamentos pequenos é o “DV Rebel’s Guide”. Seu autor, Stu Maschwitz, trabalhou durante vários anos na Industrial Light & Magic e hoje é sócio da The Orphanage, uma produtora de comerciais e efeitos visuais em San Francisco.
Apesar de seu foco principal serem filmes de ação, é um manual obrigatório para todo diretor e produtor antenado de cinema e vídeo. Também disponível através da Livraria Cultura.
Imprimir | 1 comentárioDogmas da Tecnologia
Não há nada que me irrite mais nas pessoas que trabalham com vídeo e TV – muitos de meus queridos colegas entre estes – do que sua capacidade para repetir coisas que ouviram sem saber se estão certas, para afirmar peremptoriamente coisas que não sabem e para reafirmar dogmas estúpidos.
Trabalhamos em uma área que usa e faz avançar a mais avançada tecnologia de ponta e isso traz dois complicadores que sempre é preciso não ignorar: 1) é complicado pra cacete entender realmente a fundo nossas ferramentas de trabalho e 2) a indústria que as produz fará tudo para que consumamos rapidamente a nova geração de equipamentos e o maior número possível deles, não importando se isso é ou não o mais adequado para as nossas finalidades do momento.
Antes que me entendam errado, um DISCLAIMER: eu não acho que a Sony, a JVC, a Panasonic, a Microsoft e a Apple sejam grandes corporações malvadas. Eu as acho ótimas. São elas que produzem as ferramentas maravilhosas que me permitem fazer o que eu gosto a preços cada vez menores e com maior qualidade. Por outro lado, não sou ingênuo de achar que meus interesses e os destas empresas são totalmente convergentes. E acho que muitos dos profissionais da área, até por seu fascínio com as novas tecnologias, acabam adotando ferramentas, formatos e processos que não refletem a melhor relação de custo/benefício para seus objetivos específicos porque simplesmente se acomodam e aceitam o que o primeiro vendedor ou comprador de um equipamento dizem.
O resultado disso hoje, grosso modo, são dois universos paralelos de produção de vídeo e cinema em formatos digitais, especialmente no Brasil: um universo de grandes produtoras com equipamentos muito caros, em grande parte de ponta - seu capital em equipamentos gira na casa das centenas de milhares de reais ou milhões – e um universo de pequenas produtoras com capital abaixo dos cem mil reais, quando não da casa dos dez mil reais. Curiosamente, entretanto, este capital investido não tem qualquer relação direta com a qualidade dos produtos finais. Há muitas coisas boas e muita porcaria produzida por grandes produtoras – e não estou falando apenas de conteúdo, mas de qualidade técnica mesmo – e muitas coisas boas produzidas por pequenas empresas, bem como uma quantidade cem vezes maior de lixo.
Nem tudo o que é ruim evidentemente tem origem numa compreensão e uso inadequado das ferramentas tecnológicas à nossa disposição, mas eu diria que, no geral, predomina uma compreensão inadequada ou, no mínimo, incompleta destas ferramentas, do melhor modo de usá-las e de seu potencial para o bom e para o ruim. Há também, é claro, muitos equívocos no entendimento do processo de produção como um todo de material audiovisual e na relação entre as várias etapas deste processo. Entre eles, muitos problemas na criação e na roteirização, sem que necessariamente sejam um problema de “falta de criatividade” ou de idéias boas. Grandes idéias sem um processo adequado de desenvolvimento, sem produção adequada e sem muita disciplina e organização não significam nada em cinema. “Não importa o tema, mas o método”, já disse um dia o grande mestre Glauber Rocha.
Em síntese, a verdade que parece escapar a grande parte de meus colegas é a de que há espaço para produções de alto valor agregado, com estupendo impacto pela qualidade de áudio e imagem, sem que necessariamente se tenha acesso a orçamentos na casa dos milhões e a equipamentos de alta definição ou a telecines que trabalham em tempo real. Mas para isso é preciso não ceder a modismos e não aceitar como verdade algo que o colega afirma só porque ele conhece mais atalhos de teclado no Final Cut do que você. Leia, estude, pesquise. A Internet é uma ferramenta maravilhosa contra os repetidores de dogmas burros. Está tudo aqui. Basta digitar algumas palavras no Google.
Entre os dois universos descritos acima há espaço, trabalhando com equipamentos relativamente modestos e softwares que podem ser usados no PC de casa, para produzir coisas com uma qualidade comparável à de produtoras que trabalham com equipamentos muitos mais caros. É claro que você não trabalhará para um filme de Hollywood, mas investindo em conhecimento e em extrair o máximo dos equipamentos cada vez mais baratos à disposição, logo logo poderá chamar a atenção de produções que podem financiar um salto para um novo patamar. Por outro lado, se decidir continuar achando que filmar é só ligar a câmera e que não há problema em manter o diafragma no automático, ou ainda que o Final Cut te dá tudo o que precisa para finalizar seu filme, mais certo é que continue pelo resto da vida reclamando de como os governos não fazem o suficiente pelo cinema independente e gravando casamentos.
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