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Arquivo da categoria 'Direção'

Aprender a dirigir filmes?

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“Não se pode aprender a dirigir filmes. Vários trabalhos técnicos podem ser ensinados, da mesma forma que se pode ensinar os rudimentos da gramática e da retórica. Mas não se pode ensinar a escrever. Dirigir um filme é muito parecido com escrever, exceto o fato de envolver trezentas pessoas e muitas outras atividades. O diretor é obrigado a agir como um comandante no campo de batalha, no momento da ação contínua. Necessita-se da mesma capacidade de inspirar, apavorar, encorajar, reforçar e, de modo geral, dominar. Assim, trata-se parcialmente de uma questão de personalidade, que não se pode adquirir tão facilmente como quem aprende um ofício qualquer.”

Orson Welles

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Dicas sobre Direção

Film Directing & Filmmaking Tips:  blog do diretor canadense Peter D. Marshall, com bons textos e indicações sobre direção de cinema.

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Sinais de um mau diretor

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Apesar do tom de auto-ajuda, o artigo abaixo, do blog Iliterary Fiction, vai direto ao ponto em relação ao aspecto mais importante, mas talvez menos valorizado, da direção cinematográfica. Pode soar básico, mas os exemplos disso em nossos sets abudam. A tradução é minha.

SINAIS DE UM MAU DIRETOR

Len Esten

Todo diretor de cinema possui uma especialidade. Alguns dão mais atenção à performance dos atores, outros ao desenho de produção, enquanto outros ainda se concentram mais no trabalho de câmera. A despeito de todas estas diferenças, é a falta de habilidades interpessoais que, em geral, os leva à ruína. Nada é mais indicativo da possibilidade de fracasso futuro para um cineasta que não saber como lidar com pessoas.

Gritos e falta de educação

Elevar sua voz sem se dar conta e sem sem provocado a isso é uma ótima forma de distanciar as pessoas. Uma coisa é gritar uma vez ou outra quando a pressão se eleva e o tempo está se esgotando, mas fazer disso um hábito não é bom. Interromper conversas porque precisa perguntar algo trivial naquele exato momento é também uma boa maneira de se fazer odiar. E esperar ser tratado como rei é um ótimo jeito de conseguir que as pessoas mijem no seu café. Trate as pessoas como o faria se elas pudessem lhe dar um soco na cara e provavelmente tudo transcorrerá bem.

Não Elogiar

Quando fazem um bom trabalho, as pessoas não necessariamente se dão conta disso. Se alguém se desdobra e o impressiona, elogie-os de forma sincera. Há uma escola de pensamento que diz que elogios levam as pessoas a se esforçarem menos, mas eu, assim como muitos especialistas em gestão, nunca confirmei esta idéia. Uma vez cumprimentadas, as pessoas querem receber mais elogios. Isso encoraja um desempenho ainda melhor, de forma a conseguir estes novos elogios. Para extrair o máximo de seu elenco e equipe, seja caloroso ao exaltar e pródigo nos elogios.

Ser o dono das idéias

O diretor é a autoridade máxima no set. Ele toma todas as decisões. Com o poder para fazer o que se quer, a tentação de ceder a caprichos é grande. Um desses caprichos pode ser o de se aferrar à pureza de sua idéia original para o filme. As equipes trabalham horas sem conta e não são tão bem pagas. Um caminho seguro para manter todo o mundo feliz é o de pedir idéias a todos e utilizá-las. Ao invés de ser a única pessoa a dar idéias, torne-se o árbitro delas. Permita que todos contribuam com idéias e seja simplesmente seu juiz, acolhendo as que funcionam e dispensando as demais.

Perfeccionismo

O que é perfeito para alguém pode ter falhas para outro. Buscar a cena perfeita é um objetivo fútil. Um filme é tão bom quanto as circustâncias de sua realização. Acostume-se à idéia de que seu filme não será aquele que você concebeu em sua mente e a experiência de realizá-lo será muito mais prazerosa. Esforce-se para chegar o mais próximo possível daquilo que concebeu, mas aceite suas limitações com estilo, dignidade e graça.

Culpar ao invés de assumir a responsabilidade

A reponsabilidade final é de quem lidera, e o diretor é um líder. Não há nada que não seja responsabilidade dele ou dela. Se algo dá errado, isso é falha do diretor. Esquivar-se disso é não assumir a responsabilidade de quem lidera. Culpar os outros demonstra covardia e é um indicativo de que o pior ainda está por vir quando a pressão realmente subir. Se um diretor não assume a responsabilidade pela comida ruim na hora do almoço, como pode se esperar que o elenco e a equipe se sintam seguros em relação ao cumprimento de outros compromissos?

Planejamento Deficiente

Planejar é chato. Planejamento é aquilo que acontece enquanto a vida acontece, mas falhar em planejar é planejar para falhar. Ninguém gosta de se ver correndo em desespero ou sem saber o que fazer porque o diretor não sabe direito o que quer fazer naquele dia. O diretor deve se adiantar sempre o máximo possível para que o elenco e a equipe possam trabalhar melhor.

Esperar Telepatia

Meu pai costumava esperar que eu sempre soubesse o que ele precisaria em seguida, algo a que ele se referia como “antecipar-se”. Infelizmente, entretanto, como diretor, diferentemente do meu pai, não está entre suas opções o uso de ameaça física para estimular as pessoas a serem capazes de ler sua mente. Compreenda que todos têm seus afazeres e que nem sempre têm como avaliar o que você precisará no momento seguinte. Comunique-se com clareza e as pessoas colaborarão. Recorra à telepatia e se desapontará.

Diretores podem agir frequentemente como rematados idiotas sem pagar por isso. No final das contas, entretanto, a menos que seus filmes façam muito dinheiro para muita gente, não seguirão ilesos por muito tempo. Se quiser ser um diretor para desrespeitar os outros, não posso impedi-lo, mas devo alertá-lo para o fato de que o karma existe e que muitos estados americanos permitem o porte de armas.

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Continuidade e atenção

Se você é um visitante assíduo do site The Internet Movie Database, já notou que todos os filmes possuem um link chamado “Goofs” no qual, entre outras mancadas, você encontrará os erros de continuidade do respectivo filme. Chega a ser assombroso verificar que mesmo os filmes que considerávamos os mais perfeitos também apresentam inúmeros erros de continuidade, tal como o clássico Era uma vez no oeste, de Sergio Leone. Mas o que pouca gente sabe é que esses erros são assumidos no momento da montagem, afinal, os diretores sabem que a atenção do espectador não está voltada para detalhes secundários. O diretor só irá arrancar os cabelos e refazer a cena se o erro de continuidade envolver alguma ação significativa para o entendimento da trama. No final das contas, tudo não passa de um truque muito bem feito, de prestidigitação, tal como no vídeo abaixo, “O truque do baralho que muda de cor”. Assista-o, acompanhe a “mágica” e veja se você consegue perceber como se dá o jogo entre a atenção ao essencial e a atenção ao detalhe.

Entendeu por que os diretores deixam passar certos erros de continuidade?

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ESPELHO (2007) – curta-metragem

Nossa, que engraçado, só agora notei que ainda não havia publicado aqui o ESPELHO, curta-metragem que escrevi e que dirigi em parceria com Cássia Queiroz. Até que é uma boa hora, uma vez que ele já foi assistido 6642 vezes no You Tube (a versão legendada em inglês foi vista 1212 vezes), sendo ainda, entre 16200 curtas, o segundo resultado, em ordem de relevância, quando se busca “curta-metragem”.

A ficha técnica e demais informações seguem logo abaixo.

“Uma platéia de cinema se surpreende ao ver-se diante de um filme que não mostra outra coisa senão… uma platéia de cinema! Por quanto tempo essas pessoas conseguirão resistir à própria reflexão?”

ATENÇÃO: Este filme foi feito tendo em vista sua apresentação em festivais de cinema. Aqui no You Tube, vc poderá dar boas risadas, mas não verá algo — a não ser com um pequeno esforço de imaginação — que realmente vale a pena: o desconforto e/ou surpresa da platéia real diante de uma platéia virtual que supostamente a assiste. Num cinema, certas reações são realmente muito engraçadas e merecem ser descritas numa outra oportunidade. Ao sentar na platéia, vc abdica do controle e, se o filme for ruim, não pode parar a projeção quando bem entender e muito menos abandonar a sala tão facilmente, afinal, dá um certo trabalho pisar nos pés dos vizinhos de poltrona. Este filme é uma espécie de armadilha em festivais, principalmente quando o filme anterior é chato… ;-)

(Não deixe de assistir aos erros de gravação durante os créditos.)

Recebeu o PRÊMIO DE MELHOR DIREÇÃO em CURTA-METRAGEM no III FestCine Goiânia 2007, com juri formado por Neuza Borges, Cecil Thiré, Germano Pereira, Guilherme de Almeida Prado, Telma Reston e Anselmo Pessoa Neto.

SELECIONADO PARA O CINEME-SE 2008 – Festival da Experiência do Cinema (SANTOS-SP).

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A Culpa é do Diretor, parte II

Tenho insistido que o maior problema de nossa cinematografia digital, e sobretudo dos curtas que são feitos no Brasil, está na precariedade da direção de atores e no pouco caso com um trabalho mais embasado de preparação de elenco e construção de personagens.
A verdade é que a maioria toma a função do diretor cinematográfico como algo simples e que qualquer um com uma boa idéia pode exercer. Afinal, trata-se meramente de definir enquadramentos e movimentos de câmera, e de dar ordens aos atores, não é verdade?
A função do diretor é dificí­lima. É preciso ser acrobata e conseguir manter dezenas de pratos girando ao mesmo tempo, com a diferença de que, no circo, se um prato cai, só ele se quebra, enquanto, no cinema, se o mesmo ocorre, todo o conjunto naufraga.
Uma má fotografia pode até sobreviver a um filme com ótimas atuações, mas um filme com excelente fotografia e performances ruins é um desastre. Sem atuações críveis, nada se sustenta.
Mas nada me parece mais difí­cil e delicado do que a direção dos atores. Primeiro, porque a direção é quase um casamento, depende de confiança absoluta. O diretor coloca seu bem mais precioso nas mãos do ator – o seu filme – e o ator tem que se abrir e jogar de cabeça no território das emoções, crendo que o diretor saberá guiá-lo neste lamaçal, rumo aos sentimentos corretos para uma boa atuação.
Segundo, porque dirigir atores demanda principalmente intuição e disposição para o risco e o mico. Tem pouco de intelectual e muito de tentativa e erro, de processo, de experiência. Nada nos ensina a fazê-lo, a não ser tentar.
Eu ainda me sinto quase absolutamente desarmado neste território. Ainda não sei fazer pouco mais que pedir resultados – o pior tipo de direção -, mas vou tentando perder o medo.
Apesar de que só a prá¡tica ensina, um pouco de teoria pode apontar o rumo certo e também nos fornecer o impulso de buscar. Daí­, como prometido, a tradução da introdução do livro de Judith Weston “Directing Actors”, um excelente começo sobre este tema.

Baixe o arquivo aqui

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Entrevendo a Cegueira

Quem ainda não leu, não sabe o que está perdendo. O Diário de Blindness, blog do Fernando Meirelles sobre a realização de seu filme é simplesmente do caralho. Como se não bastasse ser um tremendo diretor, o cara escreve muito muito muito bem. Eu tinha passado algumas semanas sem acessá-lo e ontem tive quase uma hora de diversão e aprendizado lendo tudo o que ficou pra trás.

Além disso, para quem, como eu, tem o Ensaio sobre a Cegueira entre seus livros mais queridos, é um enorme prazer acompanhar com expectativa crescente o making of do filme. Uma grande sacada do Meirelles e da O2.

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