Sertão Filmes

Submarino.com.br

Arquivo da categoria 'Livros'

Mitos de Hollywood, por Luis Carlos Maciel

Como a teoria do inconsciente coletivo de C. G. Jung aprimorou a psicologia hollywoodiana.

Por Luis Carlos Maciel (autor de “O Poder do Clímax”)

Revista Bravo!

Dezembro/2001

O crítico de cinema da The New Yorker, Anthony Lane, cita coincidências impressionantes entre o filme Nova York Sitiada, dirigido por Edward Zwick, em 1998, com Bruce Willis e Denzel Washington, e a tragédia de 11 de setembro passado, em Nova York. Semelhanças foram notadas também entre o atentado e outras desconcertantes antecipações cinematográficas. Parece que Hollywood estava adivinhando o que ia acontecer, trazendo à tona premonições secretas do inconsciente coletivo.

Quando, nos primeiros anos 30, Carl Gustav Jung apresentou ao mundo a sua idéia de um inconsciente coletivo, era improvável que alguém pudesse ter percebido a sua utilidade para o já florescente cinema de Hollywood. Mas o desenrolar dos acontecimentos, a chamada história, haveria de torná-la evidente. Era inevitável. O inconsciente de Jung, como diz o nome, é coletivo, ou seja, está naturalmente presente nas platéias de todo o mundo. Inclui absolutamente todos os espectadores que passam pelas bilheterias. Contemos a história do começo. Jung sustenta que, por baixo do inconsciente pessoal, descoberto por Freud em cada indivíduo, há uma parte mais fundamental da psique humana que é comum a todos os homens, em todos os tempos e lugares, uma espécie de herança psicológica comum a toda humanidade. Em 1934, ele escreve que "o inconsciente contém não apenas componentes pessoais mas também impessoais, em forma de categorias, ou arquétipos". Esses arquétipos se expressam por meio de símbolos que se manifestam nos sonhos de todos nós e nos mitos de todas as tradições culturais. Esses mitos, explica Jung, revelam a própria natureza da alma, são metáforas de nossa realidade interna mais profunda e essencial. De todos eles, o mais comum, o mais conhecido, é o mito do herói. Ele surge nas mais distantes e diferentes culturas – e todas as suas versões, embora sejam diferentes nos detalhes, são estruturalmente muito semelhantes. Obedecem a uma forma, um padrão, universais. Na Grécia clássica, em tribos africanas ou de peles-vermelhas americanos, nos países nórdicos da Europa ou no Peru dos incas, os heróis míticos percorrem uma trajetória parecida.

Essa descoberta impressionou o norte-americano Joseph Campbell e, por intermédio dele, Jung chegaria mais perto de Hollywood. Ainda muito jovem, em fins dos anos 20, Campbell havia entrado em contato com a obra de Jung e passou a acompanhar sua trajetória intelectual. Ele haveria de se tornar célebre por ter dedicado toda a sua vida ao estudo das mitologias. Jung certamente o inspirou a assumir uma postura oposta à do estudo acadêmico convencional. A visão acadêmica se detém nas diferenças entre as mitologias e estuda os mitos em função dessas diferenças; Campbell, ao contrário, escolheu evidenciar as semelhanças, os denominadores comuns, que revelam uma espantosa unidade entre todos eles. Em 1949, ele publicou um livro intitulado O Herói de Mil Faces, cujas conseqüências foram consideráveis.

Nele, mostra que cada herói adquire a face de sua cultura específica, mas sua jornada é sempre a mesma. É o mesmo herói que, segundo Campbell, vive, não muitos, mas sempre o mesmo mito, um "monomito" – termo que ele declara ter tirado do Finnegans Wake, de James Joyce, sobre o qual publicara seu primeiro livro, A Skeleton Key to Finnegans Wake. Evidentemente, embora inspirada em Joyce, a idéia fundamental de O Herói de Mil Faces, o monomito, tem tudo a ver com o inconsciente coletivo de Jung. Em 1983, Campbell é convidado para assistir à estréia de Star Wars, de George Lucas. O roteiro do primeiro filme da saga – como de resto de todos os outros três já produzidos e, por certo, também dos que vierem ainda a ser feitos – é inteiramente construído segundo o monomito de Campbell. Lucas lera O Herói de Mil Faces e se tornara seu fã incondicional. As diferentes etapas da jornada do herói, segundo o livro, são fielmente obedecidas nesse e em todos os filmes da saga. Milhões de pessoas, em todo o mundo, a acompanharam com devoção; as bilheterias foram algumas das maiores da história do cinema. A grande revelação do primeiro Star Wars foi de que o monomito funciona. O inconsciente coletivo é, em suma, bom para os negócios.

A revelação teve muitas conseqüências. Outros cineastas como John Boorman, Steven Spielberg, George Miller e Francis Coppola também começaram a ser influenciados por Campbell. Na verdade, Jung e Campbell chegaram a Hollywood em boa companhia.

Leia mais

Imprimir | Sem comentários

O Tunelzinho da Princesa

capa-bjpeg

Neste domingo, às 15 horas, na FILC, em Campinas, acontece o lançamento do novo livro do brother Biajoni, o já famoso “Buceta – Uma Novela Cor de Rosa”.

Para quem não conhece, Biajoni é autor do lendário “Sexo Anal – Uma Novela Marrom”, uma novela pornô-policial absolutamente genial. Para usar as palavras de um grande psicanalista amigo meu – a quem apresentei o Sexo Anal (o livro apenas) -, “o Biajoni é um Machado de Assis da intimidade”. É fato, o Bia escreve pra caralho: seus livros têm um ritmo que os torna impossível de largar e uma ironia e profundidade na construção dos personagens que fazem com que o sexo explícito seja apenas a cereja do bolo.

Conheci o Biajoni porque propus a ele fazermos um roteiro cinematográfico do Sexo Anal. Na verdade, o livro já é um roteiro de filme praticamente pronto. Eu adoraria filmá-lo. Está na gaveta dos projetos, pois resolvemos primeiro roteirizar o “Virgínia Berlim”, outro de seus romances imperdíveis. O roteiro está por aí, em edital do Minc, e vamos tentando articular caminhos para viabilizá-lo.

Nos encontramos no Rio de Janeiro por uma coincidência de viagens e tomamos mais de 50 chopps no Baixo Gávea. Mas, como quem bebe com o Bia não tem ressaca, acordei são no outro dia de madrugada pra dirigir de volta até Goiânia. É uma amizade nova que parece antiga.

Enfim, crianças, tive o privilégio de ser um dos primeiros leitores do “Buceta” e posso assegurar-lhes que é mais uma pequena obra-prima e outro  roteiro cinematográfico pronto, que inclui alguns dos mesmos personagens do Sexo Anal e o mesmo cenário de cidade média do interior paulista (por coincidência, o Bia mora em Limeira). É a história da descoberta de um golpe envolvendo desmanche de carros com a participação de uma grande concessionária, de vários outros crimes que se ligam a este e de um trágico e grande amor entre dois homens. Tem de tudo: uma loira fatal bandidíssima, muitos travestis – um deles é de Goiânia (o Bia gosta de fazer pequenas homenagens a seus amigos nos livros) -, sexo de todos os tipos, crimes, sangue e bucetas.

Não perca. O livro já está em pré-venda no site da Os Vira latas.

Imprimir | 4 comentários

Vale pra música, vale pro vídeo

viralloopnetwork

20 Things You Must Know About Music Online, livro de Andrew Dubber, sugere estratégias para músicos se posicionarem bem na Internet. Acho que várias das coisas que ele aponta servem também para videomakers. No blog Musicaliquida, uma tradução das vinte dicas resumidas. O livro é um ebook que pode ser baixado de graça.

Imprimir | 1 comentário

Benicio del Toro e o filme “Che”

Em entrevista à jornalista Marlen Gonzalez, Benicio del Toro gaguejou, ficou mudo e, por fim, deve ter se arrependido amargamente da dita cuja. A primeira pergunta: “por que estrear um filme sobre Che Guevara numa cidade (Miami) onde vivem tantos cubanos vitimados por um sistema que ainda está implantado em Cuba? É uma provocação?” Benicio gagueja. E ela completa: “O filme traz uma imagem positiva do Che, e imagine que, se fosse sobre Hitler, estaria ofendendo aos judeus.” Ele diz que o Che não criou campos de concentração. E ela: “Estamos falando sobre assassinos. Não é o mesmo crime assassinar uma pessoa, cem ou cem mil?” E acrescenta: “Você sabia que o Che, quando esteve encarregado da prisão de La Cabaña, mandou fuzilar pessoalmente mais de 400 pessoas?” Benicio del Toro fala de pena de morte e ela contesta, já que foram execuções sumárias, sem julgamento. Ele afirma então que eram terroristas ligados ao ex-ditador Batista. (Santa inocência!) Ela o contesta, dizendo que foram assassinados por suas opiniões contra o governo revolucionário, por suas consciências. Ele fica muuuito desconfortável. A jornalista indaga por que o filme não mostra os fuzilamentos, os disparos que o próprio Che deu, em execuções, a sangue frio. O ator não sabe. E, por fim, ela pergunta se Benicio conhece a seguinte declaração de Che Guevara: “A forma mais positiva e mais forte que há, à parte de toda ideologia, é um tiro em quem se deve dar em seu momento”. “Não me lembro, exatamente”, responde ele. E ela lhe presenteia com o livro “Guevara: Misionero de la Violencia“, escrito por Pedro Corzo, historiador cubano e ex-preso político na ilha.

Ah, claro: a jornalista Marlen Gonzalez é de origem cubana.

Che: Part One e Che: Part Two (2008) são filmes de Steven Soderbergh.

Pedro Corzo mantém o Instituto de la Memoria Histórica Cubana contra el Totalitarismo.

Imprimir | 7 comentários

O cravo, a ferradura e a pata do cavalo

O amigo e professor Lisandro Nogueira, convencido pelo Daniel Christino, amigo e colaborador n’O Garganta de Fogo, agora tem um blog voltado à crítica cinematográfica e à discussão de filmes. Vale à pena. Há já uma boa discussão rolando sobre o valor ou não de Forrest Gump e Inteligência Artificial.

Começo em breve um programa de estudo dirigido com o Lisandro. Ando sentindo muita falta de juntar os pedaços da minha experiência empírica e das minhas leituras erráticas, soldando-os num corpo mais sistemático de conhecimento sobre teoria e história do cinema e linguagem. Estou animado.

Finalizada a campanha política, hopefully, semana que vem começo a editar o “Cartas do Kuluene”. Aliás, uploudei uma boa seleção de fotos do filme no Orkut. Acho que monto primeiro um trailer para aquecer.

Chegaram ontem mais duas encomendas técnicas que vão pra Biblioteca do Cineasta Digital: “Real World Video Compression”, de Andy Beach, e “Cinematography”, de Blain Brown. O primeiro porque muitas vezes me irrito profundamente com meu pouco conhecimento e consequentemente a capacidade que sobretudo editores têm de me engambelar nessa seara. Sempre me choca a facilidade com que, por aqui, as pessoas estabelecem de forma natural e tranquila workflows que implicam em misturas de vários codecs e desnecessárias transcodificações em série antes de se chegar ao produto final. Neste sentido, me convenço cada vez mais que tecnologia amigável gera menos trabalho, mas nem sempre resultados melhores.

O segundo faz parte de meu projeto a mais longo prazo de aprender a fotografar bem.

Imprimir | Sem comentários

Novelo de Teseu

Gore

Embora voltado para a realidade do cinema independente americano, o “Ultimate Festival Survival Guide”, escrito por Chris Gore, traz informações bastante interessantes também para o nosso mundo aqui embaixo. Entre outras coisas, ajuda a pensar uma estratégia coerente e realista para a busca de festivais adequados a seu filme e propósitos, economizando grana e maximizando as chances de sucesso. Quem já tentou, sabe que enorme labirinto é a infinita miríade de festivais aqui no Brasil e no exterior. Catorze dólares na Amazon, fora o frete.

Vai para a nossa biblioteca aí ao lado.

Imprimir | Sem comentários

Montagem e Som

Duas em um post só.

O site Filmsound é possivelmente a melhor fonte na Internet sobre design de som e teoria de som para cinema. Vai para os links aí ao lado. Nele, entre muitas coisas muito úteis, há uma página apenas de artigos de Walter Murch, o mestre da edição de imagens e som, responsável pela montagem e som oscarizados de “O Paciente Inglês” e pelo desenho de som, edição e mixagem de clássicos como “A Conversação”, “Apocalipse Now” e “O Poderoso Chefão III“.

Seu livro “In the Blink of an Eye”, já referenciado em nossa biblioteca, é leitura obrigatória.

Imprimir | Sem comentários

Biblioteca do Cineasta Digital

Nos links aí ao lado, aparece agora a “Biblioteca do Cineasta Digital”, uma página específica do blog onde serão sempre acrescentadas novas leituras: livros e documentos online que contribuam com técnicas e conceitos para nossa formação como fazedores de filme. Todo livro mencionado ou comentado em posts no blog será referenciado lá.

Imprimir | Sem comentários

Sobrevivendo no Mundo dos Festivais

A grande maioria dos longa-metragens e todos os curta-metragens produzidos no Brasil e em muitos outros países depende umbilicalmente do circuito de festivais para ganhar vida e público. É nestes eventos que os filmes passam pelo teste da crítica e onde, por esta via, diretores e profissionais do audiovisual se dão a conhecer.

Não obstante, quando terminamos um primeiro filme que consideramos digno de mostrar ao mundo, é muitas vezes difícil saber para que festivais enviá-lo, bem como se manter informado sobre os festivais que estão abrindo inscrições e ainda navegar entre as milhares de opções de eventos, gratuitos ou não, com premiações ou não, sempre à disposição. Na verdade, primeiro filme ou não, as opções são tantas (e impõem custos com Correios e inscrições) que dá quase desespero.

No Brasil, as melhores fontes de informações sobre mostras e festivais são o site da própria Ancine e o Kinoforum. Para o resto do mundo, não há nada como o site Withoutabox, que além de informações e um mecanismo de busca englobando milhares de festivais no planeta todo, possibilita cadastrar projetos e fazer rapidamente inscrições online para a maioria deles.

Finalmente, em papel, o manual indispensável é o “Ultimate Film Festival Survival Guide”, de Chris Gore. Mais que  indicar os melhores festivais para este ou aquele tipo de filme, o livro é um passo a passo para bolar uma estratégia de divulgação visando proporcionar maior visibilidade a seus trabalhos.

Imprimir | Sem comentários

O Básico do Vídeo Digital

Um ótimo manual básico, cobrindo vários aspectos e todas as etapas de produção de material audiovisual digital é o “The Essential Digital Video Handbook”, escrito por Pete May, que aliás tem um site com informações e materiais úteis. Pode ser adquirido também através da Livraria Cultura.

Imprimir | Sem comentários