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	<title>Olho de Vidro -- blog sobre cinema e vídeo digital &#187; Festivais e Mostras</title>
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	<description>Blog da Sertão Filmes, contendo discussões técnicas, e nem tão técnicas assim, sobre cinema e vídeo digital, equipamentos, filmes, etc. Afinal, como já dizia o Riobaldo, "filmar é muito perigoso..."</description>
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		<title>Amir Labaki: A Entrevista no Cinema</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Apr 2011 16:47:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direção]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
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		<category><![CDATA[Teorias & Conceitos]]></category>
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		<description><![CDATA[Reproduzo abaixo excelente artigo de Amir Labaki sobre o uso da entrevista em documentários e as questões éticas relacionadas a tal. Amir é coordenador do &#8220;É Tudo Verdade&#8221;, o mais importante festival brasileiro de documentários. O artigo também pode ser lido no site do ETV. A entrevista no cinema Amir Labaki O recurso à entrevista [...]


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<div id="attachment_653" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><a href="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2011/04/Amir.jpg"><img src="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2011/04/Amir-300x282.jpg" alt="" title="Amir" width="300" height="282" class="size-medium wp-image-653" /></a><p class="wp-caption-text">Amir Labaki, cordenador do &quot;É Tudo Verdade&quot;</p></div>
<p>Reproduzo abaixo excelente artigo de <a href="http://www.etudoverdade.com.br/2011/apoio/amir.asp?lng=">Amir Labaki</a> sobre o uso da entrevista em documentários e as questões éticas relacionadas a tal. Amir é coordenador do <a href="http://www.etudoverdade.com.br/2011/home.asp?lng=">&#8220;É Tudo Verdade&#8221;</a>, o mais importante festival brasileiro de documentários. O artigo também pode ser lido <a href="http://www.etudoverdade.com.br/periodico/coluna/coluna.asp?lng=">no site do ETV</a>.<br />
<strong><br />
A entrevista no cinema</strong><br />
<em><br />
<strong>Amir Labaki  </strong></em></p>
<p><em>O recurso à entrevista no documentário esteve ao centro há duas semanas da 11ª Conferência Internacional do Documentário, realizada em São Paulo na Cinemateca Brasileira. O grande risco contemporâneo desse instrumento foi bem definido na mesa de encerramento pelo crítico americano Michael Renov, ao lembrar como por vezes “a ética tem sido sacrificada no altar da certeza política ou ideológica”.</p>
<p>Renov inspirou-se no filósofo francês Emmanuel Levinas (1906-1995), mais especificamente em seu “Totalidade e Infinito”, na defesa de uma “abertura para o Outro” como base de uma ética também para a entrevista filmada. Neste peculiar tipo de encontro, desenvolve Renov, o Eu deve ser como um vácuo a ser preenchido pelo Outro.</p>
<p>Depois de dividir basicamente entre três tipos os depoimentos gravados, qual sejam a entrevista, o testemunho e a confissão, o organizador do simpósio internacional Visible Evidence destacou “a entrevista-emboscada” como das formas mais rotineiras de ruptura dos princípios éticos. Seu grande mestre atual é, claro, Michael Moore.</p>
<p>Sua companheira de debate, a crítica britânica Elizabeth Cowie, iniciou sua participação lembrando certeiramente outra forma perversa de uso da entrevista, no que chamou de “ventriloquismo documentarista”. Trata-se da prática de fisgar na fala do entrevistado tão somente aquelas frases que servem à linha ideológica do cineasta entrevistador. Nem foi preciso citar Moore entre os que poderiam vestir a carapuça.</p>
<p>Em duas mesas anteriores da mesma Conferência, foi revigorante ouvir os documentaristas Marina Goldovskaya e Silvio Tendler explicando métodos distintos de trabalho que se encontram na mesma linha de “abertura para o Outro” definida por Renov. A diretora de “O Gosto Amargo da Liberdade” disse preferir o termo “conversa” a “entrevista” para sua prática de aproximar-se sem pauta e totalmente aberta para o encontro com seus personagens. Já o cineasta de “Tancredo, A Travessia” defendeu que o respeito ao entrevistado começa por um pacto essencial que inicia com a aceitação das condições solicitadas pelo visitado.</p>
<p>A partir das restrições quanto ao uso da entrevista que citei aqui há duas semanas, com a renúncia ao dispositivo em sua série ainda inédita “Imagens do Estado Novo”, convidei por escrito Eduardo Escorel a desenvolver seus argumentos para esta coluna.<br />
Comecei perguntando a Escorel sobre o que o levou à ausência de depoimentos em sua nova obra. “Em documentários que lidam com eventos do passado, não havendo testemunhas oculares da história que possam falar sobre suas próprias experiências, venho sentindo incômodo crescente, há algum tempo, com o que os chamados especialistas têm a dizer e, além de disso, ainda mais com a manipulação abusiva a que são submetidos à sua revelia na montagem”, respondeu-me o cineasta. “Entre a voz do especialista e a voz do autor em narração off, ou até em forma de depoimento, como fez Jorgen Leth em “Aarhus” (2003), acho a segunda opção mais honesta, tanto com relação ao depoente quando ao espectador”.</p>
<p>Questionei então se se trataria de uma renúncia absoluta ao instrumento da entrevista. “Não hesitaria em recorrer a entrevistas de pessoas que estivessem falando sobre suas próprias experiências de vida, presentes ou passadas”, explicou o diretor de “35 – O Assalto ao Poder” (2002).</p>
<p>“E, se me permite”, continuou, “diria ainda que nem sempre, ou quase nunca, registrar um conjunto de depoimentos, recortá-los e reordená-los, resulta em um documentário de interesse e eticamente defensável. A entrevista pode ser, e quase sempre é, apenas um mecanismo fácil de defesa contra a muitas vezes penosa experiência de lidar com situações reais sobre as quais não se tem controle. Documentários não devem ser feitos tão somente entre quatro paredes. É preciso ao menos abrir a janela, olhar para fora, sair pela porta com a câmera e ir ao encontro do inesperado”.</p>
<p>Escorel generosamente adiantou detalhes de sua corrente produção para dirimir qualquer dúvida: “Em tempo: estou editando o documentário “Paulo Moura – Vestígios” que recorre a depoimentos do próprio Paulo Moura, embora não gravados originalmente por mim, do mesmo modo que em “Deixa que Eu Falo”, de 2008, Leon Hirszman depõe em imagens de arquivo. Espero, portanto, estar claro que não estou promovendo uma cruzada pela eliminação da entrevista que submeta seus praticantes a nenhuma espécie de punição”. Tudo somado, o recurso à entrevista reinvidica o respeito a regras, mas nada de dogmas. Melhor assim. </em></p>
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		<title>Ritos de Passagem do Cinema Goiano</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Sep 2010 13:54:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais e Mostras]]></category>
		<category><![CDATA[Política Cultural]]></category>
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<p><a href="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2010/09/Descrição_da_Ilha_da_Saudade_Elisa-borrifa-perfume.jpg"><img src="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2010/09/Descrição_da_Ilha_da_Saudade_Elisa-borrifa-perfume-300x200.jpg" alt="" title="Descrição_da_Ilha_da_Saudade_Elisa borrifa perfume" width="300" height="200" class="alignnone size-medium wp-image-593" /></a></p>
<p>O <a href="http://vistoseescritos.opsblog.org/">Rodrigo Cássio</a> e eu, fomos convidados pela <a href="http://www.ufg.br">UFG</a>, através do <a href="http://www.lisandronogueira.blogspot.com/">Lisandro Nogueira</a>, para assumir a curadoria da Mostra <strong>&#8220;Cinema Feito em Goiás&#8221;</strong>, que começou no dia 01/09 e se encerra amanhã. A propósito disso, publicamos hoje um artigo a quatro mãos no jornal <a href="http://www.opopular.com.br">&#8220;O Popular&#8221;</a>, que segue reproduzido abaixo.</p>
<p><strong>Ritos de passagem do cinema goiano </strong></p>
<p><em>Rodrigo Cássio e Pedro Novaes</em></p>
<p>Toda seleção de filmes é produto de critérios. A Mostra Cinema Feito em Goiás, em cartaz no Cine UFG, até 10 de setembro, anuncia o critério da sua seleção já em sua proposta: evidenciar os filmes mais relevantes produzidos em Goiás nos últimos anos. Muito pode ser dito sobre a dimensão ampla desse objetivo. Quantos goianos conhecem o cinema que tem sido feito no Estado? O que se pode falar sobre ele a partir do conjunto de filmes exibidos no Cine UFG? </p>
<p>Para essas duas perguntas, a existência de um critério de qualidade é também uma provocação aos que se interessam pelo tema, e talvez se surpreendam com o fato de que Goiás possui bons filmes. Ao mesmo tempo, estes bons filmes da Mostra (e há outros que ficaram de fora), sugerem tanto os potenciais quanto as fraquezas de uma produção detida em um contexto desfavorável. Por um lado, há condições inadequadas de realização das obras. Por outro, há uma deficiente recepção e circulação delas, a tal ponto que a maioria do público goiano sequer toma conhecimento dos filmes mais relevantes. </p>
<p>Por isso, de um ponto de vista da qualidade, é melhor falar sobre o que os filmes da Mostra evitaram. Melhor falar sobre o que eles “não são”, e, com isso, abordar características que têm impedido o cinema de Goiás a crescer e comprometido a sua identidade. </p>
<p>O aspecto que talvez mais se destaca, entre vários, é que os filmes da Mostra Cinema Feito em Goiás não se furtam de discutir temas recorrentes na produção como um todo. Porém, almejam uma singularidade na maneira como realizam essa discussão. Passageiros da Segunda Classe, Mudernage, Recordações de um Presídio de Meninos ou Número Zero investigam a nossa realidade mais próxima, como a presença de crianças de rua em Goiânia ou o fechamento do hospital Adauto Botelho. Diferentes de inúmeros filmes com o foco sobre Goiás, eles são também propostas de linguagem cinematográfica, conscientes de que discursam por meio de imagens. <span id="more-590"></span></p>
<p>Do lado da ficção, obras como Descrição da Ilha da Saudade, Ecléticos Corações e Sexo com Objetos Inanimados indicam que o domínio sobre uma técnica de narração é sempre proporcional ao cuidado dos diretores com os aspectos variados da linguagem do cinema, da fotografia à direção dos atores, do plano bem escolhido ao movimento da câmera. Neles, assim como em O Desespero Fotográfico de meu Pai ou O Filme que nunca Existiu (estes mais próximos das vanguardas e das rupturas com a narrativa tradicional do cinema), o cinema se confirma como um “labor” criativo, e, portanto, como um produto do esforço de quem concede ordem às intuições que possui. </p>
<p>Estas obras entendem que a técnica  &#8211; fotografia, desenho, captação e edição de som, cenografia, etc. &#8211; existe a serviço de uma proposta estética e de uma linguagem. A técnica por si só não sustenta um filme. Do mesmo modo, não se faz bom cinema sem conhecer a história dessa arte, sem pesquisar as suas formas e perseguir a melhor maneira de dominá-las. O que não significa que possuir referências é aprisionar-se a elas, e certa liberdade, nesse sentido, é algo que os filmes em cartaz no Cine UFG possuem em comum. Por exemplo: o mínimo passo que deram para ter como parâmetro estético o cinema, e não a televisão, já os qualificam na nossa conjuntura. </p>
<p>Não são vistos, no Cine UFG, filmes que apenas reproduzem (mal) a linguagem dominante dos meios audiovisuais de hoje. Ficaram de fora as excessivas interferências gráficas de um uso “viciado” nas tecnologias de imagem, os formatos padrões de documentário, oriundos da pasteurização da mídia global e da publicidade institucional, ou as falsas novidades dos experimentos que ainda não amadureceram a sua particular expressividade. </p>
<p>Raízes de nossos dilemas</p>
<p>Se o domínio da linguagem e a inovação estética não avançaram no mesmo passo do aumento do número de produções nesta década, as raízes desses problemas parecem residir em quatro fatores: 1) na pracariedade da capacitação formal de nossos realizadores e profissionais,  2) na debilidade dos mecanismos de fomento existentes, 3) num mercado local de produção publicitária e televisiva que não investe em novos profissionais e 4) na desmobilização e despolitização dos realizadores.</p>
<p>Infelizmente, a formação da maioria dos realizadores goianos ainda é predominantemente informal. No ensino formal, há apenas um curso de graduação em audiovisual &#8211; na UEG, que ainda se ressente da falta de maior estrutura &#8211; e uma especialização em faculdade privada. Não há nenhum curso de pós-graduação senso estrito com foco específico no cinema. </p>
<p>Tal quadro não permite o surgimento de uma dinâmica acadêmica de pesquisa, debate e realização, algo essencial para a evolução estética dos filmes. Cabe lembrar que, em tempos recentes, em todos os lugares onde houve movimentos de inovação audiovisual, escolas de cinema sempre foram parte crucial dessa dinâmica</p>
<p>Evidentemente, a maior parte da produção nesta década foi apoiada por dinheiro público &#8211; em Goiás, principalmente através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Goiânia, do edital anual do Festcine e, marginalmente, da Lei Goyazes, de dois editais de roteiros realizados nesta década pela Agepel e das leis federais do Audiovisual e Rouanet.</p>
<p>Apesar disso, qualquer análise mais detida demonstra fatos inequívocos: os valores investidos são absurdamente baixos para a complexidade da produção em cinema e, tanto na Lei Municipal, quanto na estadual, a despeito destes custos, o audiovisual é das atividades menos prestigiadas proporcionalmente. Uma análise dos valores investidos pela Lei Municipal, por exemplo, entre 2001 e 2008 demonstra um largo descompasso entre o aumento absoluto dos valores totais aplicados pela Lei no fomento à cultura e os valores destinados ao audiovisual. Enquanto o montante da renúncia fiscal feita pela Prefeitura cresceu em cerca de 500% no período, os valores destinados ao audiovisual subiram apenas 160%. Além disso, apesar de seus altos custos, dada a complexidade da atividade, o audiovisual segue como o segmento menos prestigiado pela Lei, recebendo apenas 10% de seus recursos. </p>
<p>Assim, a despeito de sua expressiva produção cultural, Goiás ainda se encontra muito atrasado em relação às demais unidades da Federação em termos de mecanismos de fomento à cultura. A não regulamentação do Fundo Estadual e do Fundo Municipal de Cultura de Goiânia são a face mais evidente desse atraso.</p>
<p>Por fim, a despolitização e desmobilização da classe audiovisual também devem ser objeto da nossa reflexão. Somos reféns das nossas diferenças e de vaidades desnecessárias. Acabamos imobilizados por discussões vazias e brigas de poder que relegam as discussões estéticas para último plano. Sem mobilização, as decisões políticas em relação ao cinema continuam tomadas à deriva da participação de quem mais deveria se interessar por elas – os realizadores e o público de cinema em Goiás. </p>
<p><em>Rodrigo Cássio, jornalista e filósofo, e Pedro Novaes, diretor cinematográfico, são curadores da Mostra Cinema Feito em Goiás.</em></p>
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		<title>Making of — Curta Carajás</title>
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		<pubDate>Sat, 08 May 2010 21:14:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Making of do Curta Carajás — Primeiro Festival de Cinema de Parauapebas, no qual dei uma oficina de roteiro e direção de curta-metragem e o Pedro, de Produção. Além disso, fomos ambos jurados do Festival. (Conheça os demais professores.) Making Of &#8211; CurtaCarajás from Ivan Oliveira on Vimeo. CurtaCarajás &#8211; Festival de Cinema de Parauapebas [...]


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<p>Making of do <a href="http://www.curtacarajas.com/" target="_blank">Curta Carajás — Primeiro Festival de Cinema de Parauapebas</a>, no qual dei uma oficina de roteiro e direção de curta-metragem e o Pedro, de Produção. Além disso, fomos ambos jurados do Festival. (Conheça <a href="http://www.curtacarajas.com/index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=71&#038;Itemid=184" target="_blank">os demais professores</a>.)</p>
<p><object width="480" height="320"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=10832080&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ff9933&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=10832080&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ff9933&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="480" height="320"></embed></object>
<p><a href="http://vimeo.com/10832080">Making Of &#8211; CurtaCarajás</a> from <a href="http://vimeo.com/ivanoliveira">Ivan Oliveira</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
<p>CurtaCarajás &#8211; Festival de Cinema de Parauapebas -PA<br />
Making Of &#8211; Novembro de 2009<br />
Realização: Secult &#8211; Parauapebas<br />
Produzido por: HD Produções<br />
Roteiro: Ivan Oliveira<br />
Direção e Montagem: Edinan Costa<br />
Imagens: Gilson Mesquita</p>
<p><map name='google_ad_map_499_2a9dc209058b53d2'>
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		<title>Filmes no Sul do Pará</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 18:11:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Curta-Metragem]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais e Mostras]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[curtas]]></category>
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		<description><![CDATA[Acabo de retornar, junto com Yuri, de Parauapebas, cidade do Sul do Pará, aos pés da Serra dos Carajás, onde ministramos oficinas e fomos membros do júri no 1° Curta Carajás &#8211; Festival de Cinema de Parauapebas. Foi uma ótima e surpreendente experiência. É muito bom ver como em lugares distantes do eixo Rio-São Paulo [...]


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<p><img class="alignnone size-medium wp-image-373" title="logocurtacarajas" src="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2009/11/logocurtacarajas-300x107.jpg" alt="logocurtacarajas" width="300" height="107" /></p>
<p>Acabo de retornar, junto com Yuri, de Parauapebas, cidade do Sul do Pará, aos pés da Serra dos Carajás, onde ministramos oficinas e fomos membros do júri no <a href="http://www.curtacarajas.com/">1° Curta Carajás &#8211; Festival de Cinema de Parauapebas</a>. Foi uma ótima e surpreendente experiência. É muito bom ver como em lugares distantes do eixo Rio-São Paulo sempre há uma turma jovem entusiasmada com a possibilidade da produção audiovisual.</p>
<p>Em segundo lugar, me surpreendi com minha ignorância. Eu fazia uma vaga idéia do que era a região. E lá, me dei conta dos complexos problemas sociais, econômicos e ambientais que a afligem, tendo sido palco nas últimas décadas de vários episódios representativos dos problemas mais profundos do Brasil e que ganharam cobertura da mídia no mundo inteiro, como a Guerrilha do Araguaia, a existência da maior mina de ferro do mundo,  o surgimento, febre e posterior fechamento de Serra Pelada, no vizinho município de Curionópolis &#8211; cujo grande coronel político não é outro senão o truculento oficial do exército que comandou a repressão à Guerrilha e que é suspeito de vários outros crimes -, o massacre dos sem-terra no vizinho município de Eldorado dos Carajás, o assassinato da irmã Dorothy.</p>
<p>Apesar de toda a riqueza que circula na região, Parauapebas é um município com graves problemas sociais. Sua população é composta por impressionantes 70% de migrantes do empobrecido e vizinho Maranhão e cresce a inimagináveis 9% ao ano. É um dos municípios com maior taxa de crescimento no país, as desigualdades saltam aos olhos, a infra-estrutura é precária, o esgoto corre a céu aberto em muitos lugares, a taxa de desemprego bate no céu.</p>
<p>O 1° Curta Carajás, capitaneado pela Secretaria Municipal de Cultura, foi muito bem organizado e reuniu em sua mostra competitiva 48 curtas de 16 estados do brasil, um belo panorama de nossa produção recente. Além disso, houve uma mostra paralela organizada pelo Cineclube Labirinto, sediado na cidade, com docs que tinham temas associados à região, e também uma mostra de filmes locais e outra organizada pela ABD Pará, só com curtas paraenses. No front de capacitação, aconteceram quatro oficinais: roteiro e direção, ministrada pelo Yuri Vieira, Produção de Baixo Orçamento, ministrada por mim, Fotografia, ministrada pelo Bruno Assis, de Belém, e edição, comandada por Reinaldo Rogério, também de Belém.</p>
<p>O júri oficial foi composto pelo Homero, presidente da ABD Pará, pelo Bruno Assis, pelo Yuri e por mim. Não foi tarefa fácil definir os premiados. Havia uma boa quantidade de possíveis candidatos a todos os prêmios previstos. No final, ficou assim:</p>
<p>MELHOR CURTA (PRÊMIO IPÊ) &#8211; &#8220;Brasília (Título Provisório)&#8221;, de J. Procópio (DF): trata-se de um hilário roteiro metalinguístico, que por sinal tira o maior sarro da moda de filmes de metalinguagem, em que um cineasta conta para um amigo seu projeto de um filme em que uma expedição arqueológica explora as ruínas de uma abandonada Brasília para fazer um documentário.</p>
<p>MELHOR ROTEIRO (PRÊMIO XIKRIN) &#8211; &#8220;Para Pedir Perdão&#8221;, de Iberê Carvalho (DF), em que um homem procura desesperadamente pela namorada numa noite de Carnaval em Brasília.</p>
<p>MELHOR MONTAGEM (PRÊMIO GAVIÃO REAL) &#8211; <a href="http://www.quarto38.com">&#8220;Quarto 38&#8243;</a>, de Thomas Edward Hale (SP): um assustador curta de suspense em que uma mulher presa em um porão onde coisas muito estranhas acontecem tenta escapar e encontrar sua irmã presa num quarto de hotel assombrado por uma estranha maldição.</p>
<p>Além disso, decidimos atribuir menções honrosas a dois documentários muito fortes, &#8220;Fractais Sertanejas&#8221; de Heraldo Cavalcanti (CE), que conta a incrível história de um pedreiro que, após uma experiência de quase-morte, se torna um grande escultor, e o impressionante &#8220;A Casa dos Mortos&#8221;, de Débora Diniz (DF), que num roteiro estruturado sobre um poema de um interno que é também narrador do filme, exibe a realidade de um manicômio judiciário em Salvador.</p>
<p>Por fim, o voto do júri popular terminou em empate, com o prêmio divido entre o &#8220;Quarto 38&#8243; e &#8220;Pronta Entrega, de  André Migueis (RJ).</p>
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		<title>Nosso curta-metragem em Portugal</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Aug 2009 16:24:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Curta-Metragem]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais e Mostras]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes Nossos]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da Sertão]]></category>

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		<description><![CDATA[O curta-metragem ESPELHO, dirigido por mim e por Cássia Queiroz, foi convidado a participar da mostra Verão Cinema e Outras Coisas (organizada pela PULGA associação criativa), que ocorrerá na Costa da Caparica, em Portugal. Será apresentado Domingo, dia 30/08, no encerramento. (Veja a programação completa do evento.) A organização, entre outras coisas, foi bem bacana [...]


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<p align="left"><a href="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2009/08/VTS_01_11.gif"><img title="VTS_01_1" style="display: inline; margin: 10px 15px 5px 0px" height="110" alt="VTS_01_1" src="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2009/08/VTS_01_1_thumb.gif" width="160" align="left" /></a> O curta-metragem <a href="http://www.archive.org/details/ESPELHO_um_curta_metragem_Yuri_Vieira_Cassia_Queiroz" target="_blank">ESPELHO</a>, dirigido por mim e por Cássia Queiroz, foi convidado a participar da mostra <a href="http://apulga.com/" target="_blank">Verão Cinema e Outras Coisas</a> (organizada pela <a href="http://apulga.com/" target="_blank">PULGA associação criativa</a>), que ocorrerá na <a href="http://www.google.com/maps/ms?hl=pt-PT&amp;ie=UTF8&amp;msa=0&amp;msid=107860573797478353617.000470b13725b35b57c43&amp;z=19" target="_blank">Costa da Caparica, em Portugal</a>. Será apresentado Domingo, dia 30/08, no encerramento. (Veja a <a href="http://apulga.com/imagelib/sitebuilder/misc/show_image.html?linkedwidth=actual&amp;linkpath=http://apulga.com/sitebuildercontent/sitebuilderpictures/verao_cinema_09_program.gif&amp;target=tlx_picvgwk" target="_blank">programação completa</a> do evento.)</p>
<p>A organização, entre outras coisas, foi bem bacana ao receber <a href="http://www.archive.org/details/ESPELHO_um_curta_metragem_Yuri_Vieira_Cassia_Queiroz" target="_blank">a imagem de DVD (arquivo ISO) via internet</a>, sem as mil e uma burocracias exigidas por festivais, mostras e canais de TV brasileiros, que solicitam as mídias gravadas e mil e um papéis de autorização assinados, o que apenas me faz esquecer de enviar o material, infelizmente. Para que gastar com frete material se o &quot;objeto&quot; é digital? Oras&#8230;</p>
<p>Fica aí a sugestão: use o <a href="http://www.archive.org/details/movies" target="_blank">Archive.org</a> para salvar e enviar as imagens de DVD (ISO) do seu curta-metragem. Suba o arquivo ISO e ele automaticamente criará arquivos em Mp4 e Gif.</p>
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		<title>MIAU, MIAU, MIAU</title>
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		<pubDate>Wed, 13 May 2009 20:53:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Festivais e Mostras]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[curta-metragens]]></category>
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		<category><![CDATA[filmes universitários]]></category>
		<category><![CDATA[mostra de cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[Entre quarta e sábado da semana passada, tive a satisfação de fazer parte, junto com Pedro Plaza e Carolina Paraguassu, do juri do II MIAU (Mostra Independente do Audiovisual Universitário), aqui em Goiânia. O MIAU é uma mostra nacional com foco em curtas, documentais ou de ficção, realizados por universitários de todo o país. Apesar [...]


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<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/3f_mBZzZu54&#038;hl=pt-br&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/3f_mBZzZu54&#038;hl=pt-br&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Entre quarta e sábado da semana passada, tive a satisfação de fazer parte, junto com Pedro Plaza e Carolina Paraguassu, do juri do <a href="http://www.mostramiau.com.br">II MIAU</a> (Mostra Independente do Audiovisual Universitário), aqui em Goiânia. O MIAU é uma mostra nacional com foco em curtas, documentais ou de ficção, realizados por universitários de todo o país.</p>
<p>Apesar de se encontrar apenas em sua segunda edição, impressiona o nível de organização do evento, realizado com parcos recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Goiânia, sua ampla divulgação e sobretudo a qualidade dos filmes selecionados. Já participei de alguns festivais e mostras de curtas no país e raras vezes vi um conjunto de filmes com tamanha qualidade. Parece que as universidades são hoje de fato o lugar onde se realizam alguns dos filmes mais criativos no Brasil.</p>
<p>Escolher os filmes a serem premiados não foi fácil diante do alto nível. Outorgamos quatro menções honrosas e os prêmios de melhor filme, melhor ficção, melhor documentário e Gato da Vez (dado ao diretor que apresentasse maior nível entre seu último filme universitário e primeiro depois de graduado). Confira abaixo os premiados. Se tiver oportunidade, todos valem realmente à pena serem vistos:</p>
<p><strong>MELHOR FILME</strong></p>
<p>&#8220;Sobre um Dia Qualquer&#8221;, de Leonardo Remor;</p>
<p><strong>PRÊMIO GATO DA VEZ</strong></p>
<p>Allan Ribeiro, por &#8220;O Brilho dos meus Olhos&#8221; e &#8220;Depois das Nove&#8221;;</p>
<p><strong>MELHOR FICÇÃO</strong></p>
<p>&#8220;Romance.38&#8243;, de Vinicius Casimiro e Vitor Brandt (tem <a href="http://www.youtube.com/watch?v=oWTQcOZ4yJs">trailer no You Tube</a>);</p>
<p><strong>MELHOR DOC</strong></p>
<p>&#8220;A Vermelha Luz do Bandido&#8221;, de Pedro Jorge;</p>
<p><strong>MENÇÕES HONROSAS</strong></p>
<p>&#8220;Darluz&#8221; (fic), de Leandro Godinho (<a href="http://www.youtube.com/view_play_list?p=72B9D4EE49728F46&amp;search_query=darluz">aqui</a> os vídeos promocionais);</p>
<p>&#8220;Maresia&#8221; (fic), de Christian Schneider e Natália Piva Chim;</p>
<p>&#8220;Baronesa&#8221; (doc), de Cláudia Afonso;</p>
<p>&#8220;Encanto&#8221; (doc), de Julia de Simone (veja acima a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=3f_mBZzZu54">primeira parte</a> e aqui a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=HB5yuCus914&amp;feature=related">segunda parte)</a>.</p>
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<p>Não há posts relacionados.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Bastidores do Oscar</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Feb 2009 13:30:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[diretores]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais e Mostras]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Spielberg]]></category>

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		<description><![CDATA[Muito legais esses vídeos dos bastidores pós-Oscar. Veja o papo entre Danny Boyle e Spielberg sobre a espera pelo prêmio. Não há posts relacionados.


Não há posts relacionados.]]></description>
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<p>Muito legais esses vídeos dos bastidores pós-Oscar. Veja o papo entre Danny Boyle e Spielberg sobre a espera pelo prêmio.</p>
<p><object width="308" height="235" data="http://widgets.abc.go.com/o/496e682876b273c0/49a3f5c9919baf22/49a348cc9acb3acf/2d7d87cb/-cpid/cf48ea781a7a4205" type="application/x-shockwave-flash"><param name="id" value="W496e682876b273c049a3f5c9919baf22" /><param name="wmode" value="transparent" /><param name="allowNetworking" value="all" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="src" value="http://widgets.abc.go.com/o/496e682876b273c0/49a3f5c9919baf22/49a348cc9acb3acf/2d7d87cb/-cpid/cf48ea781a7a4205" /></object></p>
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		<title>&#8220;Espelho&#8221; (curta-metragem) no festival de Tromsø, Noruega</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Feb 2009 18:11:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Festivais e Mostras]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes Nossos]]></category>
		<category><![CDATA[curta-metragens]]></category>
		<category><![CDATA[festivais & mostras]]></category>
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		<description><![CDATA[O curta-metragem &#8220;Espelho&#8221; (Mirror), dirigido por mim em parceria com Cássia Queiroz, foi convidado pelo festival &#8220;No Siesta, Fiesta!&#8221; &#8212; de Tromsø, Noruega &#8212; e já está na programação que homenageia o Brasil. Os longas-metragens convidados são: Central do Brasil, Tropa de Elite, Fuglekikkere e La Zona. Se por um acaso você estiver passeando por [...]


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</ol>]]></description>
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<p>O curta-metragem <a href="http://www.youtube.com/watch?v=pUKkJX9B480" target="_blank">&#8220;Espelho&#8221; (Mirror)</a>, dirigido por mim em parceria com Cássia Queiroz, foi convidado pelo festival &#8220;<a href="http://www.nosiestafiesta.no" target="_blank">No Siesta, Fiesta!</a>&#8221; &#8212; de Tromsø, Noruega &#8212; e <a href="http://www.nosiestafiesta.no/index.php?option=com_content&#038;view=category&#038;layout=blog&#038;id=58&#038;Itemid=111&#038;lang=pt" target="_blank">já está na programação</a> que homenageia o Brasil.</p>
<p>Os <a href="http://www.nosiestafiesta.no/index.php?option=com_content&#038;view=category&#038;layout=blog&#038;id=48&#038;Itemid=91&#038;lang=pt" target="_blank">longas-metragens convidados</a> são: Central do Brasil, Tropa de Elite, Fuglekikkere e La Zona.</p>
<p><a href="http://maps.google.com/maps?ie=UTF8&#038;oe=utf-8&#038;q=Troms%C3%B8,+Norway&#038;ll=69.654699,18.996735&#038;spn=0.212949,1.223602&#038;t=h&#038;z=10" target="_blank">Se por um acaso você estiver passeando por ali</a>, em busca da aurora boreal ou algo assim, aproveite e prestigie nosso filme. Obrigado.</p>
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		<title>O Rolex e o Celular</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Aug 2008 18:36:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Festivais e Mostras]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Roteiros]]></category>
		<category><![CDATA[Teorias & Conceitos]]></category>

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<p>Digamos, por motivos de pura ironia, que seu nome era Christian, uma vez que se mostrou tão irritado &#8212; em outra conversa velha de um ano, que agora não vem ao caso &#8212; ao tratar das &#8220;desprezíveis&#8221; raízes cristãs (<em>the christian roots</em>) do Ocidente. Christian, um diretor de cinema brasileiro, basicamente de curtas-metragens, me foi apresentando como sendo curador de um relevante festival de cinema do Rio de Janeiro. &#8220;Não se preocupe&#8221;, me disse, &#8220;pelo que ouvi falar a respeito do seu filme, com certeza irei gostar muito&#8221;. Eu não estava preocupado, mas quis saber o que ele ouvira. &#8220;Ué, bróder, me disseram que o filme era uma porrada no estômago. Fiquei curioso. Se eu curtir, ele poderá ser selecionado pro meu festival.&#8221; Estávamos na festa de encerramento de mais uma edição da Goiânia Mostra Curtas, taças de vinho à mão, enquanto, ao nosso lado, uma fila se formava para o bufê que já começara a ser servido. Era noite e o pátio da Secretaria de Cultura estava abarrotado de cineastas, atores, políticos, empresários e culturetes em geral, todos muito satisfeitos em participar de um evento do gênero. Era como se uma atmosfera cosmopolitana tivesse subitamente descido sobre a cidade. Nada como testemunhar que o cinema goiano, em particular, e o brasileiro, em geral, parecia ter finalmente tomado impulso &#8212; muito embora não se soubesse exatamente em qual direção&#8230;</p>
<p>O rega-bofes patrocinado involuntariamente pelo contribuinte seguia seu curso, enquanto eu, Christian e o também cineasta João Novaes prosseguíamos rindo e conversando sobre temas diversos. A certa altura, lembrando-me da polêmica recente a respeito do sucesso do longa &#8220;Tropa de Elite&#8221;, decidi indagar:</p>
<p>&#8220;E aí, Christian, você gostou do Tropa de Elite? Seria interessante saber de um cineasta carioca se o filme afinal é fiel ou não à realidade.&#8221;</p>
<p>O cara mudou de cor instantaneamente, ficou branco, em seguida vermelho, então franziu o cenho e começou a disparar mil petardos contra o filme. Falava na velocidade de uma metralhadora, uma dessas que os traficantes costumam usar nos morros. Mais baixo que eu, Christian às vezes me olhava por cima dos óculos, o que tornava suas sobrancelhas mais ameaçadoramente expressivas. Dizia que o &#8220;Tropa&#8221; era o filme mais mentiroso e ridículo de todos os tempos, uma enganação com DNA hollywoodiano à qual apenas a massa estúpida poderia dar algum crédito.</p>
<p>&#8220;Acho que então faço parte da &#8216;massa estúpida&#8217;&#8221;, comentei, &#8220;porque achei o filme excelente.&#8221;<span id="more-91"></span></p>
<p>Ah, pra quê&#8230; Conforme se diz, foi como cutucar onça com vara curta. Numa fração de segundo, o tom avermelhado do rosto do meu interlocutor se intensificou, como se eu houvesse emitido um anátema contra o bom senso. Tentando ocutar sua indignação, ele abriu os braços, as palmas das mãos voltadas para cima, num gesto de condescendência.</p>
<p>&#8220;Você tá me zoando, né, Yuri.&#8221;</p>
<p>&#8220;Claro que não&#8221;, contestei. &#8220;O filme é muito bom mesmo.&#8221;</p>
<p>Ele arregalou os olhos e voltou à carga. Afirmou que, além de o filme ter uma estrutura pateticamente banal, nem sequer se salvava pela descrição fiel de uma suposta realidade. Simplesmente porque não havia realidade ali, mas apenas um libelo de direita contra a vida humana. Aqueles fascistas da &#8220;faca na caveira&#8221; eram uma vergonha em matéria de direitos humanos.</p>
<p>&#8220;Mas, até onde me lembro, ninguém se salva ali&#8221;, objetei. &#8220;O Padilha não toma partido de nenhum dos lados. Apenas descreve uma situação. Os bandidos também fazem pleno uso da violência, inclusive com o tal do &#8216;microondas&#8217;&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;Aquilo é só pra massa se sentir vingada. O filme faz parecer que o Rio está tomado pela violência do narcotráfico e não é verdade.&#8221;</p>
<p>&#8220;Ah, não?&#8221;</p>
<p>&#8220;Claro que não. Só ocorrem essas trocas de tiros quando rola alguma disputa entre os barões do tráfico. No dia a dia não é daquele jeito não. A mídia é que acentua essas coisas, esses casos isolados.&#8221;</p>
<p>&#8220;Bom, mas não há como o filme deixar de sublinhar essas coisas, já que fala do cotidiano de policiais.&#8221;</p>
<p>&#8220;É uma apologia barata da polícia.&#8221;</p>
<p>&#8220;Apologia, Christian?! Mas como se o filme acaba com a polícia! Mostra todos os podres, a corrupção, as safadezas, os conluios, tudo.&#8221;</p>
<p>&#8220;Tá, me expressei mal. É uma apologia do BOPE.&#8221;</p>
<p>&#8220;O quê?! Apologia é sinônimo de &#8216;elogio&#8217;, cara. Se você acha que é um elogio apresentar um grupo como sendo responsável por atos de tortura e execução sumária, então, não sei o que você consideraria uma injúria. Acho que, no fundo, o problema de quem tem uma opinião como a sua reside unicamente no fato de o filme tomar como protagonista, em vez dum bandido, dum pseudo-herói fora da lei, o Capitão Nascimento&#8230;&#8221;</p>
<p>Ele suspirou: &#8220;É um filme totalmente imbecil. Personagens rasos, estereotipados. Esse Capitão Nascimento então&#8230; pelo amor de Deus! Que que é aquilo? Não há a menor profundidade no personagem, não há drama.&#8221;</p>
<p>Eu ri: &#8220;Não há drama?! O cara vive a um passo de levar um tiro fatal, enchendo a cuca de remédios, entrando em situações do tipo &#8216;ou mata, ou morre&#8217;, a mulher dele grávida, e não há drama?&#8221;</p>
<p>&#8220;Drama é neguinho morar no morro e não ter uma renda mínima pra sobreviver&#8230;&#8221;</p>
<p>João Novaes começou a rir e me encarou, esperando minha reação. Apenas sorri. Já havia percebido onde a coisa poderia chegar. Resolvi me ater a questões estético-artísticas.</p>
<p>&#8220;Você diz que o filme é hollywoodiano. O que há de hollywoodiano nele?&#8221;</p>
<p>Agora foi ele que sorriu: &#8220;E me disseram que você era um cara inteligente&#8230; O que é que há de hollywodiano no Tropa?! Pega a narrativa, por exemplo. É a coisa mais besta do mundo, didática, a velha história do soldado sendo preparado pra matar. Sempre a mesmice do começo-meio-fim, sem qualquer surpresa. Aquela coisa literária, explicadinha, pra gente burra poder entender&#8230;&#8221;</p>
<p>Bem, eu até poderia concordar &#8212; embora não me incomode em nada &#8212; que há um excesso de narrativa em off no Tropa de Elite. Mas não era isso o que ele queria dizer. Veio então aquele discurso que ouço há anos contra o cinema narrativo, aquele papo mais pré-maturidade artística que conheço. Para ele, o cinema deveria causar impressões, sugerir mil sensações e idéias, e não ficar entregando tudo mastigado ao público. Sim, no fundo, a mesma crítica feita à prosa narrativa, à poesia narrativa, à pintura narrativa, à fotografia narrativa e por aí vai. Com essa idéia em mente, quem faz cinema acha que narração é coisa de literatura e quem faz literatura acha que é coisa de cinema. Bobagem. Porque, afinal, o que é narrar? Narrar é dar sentido, é encontrar um nexo nos acontecimentos caóticos do mundo. Narrar é ser profundamente humano. E não é uma tarefa fácil e &#8220;mastigadinha&#8221;. Apenas uma pessoa que vive da visão, tal como um guia de montanha ou um desses índios rastreadores, consegue encontrar na bagunça da vida real, com suas múltiplas ocorrências e fenômenos, um fio de Ariadne. O mundo &#8212; a vida tal qual é &#8212; já é por si só um emaranhado infinito de impressões disparadas contra nossa capacidade intuitiva, contra nossa aptidão para apreender o Real. Que diferença faz se um criador, seja lá em qual gênero artístico atue, apenas deseja acrescentar mais um elemento impressivo ao mundo? Um a mais, um a menos&#8230; E daí? Ok, pode até ser uma postura legítima caso ele seja um decorador, um designer, um artista plástico, um estilista de moda, enfim, alguém cuja arte seja expressa espacialmente, ou melhor, sincronicamente. Mas isso é postura para um autor de cinema e literatura, para um criador cuja arte se dá no tempo, isto é, diacronicamente? Ser um decorador do tempo alheio? No fundo, ele deixa de ser artista e se torna um artesão raso, com a diferença de que se torna um artesão com um ego enorme. É como se o artista criador de impressões &#8212; de &#8220;poesia&#8221;, acredita ele &#8212; não fosse senão mais um elemento da natureza, uma margarida, um lírio, um pavão. Ele deixa de ser um observador lúcido da vida (um autor) e se torna mais um figurante do mundo, tal como aqueles &#8220;gênios&#8221; ridículos que povoam, com ironia sem par, os filmes NARRATIVOS e extremamentes brilhantes do Woody Allen, esse protagonista da própria vida. A arte desses pseudo-artistas se resume em aumentar o número de impressões que o receptor irá ter, sem, no entanto, se dar conta de que uma escalada à montanha ou a exploração de uma caverna são muito mais eficazes nesse quesito. Para que ir a uma exposição de arte ou a uma exibição de filmes causadores de impressões se um passeio na praia é muito mais satisfatório? Ao caminhar pela praia, cada grãozinho de areia acaricia meus pés, cada lufada de vento inunda minhas narinas de maresia e meu corpo de alívio, cada raio de sol aquece a minha alma, cada gota azul-esverdeada é um prazer para meus olhos. Há &#8220;instalação&#8221; melhor que uma praia? Até mesmo um jornal nos transmite mais impressões e significados que a arte de quem é incapaz de ver um sentido no mundo ou nas decisões tomadas por esta ou aquela pessoa. É como se, para esse pseudo-artista, não houvesse, não direi humanidade, mas a noção clara do que é ser uma pessoa humana. Desde tempos imemoriais é a narrativa &#8212; seja ela oral, escrita, encenada ou gravada &#8212; quem atribui sentido (significado!) ao mundo e à vida. Todo mito é uma narrativa, toda revelação religiosa é uma narrativa, toda pessoa, um ser que foi, é e será, ou seja, uma narrativa para si mesma e para os demais, um vetor. A vida é movimento e é o movimento quem nos traz o conceito de tempo. A civilização se dispõe sobre um chão narrativo onde um nexo compreensivo de causas e efeitos pode nos levar a uma vida plena de sentido. Não é nada diferente disso, não somos meros animais. Narrar é descrever essa trajetória do homem no tempo, é revelar o caminho que ele percorreu e suas possibilidades futuras. Se a poesia verdadeira nos dá vislumbres da eternidade, que é atemporal, a pseudo-poesia dos anti-narrativos, no fundo, só nos brinda com a estagnação, com a expressão de uma situação masturbatória que não vai a lugar algum. Ela faz recortes no tempo, mas não o transcende. Artistas assim acabam sendo paisagem para o Artista real, que é um viajante, que se movimenta no tempo com a cabeça na eternidade. O Artista com A maiúsculo é um Autor, não apenas o personagem dum livro de viagens alheio. Contudo, não quero também afirmar que é papel do artista narrador apenas ensinar um caminho &#8212; O Sentido &#8211;, mas principalmente mostrar aonde leva o sentido adotado por seus personagens através de suas decisões conscientes. Alguns personagens adotam o sentido geral, tradicional, outros o tangenciam e alguns vão simplesmente contra a corrente. Existem conflitos, embates de forças, competição e cooperação de sentidos. A vida é tensa. O que é a Tragédia, em termos estéticos, senão uma narrativa cujo sentido das decisões tomadas pelo protagonista pode levar ao extermínio da sua própria consciência, do seu próprio significado? O artista deveria expressar, da melhor maneira possível, suas reações às impressões que recebe do mundo e não simplesmente criar mais impressões, deixando de se sobressair ao fundo caótico das coisas. Como escreveu Fernando Pessoa, &#8220;faça o romance antes que ele lhe seja feito&#8221;.</p>
<p>&#8220;Agora, o mais absurdo&#8221;, prosseguia Christian, &#8220;é essa idéia de que a gente é cúmplice do narcotráfico.&#8221;</p>
<p>&#8220;Como é que é? A gente?&#8221;</p>
<p>O João voltou a dar risadas.</p>
<p>&#8220;É, a sociedade. É uma palhaçada colocar os estudantes como financiadores dos traficantes.&#8221;</p>
<p>&#8220;Hum, sei.&#8221;</p>
<p>Ele havia voltado às questões, digamos, ideológicas do filme. E o cara me pareceu pessoalmente ofendido com as cenas em que usuários de drogas são coagidos pelo policial André Matias. No fundo, ocorrera uma identificação com esses usuários, mas ele era incapaz de assumi-la e muito menos de transcendê-la. Ora, o filme simplesmente expõe um nexo causal ululantemente óbvio: o usuário compra a droga, o traficante usa o mesmo dinheiro para comprar armas. Simples assim. Mas isso, para ele, não passava de uma &#8220;interpretação&#8221;, de uma opinião do roteirista. É como se a lúcida observação da realidade não fosse possível, como se não houvesse maneira de encarar a vida sem uma ideologia de fundo. Para ele, o que você vê não é o que você vê, mas o que pensa que vê.</p>
<p>&#8220;Esses caras do BOPE merecem é levar bala mesmo&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;Que papo é esse, Christian&#8230; E os direitos humanos? Agora você é que está sendo o fascista.&#8221;</p>
<p>&#8220;Fascista?! Eu?! Claro que não!&#8221;</p>
<p>&#8220;Você me deu a entender que fascistas são esses caras que apelam à violência&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;Não, Yuri, fascistas são esses caras que estão aí só pra garantir aos riquinhos que eles poderão continuar nessa sociedade de consumo criminosa, nesse capitalismo selvagem&#8230; É isso mesmo, cumpadi, fascista tem de se ferrar.&#8221;</p>
<p>&#8220;Ah, saquei: então matar um policial, pode, né. O terrível aí não é o assassinato, mas sim aquilo que o motiva, né.&#8221;</p>
<p>&#8220;É óbvio.&#8221;</p>
<p>Mais um relativista absoluto, pensei. Consumir drogas, beleza. Consumir outras coisas, ah, aí não. &#8220;Que mania é essa que riquinho tem de consumir, hem?&#8221; Puts&#8230; Será tão difícil assim de compreender que o consumo, em si, não tem nada de negativo? Que o problema é o exagero? E, naquele momento, me veio à lembrança o caso ocorrido dias antes, a saber, o assalto sofrido pelo apresentador Luciano Huck, o qual lhe custou um Rolex e a absurda situação de ter de defender seu direito de se indignar com o crime sofrido.</p>
<p>&#8220;Christian, me diz aí, só pra eu entender claramente como funciona o seu raciocínio: por acaso você acha que o Luciano Huck mereceu ser assaltado?&#8221;</p>
<p>Ele quase entrou em êxtase: &#8220;É óbvio que sim!!! Deveriam ter roubado tudo dele, não só o relógio! É uma afronta, é uma ofensa terrível comprar e ostentar um relógio caríssimo como esse num lugar tão cheio de gente pobre. Pô, aquele relógio dava pra alimentar um monte de criança por meses, dava pra construir uma casa no morro com ele. E o imbecil do Huck ainda vai chorar no jornal! É um absurdo&#8221;.</p>
<p>Eu: &#8220;Mas, Christian, o Rolex foi um presente da mulher dele, da Angélica. Ele não tem o direito de usar algo comprado com dinheiro honesto?&#8221;</p>
<p>&#8220;Honesto??! O programa desses dois é pura embromação, é só uma forma de manter a galera hipnotizada, letárgica, alienada.&#8221;</p>
<p>&#8220;Cara, não interessa se o programa deles é bom ou ruim. Sem a propriedade privada, não há sociedade que se sustente. Ela pode não ser um princípio absoluto, mas é estritamente necessária.&#8221;</p>
<p>&#8220;Propriedade privada?! Propriedade privada é roubo! Só isso: rou-bo!&#8221;</p>
<p>Fiquei de cara: &#8220;Propriedade privada era roubo!&#8221;, repeti interiormente. &#8220;Essa é muito boa&#8230;&#8221; E eu, que já havia tomado umas três ou quatro taças de vinho, comecei a ter, numa velocidade incrível, idéias maquiavélicas, sacanas. Por dentro, eu já queria rir. É sempre muito engraçado observar o comportamento da dita &#8220;esquerda festiva&#8221;. O pior é que, enquanto esquerda, o pensamento dos &#8220;festivos&#8221; é atrasadíssimo. A esquerda mundial percebeu, há um bom tempo, que é necessário manter um mínimo de propriedade privada, afinal, é preciso comprar as consciências dos intelectuais, dos militantes e dos demais cidadãos. O que é a China senão um Estado socialista que usa a prosperidade capitalista para comprar consciências? Quer ter um carro? Ok, mas não escreva num blog o que você pensa sobre o sistema. Quer ter um laptop? Beleza, mas não pesquise sobre a Falun Gong no Google. Tenha, possua, mas não investigue, mas não busque e muito menos expresse a verdade sobre as coisas. Da mesma forma o Mensalão. Quer dominar e tomar em suas mãos todo o Estado? Corrompa e compre a consciência do Legislativo, os representantes do povo. O último alvo de um &#8220;revolução&#8221; assim não é a propriedade privada: é a consciência de cada um, último bastião da soberania do indivíduo. Daí ser imperativo estimular cada pessoa a mentir a si mesma: &#8220;Estou vendo isso, mas não é verdade&#8221;. Ou ainda: &#8220;Estou vendo isso, mas, como tudo é relativo, para cada um significa uma coisa. Roubar nem sempre é roubar&#8221;.</p>
<p>&#8220;Então&#8221;, repeti calmamente, &#8220;toda propriedade privada é roubo?&#8221;</p>
<p>&#8220;Claro que sim. Se não houvesse propriedade privada, não haveria explorados e exploradores.&#8221;</p>
<p>Nos encaramos por alguns segundos bastante tensos. Um silêncio se interpôs e o João Novaes, numa tentativa de &#8220;deixa disso&#8221;, desviou a conversa para outros lados. Fiquei ali, na minha, a observar o Christian atentamente, enquanto os dois papeavam sobre sei lá o quê. A certa altura, notei um volume no bolso esquerdo dele. Não, não era o pinto do figura, mas sim um telefone celular. Sem pensar um segundo sequer, eu, que sou do tipo que ultrapassa limites convencionais quando bebe, avancei e passei a apalpar o bolso do cara. Ele arregalou os olhos como se estivesse sendo assediado por uma bicha louca: &#8220;Pô, cumpadi, que é isso?! Sai fora, mermão!!&#8221;, e tentou se afastar.</p>
<p>&#8220;Calma, meu, só quero ver seu celular. É um celular, né?&#8221;</p>
<p>Com uma expressão entre atordoada e aliviada, meteu a mão no bolso e me entregou o celular: &#8220;É sim, pode olhar, porra. Mas, por favor, pára de me tocar! Parece maluco!!&#8221;</p>
<p>E eu, todo inocente: &#8220;Nossa, que bacana, ele envia emails?&#8221;</p>
<p>&#8220;Envia, recebe, entra na internet&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;Fotografa?&#8221;</p>
<p>&#8220;Fotografa, grava vídeos&#8230;&#8221;, respondeu aborrecido.</p>
<p>Eu então retirei meu celular do bolso: &#8220;O meu é GSM, mas é desses mais antigos, tem quase quatro anos já. O monitor nem é colorido.&#8221;</p>
<p>&#8220;Sei&#8230;&#8221;, atalhou com enorme falta de interesse.</p>
<p>O joão, com um olhar irônico e expectante, apreciava a cena, levando os olhos alternadamente de um interlocutor ao outro.</p>
<p>&#8220;Muito bacana mesmo&#8230;&#8221;, concluí sorrindo. &#8220;Vou ficar com ele&#8221;, sentenciei, e guardei o celular dele no meu bolso.</p>
<p>&#8220;O quê?!!!&#8221;, gritou ele. &#8220;Você ficou maluco, bicho?&#8221;</p>
<p>&#8220;Eu? Claro que não. Meu celular tá velho, as teclas tão com mal contato. Eu sei que você anda ganhando super bem lá no Rio, seu site tá bombando. Já eu, saí de São Paulo e tô vivendo como freelancer num mercado restrito como o de Goiânia. A coisa tá preta. Seu celular é meu agora, preciso dele mais do que você.&#8221;</p>
<p>Ele voltou a ficar roxo, nitidamente enfurecido: &#8220;Não, senhor, devolve já o meu celular!&#8221;, e avançou numa tentativa de tomá-lo das minhas mãos.</p>
<p>&#8220;Seu celular?&#8221;, retruquei, me esquivando. &#8220;Você vai querer me roubar agora? Propriedade privada é roubo, Christian&#8230;&#8221;</p>
<p>Ele quase sofreu um acidente vascular. Seu olhar traduzia claramente sua confusão mental. O jogo de xadrez havia chegado ao fim e ele não via outra saída senão deitar seu rei. Mas a raiva que sentia, o orgulho ferido não lhe permitiu qualquer atitude cavalheiresca.</p>
<p>E então, como golpe de misericórdia, acrescentei: &#8220;Se você quiser, você pode ficar com o meu até comprar outro&#8230; Olha que legal: tem até uma imagem de Jesus atrás dele, uma que comprei no Mercado Mundo Mix de São Paulo. Tudo a ver com seu nome cristão&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;Aaaaah!! Não quero!!&#8221;, rosnou entre dentes, empurrando minha mão. &#8220;Fica com o meu então, caraaalho!!&#8221; e, virando-me as costas, saiu pisando duro, causando no recinto tremores que apenas eu e o João sentimos. O João, aliás, caiu na gargalhada: &#8220;Ah, não, Yuri! Não acredito que você fez isso, cara!! O figura vai querer te matar agora&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;Vai nada&#8221;, respondi.</p>
<p>&#8220;Você não vai devolver?&#8221;</p>
<p>&#8220;Ué, João, você não entendeu?&#8221;, e dei uma piscadinha: &#8220;O celular agora é meu&#8221;.</p>
<p>&#8220;Vamo beber! Vamo beber!&#8221;, sugeriu ele, rindo.</p>
<p>Dali em diante, só voltei a ver o Christian mais umas duas vezes, de longe. Numa delas, me aproximei, peguei o celular dele e, enquanto ele estendia a mão para recebê-lo de volta, falei: &#8220;Não, não estou devolvendo. Só quero saber o seguinte: se o telefone tocar, eu anoto o recado pra você ou posso simplesmente dizer que o celular agora é meu?&#8221;</p>
<p>&#8220;Ah, merda pra você, cara&#8230;&#8221;, tornou ele, se afastando, pê da vida. Parece que foi nessa hora que ele foi perguntar ao João se eu era louco.</p>
<p>Daí em diante, conheci mais um monte de gente, conversei e ri até ficar sem voz, ceei, dancei e assim por diante. Claro, também ouvi muitas críticas e elogios ao meu curta-metragem, sempre mantendo a taça de vinho à mão. (Baco é um cara legal para quem sabe lidar com ele.) Bom, o fato é que, mais de uma hora depois, o Christian se aproximou para conversar. E me pediu desculpas! Disse que havia se exaltado, que discussões políticas sempre o deixavam esquentado e coisa e tal. Sim, ele estava louco para reaver seu celular. Mas não tinha moral para exigi-lo.</p>
<p>&#8220;Christian&#8221;, comecei, colocando a mão em seu ombro. &#8220;Eu fui com a sua cara já no ano passado, quando nos conhecemos. Não é minha intenção irritá-lo e muito menos iniciar uma  relação de inimizade com você. Tudo o que eu quis foi mostrar que as nossas idéias têm conseqüências. Eu não fiz nada que estivesse em desacordo com seus princípios. Eu não lhe impus minha ideologia: eu lhe impus a <em>sua </em>ideologia. Doeu? Por que teria sido diferente para o Luciano Huck? A sua propriedade é mais privada do que a dele só porque você não é tão rico? Quem pode decidir qual propriedade é mais privada que outra? Enfim, a idéia foi sua. Se você não estava apto a sustentá-la, era esse um problema apenas seu. Olha, eu tanto quero ficar de boa com você que irei trocar o <em>meu </em>celular&#8221; &#8212; e lhe estendi o celular dele mesmo &#8212; &#8220;pela sua amizade. Topa?&#8221;</p>
<p>&#8220;Topo&#8221;, respondeu aliviadíssimo, recuperando sua bem amada propriedade privada.</p>
<p>E, depois disso tudo, adivinhe se o Christian selecionou meu curta-metragem para o festival que organiza&#8230;</p>
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		<title>Novelo de Teseu</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Dec 2007 11:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Festivais e Mostras]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[festivais & mostras]]></category>

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<p><img src="http://olhosdevidro.files.wordpress.com/2007/12/festival_surv.jpg" alt="Gore" /></p>
<p>Embora voltado para a realidade do cinema independente americano, o <b>&#8220;Ultimate Festival Survival Guide&#8221;</b>, escrito por <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chris_Gore">Chris Gore</a>, traz informações bastante interessantes também para o nosso mundo aqui embaixo. Entre outras coisas, ajuda a pensar uma estratégia coerente e realista para a busca de festivais adequados a seu filme e propósitos, economizando grana e maximizando as chances de sucesso. Quem já tentou, sabe que enorme labirinto é a infinita miríade de festivais aqui no Brasil e no exterior. Catorze dólares na <a href="http://www.amazon.com/Ultimate-Film-Festival-Survival-Guide/dp/1580650570/ref=pd_bbs_sr_1?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1198108147&amp;sr=8-1">Amazon</a>, fora o frete.</p>
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