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Cinema X Vídeo: A Questão da Escala
Escala é um problema a que nem todos os diretores dedicam a atenção necessária quando pensam seus enquadramentos e fazem suas escolhas no set e na ilha de edição. Parece óbvio quando dito, mas nem todo mundo se dá conta: faz toda a diferença se o filme vai ser exibido na televisão, numa sala de cinema ou numa tela de computador.
Walter Murch, o mestre hollywoodiano da montagem, edita sempre com um bonequinho de papel à frente da tela do computador – feito na proporção de um espectador na sala de cinema -, como forma de se lembrar do tamanho das imagens e da maneira pela qual essa resolução afeta nossa percepção delas.
David Bordwell afirma ser perceptível a mudança gradual de ênfase nos planos – com uma predominância crescente de planos mais fechados – à medida em que o uso do video assist se popularizou nos sets de cinema ao longo do tempo. Tendo um monitor pequeno como referência, os diretores tendem a julgar de forma equivocada a visualização de objetos, feições e movimentos nos planos e acabam preferindo enquadramentos mais aproximados, que assegurem a percepção plena de reações ou detalhes de uma determinada cena.
Há algum tempo atrás dirigi um comercial que seria veiculado apenas em salas de cinema. Em uma das cenas, a atriz segurava um cartaz, de aproximadamente 150 X 100 cm que continha determinado conteúdo que deveria ser visualizado pelos espectadores. De nada adiantaram meus argumentos junto à agência de que um plano médio, com a atriz de corpo inteiro em quadro, seria mais do que suficiente – e mais elegante – para uma tela de cinema, onde o cartaz ganharia quatro vezes seu tamanho real, e de que encher a tela com um close do objeto resultaria em uma imagem agressiva e, no fim das contas, feia. Como eu não dispunha de uma tela de cinema para embasar meu argumento, a agência insistiu. O resultado na tela grande ficou medonho.
Essa falta de reflexão sobre escala se soma ainda a vários outros fatores para reforçar a predominância do uso de planos americanos e primeiros planos. Primeiro, a necessidade de narrativas na média muito pobres de não deixar margem de dúvida para o espectador, o que, de certa forma, equivale a confiar pouco em sua inteligência: tudo deve ser esfregado em sua cara e reiterado repetidas vezes, se possível. Segundo, sobretudo na publicidade, orçamentos baixos impedem um trabalho de arte mais esmerado nas locações: não dá pra ficar mostrando demais os ambientes. Por fim, há a escolha de caminhos já conhecidos e algoritimos mais seguros de decupagem de sequências pelos diretores. É mais fácil montar trabalhando com planos mais fechado do que fazer planos-sequência e trabalhar com uma mise-en-scene elaborada, que demanda muito ensaio e marcação com os atores. Sobretudo se o cronograma for apertado, acaba sendo mais fácil dividir cena em vários planos.
Não obstante as restrições de orçamento e tempo, é fundamental dedicarmos reflexão e treinarmos o olhar para calibrar enquadramentos na escala mais adequada.
Imprimir | 2 comentáriosEscolha sua câmera: Canon 7D ou… Barbie?
Para quem estiver em dúvida sobre qual câmera digital comprar para realizar suas produções independentes, segue a comparação entre dois excelentes equipamentos: Canon 7D versus Barbie Video Girl. Conhecendo a taxa de importação pra lá de exagerada do nosso país, aconselho a aquisição da Barbie…
Canon 7D vs. Barbie Video Girl from Brandon Bloch on Vimeo.
A comparison between my two new cameras: The $1,800 Canon 7D versus the brand new $50 Barbie Video Girl… available in the girlie aisle of your local Toys R Us. It’s the sassiest camera money can buy.
This is also a spoof of another video that compared the Canon 7D and iPhone 4: “iPhone 4 as good as the 7D? No, but it’s amazing for what it is.” http://vimeo.com/12925855
Director/Editor: Brandon Bloch // www.brandonbloch.com // Twitter: @bloch_party
Director of Photography: Fernando Ortega // www.vgfilms.com
Music: Tiga “You Gonna Want Me”
Enjoy. It’s all in good fun.
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Sempre achei que locar equipamentos e produzir cinema e TV são negócios diferentes, com pressupostos e lógicas distintas e muitas vezes contraditórias entre si, por incrível que pareça. Tudo é uma questão de escala e estratégia. Quanto maior uma produtora, mais vale à pena assumir os custos fixos de imobilizar capital em equipamentos, mas isso tem evidentemente custos financeiros e de transação: gente, tempo e dinheiro gastos, que precisam se pagar, essencialmente.
Aqui em Goiânia ainda prevalece a idéia de que produtora tem que ter equipamento. Felizmente, entretanto, a entrada no mercado local da Cinelocações de Brasília, agora com uma filial aqui, tem mostrado que vale à pena se concentrar na produção como negócio específico. Os equipamentos deles não param de sair, e mesmo as grandes produtoras têm se tornado suas clientes.
Os equipamentos são de ótima qualidade e Emerson e Naji profissionais muito competentes.
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Movimentos inesperados e surpreendentes de câmera, sobretudo planos sequência bem feitos, são um dos componentes fundamentais da magia do cinema. Aliás, aqui um belíssimo texto sobre grandes planos sequência com links para alguns deles no You Tube. Na tela acima, um excerto de Soy Cuba, de Mikael Kalatozov, uma pérola da produção comunista, com alguns dos mais espetaculares planos sequência já realizados (a história deste filme é retratada em “O Mamute Siberiano”, do brasileiro Vicente Ferraz).
Muitos de nós, jovem cineastas, entretanto, talvez influenciados por uma certa valorização do experimentalismo que confunde inovação estética com pobreza técnica e operação de câmera porca, parecemos achar que enquadramentos bizarros e câmeras tremidas a ponto de causar enjôo no espectador são coisas desejáveis em nossos filmes.
Talvez isso se deva também ao fato de acharmos que movimentos de câmera elaborados demandam necessariamente gruas, dollies e steadicams de milhares de reais. Na verdade, com criatividade e alguma habilidade manual, é possível improvisar movimentos de câmera que agregam enorme valor a nossos filmes, ou ainda construir equipamentos que fazem praticamente o mesmo que suas contrapartes caras.
Um exemplo disso é o Steadycam de 14 dólares, que qualquer um que saiba o endereço de uma ferragista pode construir em casa. O essencial é compreender o princípio de funcionamento de um steady, nada mais do que simplesmente fornecer um contrapeso à câmera, evitando que ela rotacione em seu eixo horizontal (em movimento indesejado de tilt). Vejam, por exemplo, este filme demonstrativo e comprovem a eficácia da traquitana.

Outra peça genial é o livro “Killer Camera Rigs that You Can Build”, que detalha projetos relativamente simples de gruas, braços e suportes para gravações em carros, entre outras peças, que revolucionarão seus filmes. Veja também que beleza os filmetes demonstrativos. Mais um livro pra nossa Biblioteca do Cineasta Digital.
Imprimir | Sem comentáriosImagens sem compressão numa DVX100?
No topo da lista de invenções interessantes e sobretudo no espírito de extrair o máximo da tecnologia disponível figura o Andromeda. Esses camaradas da Reel Stream simplesmente abrem uma Cãmera DVX100 e, com algumas intervenções, possibilitam a gravação de imagens sem compressão com até 1540 X 990 linhas de resolução (direto para um disco rígido evidentemente, mas ao mesmo tempo em que se pode continuar gravando imagens SD para um fita DV normalmente). Se você não se importa de perder a garantia da sua DVX100 e tem 2.500 dólares para investir, pode ser uma opção a ser considerada.
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