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	<title>Olho de Vidro -- blog sobre cinema e vídeo digital &#187; Teorias &amp; Conceitos</title>
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	<description>Blog da Sertão Filmes, contendo discussões técnicas, e nem tão técnicas assim, sobre cinema e vídeo digital, equipamentos, filmes, etc. Afinal, como já dizia o Riobaldo, "filmar é muito perigoso..."</description>
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		<title>Constantin Noica: cinema como sintoma e como rem&#233;dio</title>
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		<pubDate>Thu, 12 May 2011 15:08:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Teorias & Conceitos]]></category>
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		<description><![CDATA[O filósofo romeno Constantin Noica, em seu livro As seis doenças do espírito contemporâneo, discorre sobre a acatolia, &#34;doença&#34; que ataca o homem europeu e, por conseguinte, o ocidental. A acatolia seria a rejeição a todo sentido geral, a toda ordem universal, atitude tão comum ao homem contemporâneo, que já não aceita Deus ou qualquer [...]


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<div class="topsy_widget_data topsy_theme_mustard" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Folhodevidro.sertaofilmes.com%252F2011%252F05%252F12%252Fconstantin-noica-cinema%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2FlLZm5R%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Constantin%20Noica%3A%20cinema%20como%20sintoma%20e%20como%20rem%26eacute%3Bdio%22%20%7D);"></div>
<p><img title="Constantin Noica" style="border-top-width: 0px; display: block; border-left-width: 0px; float: none; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; margin-right: auto; border-right-width: 0px" height="248" alt="Constantin Noica" src="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2011/05/noica.jpg" width="211" border="0" /> </p>
<p>O filósofo romeno <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Constantin_Noica" target="_blank">Constantin Noica</a>, em seu livro <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/23805408/?franq=140868" target="_blank">As seis doenças do espírito contemporâneo</a>, discorre sobre a <em>acatolia</em>, &quot;doença&quot; que ataca o homem europeu e, por conseguinte, o ocidental. A <em>acatolia</em> seria a rejeição a todo sentido geral, a toda ordem universal, atitude tão comum ao homem contemporâneo, que já não aceita Deus ou qualquer outro princípio geral organizador da realidade e das vontades humanas. Tudo é contingência, acaso, evento particular, acontecimento isolado. Noica chega a afirmar que foi graças a esse consciente menosprezo pelo geral que o anglo-saxão debruçou-se tão intensamente sobre as coisas individuais, desenvolvendo a técnica em alto grau, o que nos levou, entre outras coisas, a gêneros artísticos inéditos, tal como o cinema. Contudo, o cinema vive o duplo destino de ser tanto um sintoma de <em>acatolia</em> quanto um possível remédio para o vazio espiritual&#8230; </p>
<blockquote><p>À alegria de fazer justiça ao real imediato corresponde plenamente uma das modalidades de criação do homem enquanto artista, modalidade aliás que a técnica moderna veio favorecer dia a dia. Com o homem moderno, a <em>acatolia</em> [<em>a negação de um sentido geral</em>] encontrou seus próprios meios e sua própria arte. Criar pode significar não somente obter a projeção do individual em algo geral mas também, na indiferença por todo geral, condensar um mundo de manifestações e até de simples miragens em destinos e em figuras individuais que as sejam capazes de fixar. E, como a visão é o principal sentido fixador (tendo os quatro outros como uma propensão para o que é difuso) e o que parece verdadeiramente dar ao homem o poder de delimitar tanto a idéia (que também para os gregos era ligada à visão) como a imagem real, esse gênero de criação será o do <em>visual</em>. Tudo se pode traduzir em imagens, como se o ato criador consistisse em transportar ou transpor um mundo para uma tela. Por isso, num mundo acometido de <em>acatolia</em>, aparecem as novas artes da tela, sobretudo a cinematografia, com suas veleidades de fixar tudo no individual, incluindo a imaginação mais desenfreada, mas também com a miséria de sua condição: não encontrar seu equilíbrio artístico último — e igualmente ontológico —, que é o dos sentidos gerais. </p>
<p>Com efeito, por que essas determinações, livres como são, se fixariam em tais realidades individuais e não em outras? Há nessa fixação em simples imagens como uma forma de fundamento não-fundado. As manifestações que demandavam fixação terminam, ao fim e ao cabo, na instabilidade de casos particulares (como aliás no romance moderno) condenados a proliferar ao infinito, para responder assim, com algo da ordem da quantidade, à carência fatal de sentido. Onde falta até o eco do sentido geral, tudo soçobra no mau infinito dos particulares. A alegria de fazer justiça ao real transforma-se — tal como nossas vidas vazias de sentido — em sentimento do nada.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Não obstante, assim como a música nos parecia caracterizar a <em>atodecia</em> [<em>a negação da ordem individual</em>], agora é a arte nova, a cinematografia, e não os expedientes das artes tradicionais, que nos pode dar a medida e a cor (cinzenta) da <em>acatolia</em>. Marcada pelo signo da precariedade (ontológica, afinal de contas) de não ter nascido do geral, como as outras artes da espiritualidade religiosa ou humana em sentido amplo, a cinematografia encontrou para si uma extraordinária <em>função</em> artística, sem no entanto tornar-se uma verdadeira arte. Na verdade, ela, desde o início, cumpriu duas funções: adquiriu tanto um sentido de arte popular — como o tinha, segundo se diz, antes da Renascença, e até na Antigüidade, o teatro, que não fazia nenhuma distinção de classe — como a função de servir de campo de experimentação artístico a criadores que já não se sentem a gosto nas artes tradicionais. Em ambos os casos, a cinematografia corresponde a um mundo onde prepondera a <em>acatolia</em>. Hoje as massas já não querem ensinamento nem sentido, recusando instintivamente o geral que lhes ofereciam outrora as grandes obras e os grandes livros de sabedoria da humanidade, mas, &quot;esclarecidas&quot; como são, reclamam, na falta de sentidos gerais diretores na arte, a simples &quot;evasão&quot; pelo espetáculo; e é certo que, por este fato e sob o impacto cada vez maior da <em>acatolia</em> de nossa civilização técnica, a cinematografia conservará sua popularidade. A partir de agora essa semi-arte se mantém generosamente à disposição do criador para novas experiências artísticas, ali onde a profusão de imagens e de pensamentos não cessa de preencher o vazio deixado pela deserção da &quot;idéia&quot;: É provável que precisamente na cinematografia se tente em futuro próximo, com o máximo de felicidade, dar estatuto artístico às exigências espirituais impostas pela <em>acatolia</em> da civilização técnico-científica. E quem sabe se, mergulhando no individual, no humano e no contingente, o espírito ocidental não reencontrará um dia, às avessas talvez, o céu?</p>
<p>Nesse ínterim, vivemos num mundo onde o instrumento artístico mais difundido, o cinema, não produz arte, onde as realidades e os objetos mais numerosos, as criações técnicas, não têm investidura ontológica, e onde os conhecimentos locais menos incertos e mais indispensáveis ao homem moderno, a saber, os conhecimentos históricos e sociais, já não têm leis. Algo está desabando no mundo da <em>acatolia</em>, apesar de suas muralhas de exatidão. Já não resta ao homem, sobretudo o europeu, senão reencontrar, graças à contribuição de outros mundos do planeta — o oriental, o sul-americano e até, talvez, o infra-europeu — e ao contato com as demais doenças, sua própria riqueza espiritual, a fim de trilhar assim, ultrapassando o espírito de exatidão, alguns caminhos para a verdade, e reencontrar seu lugar de homem verdadeiro, não de laboratório, no mundo do espírito.</p>
</blockquote>
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		<title>Amir Labaki: A Entrevista no Cinema</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Apr 2011 16:47:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direção]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais e Mostras]]></category>
		<category><![CDATA[Teorias & Conceitos]]></category>
		<category><![CDATA[Amir Labaki]]></category>
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		<category><![CDATA[ética]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>

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		<description><![CDATA[Reproduzo abaixo excelente artigo de Amir Labaki sobre o uso da entrevista em documentários e as questões éticas relacionadas a tal. Amir é coordenador do &#8220;É Tudo Verdade&#8221;, o mais importante festival brasileiro de documentários. O artigo também pode ser lido no site do ETV. A entrevista no cinema Amir Labaki O recurso à entrevista [...]


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<div id="attachment_653" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><a href="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2011/04/Amir.jpg"><img src="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2011/04/Amir-300x282.jpg" alt="" title="Amir" width="300" height="282" class="size-medium wp-image-653" /></a><p class="wp-caption-text">Amir Labaki, cordenador do &quot;É Tudo Verdade&quot;</p></div>
<p>Reproduzo abaixo excelente artigo de <a href="http://www.etudoverdade.com.br/2011/apoio/amir.asp?lng=">Amir Labaki</a> sobre o uso da entrevista em documentários e as questões éticas relacionadas a tal. Amir é coordenador do <a href="http://www.etudoverdade.com.br/2011/home.asp?lng=">&#8220;É Tudo Verdade&#8221;</a>, o mais importante festival brasileiro de documentários. O artigo também pode ser lido <a href="http://www.etudoverdade.com.br/periodico/coluna/coluna.asp?lng=">no site do ETV</a>.<br />
<strong><br />
A entrevista no cinema</strong><br />
<em><br />
<strong>Amir Labaki  </strong></em></p>
<p><em>O recurso à entrevista no documentário esteve ao centro há duas semanas da 11ª Conferência Internacional do Documentário, realizada em São Paulo na Cinemateca Brasileira. O grande risco contemporâneo desse instrumento foi bem definido na mesa de encerramento pelo crítico americano Michael Renov, ao lembrar como por vezes “a ética tem sido sacrificada no altar da certeza política ou ideológica”.</p>
<p>Renov inspirou-se no filósofo francês Emmanuel Levinas (1906-1995), mais especificamente em seu “Totalidade e Infinito”, na defesa de uma “abertura para o Outro” como base de uma ética também para a entrevista filmada. Neste peculiar tipo de encontro, desenvolve Renov, o Eu deve ser como um vácuo a ser preenchido pelo Outro.</p>
<p>Depois de dividir basicamente entre três tipos os depoimentos gravados, qual sejam a entrevista, o testemunho e a confissão, o organizador do simpósio internacional Visible Evidence destacou “a entrevista-emboscada” como das formas mais rotineiras de ruptura dos princípios éticos. Seu grande mestre atual é, claro, Michael Moore.</p>
<p>Sua companheira de debate, a crítica britânica Elizabeth Cowie, iniciou sua participação lembrando certeiramente outra forma perversa de uso da entrevista, no que chamou de “ventriloquismo documentarista”. Trata-se da prática de fisgar na fala do entrevistado tão somente aquelas frases que servem à linha ideológica do cineasta entrevistador. Nem foi preciso citar Moore entre os que poderiam vestir a carapuça.</p>
<p>Em duas mesas anteriores da mesma Conferência, foi revigorante ouvir os documentaristas Marina Goldovskaya e Silvio Tendler explicando métodos distintos de trabalho que se encontram na mesma linha de “abertura para o Outro” definida por Renov. A diretora de “O Gosto Amargo da Liberdade” disse preferir o termo “conversa” a “entrevista” para sua prática de aproximar-se sem pauta e totalmente aberta para o encontro com seus personagens. Já o cineasta de “Tancredo, A Travessia” defendeu que o respeito ao entrevistado começa por um pacto essencial que inicia com a aceitação das condições solicitadas pelo visitado.</p>
<p>A partir das restrições quanto ao uso da entrevista que citei aqui há duas semanas, com a renúncia ao dispositivo em sua série ainda inédita “Imagens do Estado Novo”, convidei por escrito Eduardo Escorel a desenvolver seus argumentos para esta coluna.<br />
Comecei perguntando a Escorel sobre o que o levou à ausência de depoimentos em sua nova obra. “Em documentários que lidam com eventos do passado, não havendo testemunhas oculares da história que possam falar sobre suas próprias experiências, venho sentindo incômodo crescente, há algum tempo, com o que os chamados especialistas têm a dizer e, além de disso, ainda mais com a manipulação abusiva a que são submetidos à sua revelia na montagem”, respondeu-me o cineasta. “Entre a voz do especialista e a voz do autor em narração off, ou até em forma de depoimento, como fez Jorgen Leth em “Aarhus” (2003), acho a segunda opção mais honesta, tanto com relação ao depoente quando ao espectador”.</p>
<p>Questionei então se se trataria de uma renúncia absoluta ao instrumento da entrevista. “Não hesitaria em recorrer a entrevistas de pessoas que estivessem falando sobre suas próprias experiências de vida, presentes ou passadas”, explicou o diretor de “35 – O Assalto ao Poder” (2002).</p>
<p>“E, se me permite”, continuou, “diria ainda que nem sempre, ou quase nunca, registrar um conjunto de depoimentos, recortá-los e reordená-los, resulta em um documentário de interesse e eticamente defensável. A entrevista pode ser, e quase sempre é, apenas um mecanismo fácil de defesa contra a muitas vezes penosa experiência de lidar com situações reais sobre as quais não se tem controle. Documentários não devem ser feitos tão somente entre quatro paredes. É preciso ao menos abrir a janela, olhar para fora, sair pela porta com a câmera e ir ao encontro do inesperado”.</p>
<p>Escorel generosamente adiantou detalhes de sua corrente produção para dirimir qualquer dúvida: “Em tempo: estou editando o documentário “Paulo Moura – Vestígios” que recorre a depoimentos do próprio Paulo Moura, embora não gravados originalmente por mim, do mesmo modo que em “Deixa que Eu Falo”, de 2008, Leon Hirszman depõe em imagens de arquivo. Espero, portanto, estar claro que não estou promovendo uma cruzada pela eliminação da entrevista que submeta seus praticantes a nenhuma espécie de punição”. Tudo somado, o recurso à entrevista reinvidica o respeito a regras, mas nada de dogmas. Melhor assim. </em></p>
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		<title>Montagem versus Encenação</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Apr 2011 15:31:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direção]]></category>
		<category><![CDATA[diretores]]></category>
		<category><![CDATA[Edição]]></category>
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		<description><![CDATA[Texto publicado no Jornal Opção. Desde Sergei Einsenstein, tornou-se lugar comum dizer que o coração do cinema está na montagem. Contar uma história ou transmitir um raciocínio organizados através de uma sequência descontínua de fragmentos temporais seria a essência da linguagem da sétima arte. O grande montador Walter Murch (Apocalypse Now, O Paciente Inglês, etc.) [...]


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			<content:encoded><![CDATA[
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<p><iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/Nz92VVp6et0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><em>Texto publicado no <a href="http://www.jornalopcao.com.br/posts/opcao-cultural/montagem-versus-encenacao">Jornal Opção</a>.<br />
</em><br />
Desde Sergei Einsenstein, tornou-se lugar comum dizer que o coração do cinema está na montagem. Contar uma história ou transmitir um raciocínio organizados através de uma sequência descontínua de fragmentos temporais seria a essência da linguagem da sétima arte.</p>
<p>O grande montador <a href="http://www.imdb.com/name/nm0004555/">Walter Murch</a> (Apocalypse Now, O Paciente Inglês, etc.) reforçou essa idéia, propondo a hipótese, em seu seminal <a href="http://www.travessa.com.br/NUM_PISCAR_DE_OLHOS_A_EDICAO_DE_FILMES_SOB_A_OTICA_DE_UM_MESTRE/artigo/a04adc60-e2b1-4393-88f5-da84dfd0fd08">“Num Piscar de Olhos”</a> (Jorge Zahar Editores), de que a montagem cinematográfica emula a maneira pela qual nosso cérebro capta a realidade – descartando fatias menos importantes dos estímulos que chegam e se concentrando nos elementos fundamentais. Para Murch, o piscar dos olhos seria o equivalente, na vida real, do corte no cinema.</p>
<p>O professor <a href="http://www.davidbordwell.net/">David Bordwell</a>, entretanto, um dos mais respeitados teóricos contemporâneos do cinema, contesta tais idéias. Para ele, o que ocorre é que o cinema se tornou nas últimas décadas crescentemente uma arte da montagem, em detrimento das possibilidades igualmente importantes da encenação ou mise-en-scène.</p>
<p>Por encenação, entenda-se o conjunto dos elementos cênicos que, articulados, ajudam a contar uma história e transmitir emoções e idéias: luz, cenografia, figurinos, a posição e movimentação dos atores.</p>
<p>Montagem e encenação se complementam, mas, num certo nível, se opõem. Dar preferência à encenação significa, grande parte das vezes, privilegiar planos-sequência, isto é, aqueles sem cortes e/ou planos fixos, onde a profundidade de campo e a movimentação dos atores, auxiliadas por uma disposição engenhosa de elementos de cenografia, têm mais relevância para contar a história do que os cortes entre vários tipos de planos.</p>
<p>A maioria dos diretores de hoje &#8211;  e mais ainda em Hollywood – abandonou quase por completo os recursos da mise-en-scène. Todos operam utilizando um estilo muito parecido – praticamente uma fórmula &#8211; essencialmente calcado numa montagem cada vez mais acelerada. A quantidade de cortes nos filmes ajuda a demonstrar essa afirmação. Segundo Bordwell, “do começo do cinema sonoro até a década de 1960, a maioria dos filmes de Hollywood continha entre 300 e 700 planos, com uma duração média dos planos variando entre oito e 11 segundos.” Essa duração média cai para dois a oito segundos na década de 1990, com muitos filmes chegando a terem mais de dois mil planos. Embora os filmes de ação evidentemente puxem esses números, com suas montagens frenéticas, comédias românticas não ficam muito atrás, ele aponta, com filmes como Shakespeare Apaixonado (1998), Noiva em Fuga (1999) e Jerry Maguire (1996) tendo uma duração média de planos entre quatro e seis segundos.</p>
<p>Em oposição a essa maneira de contar histórias com imagens, para quem gosta de cinema, é fundamental saber que há um vasto conjunto de cineastas que relegam a montagem a segundo plano em seu estilo de dispor da linguagem cinematográfica. Os japoneses Kenji Mizoguchi e Yazujiro Ozu, o americano Orson Welles, o grego Theo Angelopoulos e o taiwanês Hou Hsiao-Sien, entre outros, são todos mestres no uso da profundidade de campo e do plano-sequência. </p>
<p>Em seu único livro publicado em português, <a href="http://www.travessa.com.br/FIGURAS_TRACADAS_NA_LUZ_A_ENCENACAO_NO_CINEMA/artigo/3e59d8f5-ad8a-48f4-b2b5-17341d77d1c6">“Figuras Traçadas na Luz”</a> (Editora Papirus), David Bordwell analisa as estratégias de mise-en-scène de alguns deles. Como exemplo lapidar da força e do potencial da encenação, ele cita uma cena de “Paisagem na Neblina”, de Angelopoulos, onde a protagonista Voula, uma menina de 12 anos, é estuprada por um caminhoneiro. Na paisagem desolada, cinzenta e chuvosa de uma estrada, o caminhão para no acostamento. O caminhoneiro desce puxando a menina e entra com ela na carroceria. A câmera fica do lado de fora &#8211; nossa visão, toldada pela lona que a encerra – e, por longos minutos sem cortes, assistimos ao caminhão sem ver o que acontece lá dentro, mas sabendo-o bem. A posição da câmera, com o caminhão dominando o quadro e a estrada ao fundo magnetizam nosso olhar e tornam todo o acontecimento ainda mais chocante por sua “sinistra inevitabilidade”.</p>
<p>Conhecer esses mestres da encenação abre todo um novo horizonte em relação ao potencial da linguagem cinematográfica.</p>
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		<title>Cinema X Vídeo: A Questão da Escala</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Dec 2010 13:20:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direção]]></category>
		<category><![CDATA[Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Equipamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Teorias & Conceitos]]></category>
		<category><![CDATA[mise en scene]]></category>
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		<description><![CDATA[Escala é um problema a que nem todos os diretores dedicam a atenção necessária quando pensam seus enquadramentos e fazem suas escolhas no set e na ilha de edição. Parece óbvio quando dito, mas nem todo mundo se dá conta: faz toda a diferença se o filme vai ser exibido na televisão, numa sala de [...]


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<p><a href="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2010/12/EasyLookA.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-619" title="EasyLookA" src="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2010/12/EasyLookA-300x253.jpg" alt="" width="300" height="253" /></a></p>
<p>Escala é um problema a que nem todos os diretores dedicam a atenção necessária quando pensam seus enquadramentos e fazem suas escolhas no set e na ilha de edição. Parece óbvio quando dito, mas nem todo mundo se dá conta: faz toda a diferença se o filme vai ser exibido na televisão, numa sala de cinema ou numa tela de computador.</p>
<p><a href="http://www.amazon.com/Blink-Eye-Revised-2nd/dp/1879505622/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;qid=1293023622&amp;sr=8-1">Walter Murch</a>, o mestre hollywoodiano da montagem, edita sempre com um bonequinho de papel à frente da tela do computador – feito na proporção de um espectador na sala de cinema -, como forma de se lembrar do tamanho das imagens e da maneira pela qual essa resolução afeta nossa percepção delas.</p>
<p><a href="http://www.davidbordwell.net/blog/?p=6885">David Bordwell</a> afirma ser perceptível a mudança gradual de ênfase nos planos – com uma predominância crescente de planos mais fechados – à medida em que o uso do video assist se popularizou nos sets de cinema ao longo do tempo. Tendo um monitor pequeno como referência, os diretores tendem a julgar de forma equivocada a visualização de objetos, feições e movimentos nos planos e acabam preferindo enquadramentos mais aproximados, que assegurem a percepção plena de reações ou detalhes de uma determinada cena.</p>
<p>Há algum tempo atrás dirigi um comercial que seria veiculado apenas em salas de cinema. Em uma das cenas, a atriz segurava um cartaz, de aproximadamente 150  X 100 cm  que continha determinado conteúdo que deveria ser visualizado pelos espectadores. De nada adiantaram meus argumentos junto à agência de que um plano médio, com a atriz de corpo inteiro em quadro, seria mais do que suficiente – e mais elegante – para uma tela de cinema, onde o cartaz ganharia quatro vezes seu tamanho real, e de que encher a tela com um close do objeto resultaria em uma imagem agressiva e, no fim das contas, feia. Como eu não dispunha de uma tela de cinema para embasar meu argumento, a agência insistiu. O resultado na tela grande ficou medonho.</p>
<p>Essa falta de reflexão sobre escala se soma ainda a vários outros fatores para reforçar a predominância  do uso de planos americanos e primeiros planos. Primeiro, a necessidade de narrativas na média muito pobres de não deixar margem de dúvida para o espectador, o que, de certa forma, equivale a confiar pouco em sua inteligência: tudo deve ser esfregado em sua cara e reiterado repetidas vezes, se possível. Segundo, sobretudo na publicidade, orçamentos baixos impedem um trabalho de arte mais esmerado nas locações: não dá pra ficar mostrando demais os ambientes. Por fim, há a escolha de caminhos já conhecidos e algoritimos mais seguros de decupagem de sequências pelos diretores. É mais fácil montar trabalhando com planos mais fechado do que fazer planos-sequência e trabalhar com uma mise-en-scene  elaborada, que demanda muito ensaio e marcação com os atores. Sobretudo se o cronograma for apertado, acaba sendo mais fácil dividir  cena em vários planos.</p>
<p>Não obstante as restrições de orçamento e tempo, é fundamental dedicarmos reflexão e treinarmos o olhar para calibrar enquadramentos na escala mais adequada.</p>
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		<title>O cinema de John Ford: vitória moral</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Nov 2010 20:17:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direção]]></category>
		<category><![CDATA[diretores]]></category>
		<category><![CDATA[Teorias & Conceitos]]></category>
		<category><![CDATA[Direção cinematográfica]]></category>
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<p><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px" title="John Ford" border="0" alt="John Ford" src="http://blogdo.yurivieira.com/wp-content/uploads/2010/11/john_ford2.jpg" width="198" height="263" /> </p>
<blockquote><p>« Operada a necessária distanciação, que pode motivar um julgamento mais profundo, creio que a obra de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000406/" target="_blank">John Ford</a> resiste e persiste. A pureza da sua encenação, sempre imediatamente visual, sempre simples – e portanto essencial – assenta sobretudo na sugestão dinâmica do enquadramento (“moving picture” em que tudo ocorre), na “montagem invisível” dos planos quase sempre fixos, sem efeitos nem piruetas técnicas, e na qualidade humana das personagens, levemente carregada no bem e no mal, que as torna fascinantes diante do espectador.</p>
<p>« Qualquer filme de Ford, nos últimos anos sem certos formalismos naturalistas ou expressionistas que prejudicavam a sua veia mais genuína, é um apelo à vida, à esperança, à possibilidade de os homens se encontrarem, mesmo que para tal encontro tenha de ser usada a força. É o sentido da comunidade, da família, do homem nascido da terra e da tradição, buscando as suas verdadeiras raízes, que preocupa o cineasta, que na pureza dos espaços livres do Oeste, do mundo dos pioneiros, ou nos raros refúgios de paz encontra as linhas depuradas de união.</p>
<p>« Os dois John Ford, de que falava Domingos Mascarenhas, acabam por ser um único, pois toda a sua obra é afinal uma obra visão, aparentemente contraditória, defendendo aqui a actualidade para logo ali lhe preferir a lenda, propondo numa altura certas figuras de chefe para sugerir mais adiante a rebeldia de uns quantos, esquecendo várias vezes a mulher para logo a valorizar, cantando os feitos da cavalaria americana para defender depois o povo índio contra essa mesma cavalaria.</p>
<p>« Essa duplicidade funciona sobretudo ao nível da visão dos filmes, quase sempre muito directos e muito fáceis de entender numa primeira apreciação, muito mais profundos e subtis para lá dessa visão inicial de superfície, ricos de pormenor, de observação humana, de original entendimento das coisas.</p>
<p>« Tal processo de aparências é sobretudo detectável de modo como constrói a vitória das suas personagens centrais, aparentemente derrotadas, mas glorificadas nessa mesma derrota, vencedoras no plano dos valores, símbolos de algo perene que ultrapassa o homem. Talvez por isso os seus “heróis” sejam personagens secundárias da história, mas ricas de humanidade e sabedoria, verdadeiros amigos, marcos evidentes da família humana.</p>
<p>« A sua ideia mais profunda é a do retorno às origens, uma espécie de renascer que, como católico, o leva a adoptar o pensamento essencial da Ressurreição. E, se me dessem a escolher, dentre as muitas frases-chave da sua obra, escolheria com certeza as palavras finais de “<a href="http://www.imdb.com/title/tt0038160/" target="_blank">Homens para queimar</a>” [no Brasil, “Fomos os sacrificados”], quando os sobreviventes caminham ao longo da praia abandonada, sem rumo certo, mas com a certeza de que os seus passos levam a melhores dias: “We shall return” – havemos de voltar.»      <br />_____</p>
<p><strong>Fonte</strong>: <a href="http://books.google.com.br/books?id=z1DYPAAACAAJ" target="_blank"><em>John Ford</em></a>, de Luis de Pina.</p>
</blockquote>
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		<title>Bráulio Mantovani: &#8220;Idéias sem forma são apenas idéias&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Nov 2010 10:12:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Roteiros]]></category>
		<category><![CDATA[Teorias & Conceitos]]></category>
		<category><![CDATA[cinema brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>

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<p>Do <a href="http://www.planetatela.com.br/noticia.php?new_id=882" target="_blank">Planeta Tela</a>: </p>
<blockquote><p>Enquanto isso, um de seus roteiristas, Bráulio Mantovani, deu um puxão de orelhas nos críticos de cinema esta semana. Quando questionado pela jornalista Maria do Rosário Caetano sobre a não inclusão do nome de Wagner Moura como co-roteirista do filme [Tropa de Elite 2], Mantovani afirmou: “Para ser co-roteirista, é preciso sentar-se junto ao computador e escrever. Dar idéias não é o mesmo que escrever roteiros. <strong>Como disse Mallarmé a Degas: um poema não se faz com idéias, um poema se faz com palavras.</strong> O mesmo raciocínio se aplica à escrita de roteiros. Wagner Moura, assim como Daniel Rezende, Rodrigo Pimentel e outros, fizeram leituras críticas e deram sugestões para as muitas versões de roteiro de Tropa de Elite 2. Mas quem sentou a bunda diante do computador para dar forma dramática às idéias que iam surgindo fomos José Padilha e eu. Era a nossa a responsabilidade de resolver os problemas da narrativa”. </p>
<p>E conclui: “Ninguém em Tropa de Elite 2 tem crédito não merecido e ninguém deixou de ser creditado pelo trabalho que fez. A participação intensa do Wagner no roteiro corresponde ao que se espera de um coprodutor (assim como eu, que também tenho o mesmo crédito, participei da montagem e de todas as decisões importantes relacionadas à produção e ao lançamento do filme). <strong>Já está na hora de vocês críticos assimilarem a evolução do trabalho do escritor no cinema brasileiro</strong>. Desde que nós fundamos a AC (Autores de Cinema), o crédito de roteiro passou a ser encarado com mais rigor, mais seriedade e mais profissionalismo. A era dos diretores que assinam roteiros sem sequer saber escrever direito acabou. <strong>Idéias sem forma são apenas idéias. Arte é forma</strong>”.</p></blockquote>
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		<title>O que é um McGuffin, mister Hitchcock?</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 00:25:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[diretores]]></category>
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		<category><![CDATA[Teorias & Conceitos]]></category>
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		<description><![CDATA[McGuffin by Hitchcock from isaac niemand on Vimeo. voice form the 1972 interview with Dick Cavett Posts relacionados:Scorsese, Hitchcock, Stones Entrevista com Robert McKee na revista Época Charles Chaplin: Erros de gravação A Fórmula Secreta de Tim Burton


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			<content:encoded><![CDATA[
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<p><object width="480" height="270"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12375002&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ff9933&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12375002&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ff9933&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="480" height="270"></embed></object>
<p><a href="http://vimeo.com/12375002">McGuffin by Hitchcock</a> from <a href="http://vimeo.com/user3889173">isaac niemand</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
<p>voice form the 1972 interview with Dick Cavett</p>
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		<title>&#8220;Guru de Hollywood&#8221; critica falta de escritores no cinema brasileiro</title>
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		<pubDate>Fri, 14 May 2010 16:59:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política Cultural]]></category>
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		<description><![CDATA[(Fonte: Folha Online.) RAFAEL CALIXTO TAUIL da Reportagem Local O escritor Robert McKee, um dos principais consultores de roteiros de Hollywood, afirmou que o principal problema do cinema brasileiro é a falta de roteiristas. Para ele, a classe no país é &#8220;desunida, preguiçosa e medrosa&#8221;, com uma produção norteada pela adaptação de romances literários. Aos [...]


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<p>(Fonte: <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u734832.shtml" target="_blank">Folha Online</a>.)<br />
<strong> RAFAEL CALIXTO TAUIL</strong><br />
da Reportagem Local</p>
<p>O escritor Robert McKee, um dos principais consultores de roteiros de Hollywood, afirmou que o principal problema do cinema brasileiro é a falta de roteiristas. Para ele, a classe no país é &#8220;desunida, preguiçosa e medrosa&#8221;, com uma produção norteada pela adaptação de romances literários.</p>
<p>Aos 69 anos, o norte-americano de Detroit é um dos mais conhecidos mentores de roteiristas para cinema e TV. Seu livro, intitulado &#8220;Story&#8221;, tornou-se um tipo de bíblia para os aspirantes à carreira de escritor.</p>
<p>McKee está em São Paulo para ministrar seu minicurso, lançado há 25 anos e que já formou mais de 50 mil alunos, entre diretores, produtores, atores e roteiristas. Segundo ele, seus pupilos já levaram 33 Oscar e 168 Emmy &#8211;com produções como &#8220;O Senhor dos Anéis&#8221;, &#8220;Friends&#8221;, &#8220;Seinfeld&#8221;, &#8220;Forrest Gump&#8221;, &#8220;Arquivo X&#8221; e &#8220;Grey&#8217;s Anatomy&#8221;, entre outros</p>
<p><strong>Divulgação </strong></p>
<p>O roteirista e consultor Robert McKee, que está em SP para dar curso<br />
&#8220;[O que falta é] o roteiro. Vocês têm ótimos atores, ótimos diretores, vocês têm tudo que os melhores países têm. Se um filme no Brasil é bom, ele geralmente é a adaptação de um livro. <strong>Muitas vezes o cinema brasileiro tem que esperar escritores fazerem bons livros que podem ser adaptados. Precisa parar de se &#8216;canibalizar&#8217; os romances&#8221;, falou McKee, em entrevista à Folha</strong>.</p>
<p>&#8220;A cada um ou dois anos, em média, surge um brilhante filme brasileiro. A reputação do Brasil, em geral, é boa no exterior. Com a Argentina, são os países mais famosos do continente sul-americano.&#8221;</p>
<p>Perguntado se o fato de as maiores produções do cinema nacional receberem subsídio do governo, o consultor afirmou que não conhece a fundo a situação do Brasil, mas que já viu a situação se repetir na Europa. &#8220;A Suíça financia o cinema, mas não são feitos filmes suíços sobre seu sistema bancário corrupto&#8221;, respondeu.</p>
<p>McKee esteve nesta quinta-feira também no Ecine (Escritório de Cinema) da Secretaria de Cultura de São Paulo. Durante a palestra que deu, aproveitou para criticar novamente a falta de roteiristas no Brasil e questionou a falta de um sindicato especializado da categoria.</p>
<p>Com um sindicato, acrescentou, uma greve (similar a que recentemente criou um entrave nos EUA) faz parar TV e cinema &#8211;&#8221;porque tudo começa com o roteirista&#8221;, disse.</p>
<p><strong>Quanto à questão do financiamento governamental</strong>, McKee afirmou ainda que <span style="text-decoration: underline;">os escritores brasileiros serão covardes se alterarem suas produções por conta do vínculo. Ou então são preguiçosos, por não buscarem levantar orçamento privado para realizarem seus filmes</span>.</p>
<p>&#8220;Precisa criar-se uma cultura de escritores para cinema. Quando venho para o Brasil, essa é minha missão: incitar a escrever.&#8221;</p>
<p><strong>Workshop</strong></p>
<p>O curso de McKee em São Paulo começa neste sábado, 15. Os quatro dias de aula saem por R$ 1.250, e as inscrições podem ser feitas no site do evento.</p>
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		<title>Entrevista com Robert McKee na revista Época</title>
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		<pubDate>Wed, 12 May 2010 15:44:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Roteiros]]></category>
		<category><![CDATA[Técnicas]]></category>
		<category><![CDATA[Teorias & Conceitos]]></category>
		<category><![CDATA[cinema brasileiro]]></category>
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		<description><![CDATA[Robert McKee: &#8220;Ignore as partes chatas da vida&#8221; (Fonte: Época #625) O professor de roteiro mais famoso de Hollywood vai ensinar a fórmula que já rendeu 33 Oscars e 168 Emmys Por LÍVIA DEODATO Robert McKee é professor dos professores de roteiro de Hollywood. E de alguns dos atores, romancistas, jornalistas e literatos mais premiados [...]


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			<content:encoded><![CDATA[
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<h2><span style="color: #ff9900;">Robert McKee: &#8220;Ignore as partes chatas da vida&#8221;</span></h2>
<p>(Fonte: <a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI139101-15220,00.html" target="_blank">Época #625</a>)</p>
<p><strong>O professor de roteiro mais famoso de Hollywood vai ensinar a fórmula que já rendeu 33 Oscars e 168 Emmys</strong><br />
Por LÍVIA DEODATO</p>
<p>Robert McKee é professor dos professores de roteiro de Hollywood. E de alguns dos atores, romancistas, jornalistas e literatos mais premiados do momento &#8211; como Kirk Douglas e Peter Jackson. Está a caminho do Brasil na semana que vem para ensinar os princípios que regem uma boa história. Para participar, acesse: <a href="http://www.mckeestorybrasil.com/" target="_blank">www.mckeestorybrasil.com</a>. O site avisa que ainda existem 550 vagas, mas a assessoria do evento diz que há apenas 100 disponíveis. Vai acontecer entre os dias 15 e 18 de maio, das 9h às 19h30 (com intervalo), no Teatro das Artes no Shopping Eldorado, em São Paulo. No dia 14 de maio, das 14h às 19 horas, McKee tem encontro marcado com roteiristas de diversos filmes brasileiros, entre eles Dois filhos de Francisco, Cidade de Deus e O quatrilho, na Galeria Barcalli, na Vila Madalena, também em São Paulo. Abaixo, a entrevista completa.</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; Existe segredo para o bom roteiro?</strong><br />
<strong>ROBERT MCKEE</strong> &#8211; Seria o mesmo que perguntar qual é o segredo da boa música. Para contar uma boa história é preciso ir até a biblioteca pública da esquina. Não há segredo. É uma forma de arte em que o artista deve recorrer aos estudos, à pesquisa, a um curso superior, assim como um bom compositor precisa se graduar para compreender os princípios da composição.</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; O senhor acredita que qualquer pessoa pode escrever uma boa história?</strong><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Você precisa ter um talento enorme, ser inteligente, ter uma profunda experiência na vida e conhecimento do assunto que os personagens vão tratar. Com conhecimento e inteligência, a criatividade ganha força. Na verdade, bem poucas pessoas podem escrever boas histórias.</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; Como é o seu workshop? O senhor ensina truques eficientes?</strong><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Não. Você deve se comprometer com a inteligência e o sensibilidade dos espectadores. Você deve entregar às pessoas uma história que desperte interesse e que as envolva com a humanidade dos personagens. Não existem regras. As pessoas que pensam em regras para contar histórias produzem um trabalho plástico e artificial. O que existem são princípios. Princípios de expressão visual, por exemplo, assim como há princípios para compor e pintar em escolas superiores. Os princípios norteiam os “artistas da história” quando realizam seus trabalhos para o palco, para uma página ou para a tela.</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; Qual seria o primeiro passo para se escrever uma boa história? Um tema interessante?</strong><span id="more-502"></span><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Na prática, descobre-se a história enquanto ainda se está escrevendo. Você pode, sim, ter uma ideia antes de começar a escrever, mas você não necessariamente precisa dela pra começar. Você pode escolher iniciar o seu texto com um personagem, uma situação qualquer da vida, uma menção à infância, com casamento, com política. A partir daí, começa a desenvolver as cenas, explorando elementos com uma pesquisa bem feita e muita imaginação. Começar a escrever com uma ideia pronta de como a história vai começar e de como ela vai terminar é raro.</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; Mas encontrar o final não é tão importante como saber como começar?</strong><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Encontrar o final é o mais incrível salto criativo. É a peça mais importante que o escritor desenvolve. Mas achá-lo é um longo processo. Tem de haver muita experimentação e improvisação. O clímax final é a concentração de todos os significados, todas as emoções, a revelação profunda da verdade do personagem.</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; Você acredita que esses princípios podem ser úteis para outras áreas, como peças de teatro, reportagens, romances?</strong><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Sim, claro. Meu curso se chama Enredo (Story). Documentaristas, historiadores, biógrafos, produtores e diretores de cinema e de TV estão constantemente descobrindo histórias atuais e reais. Contar histórias é a forma universal de comunicação e os princípios para se contar histórias são os mesmos, não importa a mídia. As pessoas que procuram pelo meu workshop não são apenas roteiristas de cinema ou TV. São romancistas, dramaturgos, jornalistas.</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; O senhor acredita que o seu livro, Story &#8211; Substância, Estrutura, Estilo e os Princípios da Escrita de Roteiro, que já foi traduzido para 30 línguas, vá sempre precisar de novas edições conforme se agregam ideias inovadoras?</strong><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Sim. Estou planejando uma nova edição, que vai ter duas vezes o tamanho dessa original, com dois volumes. E eu espero ter isso tudo pronto daqui cinco anos.</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; O senhor ainda aprende com seus alunos?</strong><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Sim. Os inovadores estão sempre me ensinando. Há uma série de TV sendo exibida agora nos Estados Unidos, chamada Damages, cuja estrela é Glenn Close (AXN). Ela é escrita por três rapazes que foram meus alunos. Eles fizeram algumas coisas extraordinárias usando flash forwards, que eu nunca tinha visto antes. Outro dia almoçamos juntos em Nova York e eles me contaram sobre como tiveram essa ideia – e me deram um gancho para uma nova edição do livro. Na sala de edição, começaram a experimentar algumas coisas e descobriram essa técnica, que algumas vezes irrita as pessoas, mas a maioria gosta bastante.</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; O senhor acredita que o seu workshop pode uniformizar o modo da escrita de roteiros no futuro?</strong><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Eu sempre repito aos meus estudantes: não anotem nada no meu workshop como se isso fosse uma fórmula. Eles têm de criar a sua própria forma. Eu sei que algumas pessoas se desesperam e só querem obter sucesso. Não querem ser inovadoras, querem copiar. Voltemos à analogia da música: não existe fórmula para música, mas muitas pessoas imitam o que já foi feito, não imitam? Eles copiam uns aos outros porque eles querem alcançar o mesmo sucesso. Infelizmente é o que acontece. Eu ensino a fórmula para libertar os escritores, cujo conteúdo é eternamente flexível, e assim fazer algo realmente verdadeiro e bonito.</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; Quem foi o seu melhor aluno? Pode citar um, pelo menos?</strong><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Eu nunca brinco com isso. Existem tantos roteiristas maravilhosos e tão diferentes. Você não pode comparar escritores de comédia com os de drama. Nem os de ação com os que contam histórias de família. Sou muito grato por poder ensiná-los, conhecê-los e assistir ao seu sucesso.</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; Como foi participar do filme Adaptação, de 2002? Foi você quem criou o seu próprio personagem?</strong><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Eles me ligaram e me disseram que Charlie Kaufman queria me usar como personagem. Eu disse que queria ler o roteiro. Achei que fosse ser muito divertido, mas disse que deveríamos fazer algumas reuniões criativas porque eu não poderia ser personagem de um filme ruim (risos). E naquele momento, eles estavam com alguns sérios problemas de história. Também disse que eu teria que ter controle do elenco. Meu querido amigo Brian Cox é um ator maravilhoso que soube criar meu personagem de forma muito honesta e engraçada.</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; O quanto de você existe naquele personagem? Você é bravo daquele jeito?</strong><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Quando o meu filho viu o filme, ele disse: “Pai, entenderam você perfeitamente!” (risos). Mas eu não sou tão bravo assim, exageraram porque estavam se divertindo. Nunca fiquei bravo por alguém me fazer uma pergunta. Mas eu fico, ocasionalmente, quando as pessoas são rudes. Pessoas que não desligam os celulares, que conversam, que se comportam mal e tiram a atenção de outros alunos. Mas nunca gritei com ninguém.</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; No filme, quando o Nicolas Cage pergunta sobre a possibilidade de escrever um roteiro em que não acontece muita coisa, &#8220;assim como é a vida&#8221;, seu personagem discorda, aos gritos. Você está de acordo com ele?</strong><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Sim, claro. Alfred Hitchcock disse: “história é realidade sem as partes chatas”. Ele está certo. Ignore as partes chatas em que nada acontece porque isso não significa nada para um filme ou uma peça. Concentre-se nos pontos de mudança. Seres humanos passam por mudanças, tanto para o bem como para o mal. Senão, contar histórias não faria sentido.</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; Você conhece os filmes brasileiros? O que acha deles?</strong><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Conheço os clássicos, como Dona Flor e seus dois maridos, Central do Brasil, Orfeu, O beijo da mulher aranha. Tenho grande admiração pelo cinema brasileiro.</p>
<p>É<strong>POCA &#8211; Muitas pessoas criticam o cinema brasileiro por ele explorar em grande parte a miséria. Sendo americano, o que você pensa sobre isso?</strong><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Você quer dizer que os diretores não se interessam em fazer filmes sobre a classe média? Os críticos acreditam que eles colocam o Brasil sob uma luz ruim? Que eles não deveriam filmar o sofrimento e a pobreza, e sim quão felizes as pessoas são no Brasil?</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; Não, mas que talvez fosse o caso de contar histórias mais internacionais, como por exemplo a do filme argentino ganhador do Oscar, O Segredo dos Olhos&#8230;</strong><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Posso afirmar que O beijo da mulher aranha é universal e Dona Flor é um dos filmes mais bonitos que já vi. Sonia Braga é um gênio, uma ótima atriz. E esses filmes não falam a respeito da pobreza. Eu acredito que nunca se deve dizer a um artista para onde ele deve ir caçar histórias. Ele vai atrás do assunto que realmente importa para ele. A única coisa que eu peço é que eles “escavem” a superfície da vida e expressem a verdade contida ali. Como e por quê o que acontece, acontece. O assunto é escolha deles.</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; Por que você preferiu ensinar a atuar como roteirista?</strong><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Eu descobri o que eu amo fazer, que é estudar, adquirir conhecimento na arte da escrita, escrever e ensinar como escrever. É muito mais excitante e satisfatório para mim do que criar roteiros para a tela. Eu já fiz muitos roteiros para filmes, séries, shows. Já vendi muitos roteiros para Hollywood. O que eu descobri oferecendo palestras sobre a arte de escrever é que esse é o meu lar. Muitos de meus alunos, que não são só roteiristas, mas sim escritores, jornalistas, romancistas, também já ganharam prêmios de literatura, como o Livro do Ano, Pulitzer. Esses últimos 25 anos de trabalho foram os mais maravilhosos, satisfatórios e excitantes da minha vida.</p>
<p><strong>ÉPOCA &#8211; Sem contar a potente injeção de verbas, por que você acha que os Estados Unidos serve como modelo na indústria do cinema hoje?</strong><br />
<strong>MCKEE</strong> &#8211; Hollywood não foi sempre o modelo. Se voltarmos à era silenciosa, os longas alemães eram o centro do mundo. Entre o final da 2ª Guerra Mundial e os anos 1970, a Europa era o eixo. E nos últimos 10 ou 15 anos, os filmes asiáticos têm sido os melhores do mundo – particularmente os coreanos e, é claro, os japoneses. Os filmes hollywoodianos têm obtido mais sucesso comercialmente. Eles fazem mais dinheiro do que outros. Porque nós temos atores, produtores e diretores muito bons e Hollywood sabe como fazer filmes internacionais. E é para isso que eu estou indo para o Brasil: tentar oferecer os princípios que tornam a arte de contar histórias internacional, ainda que o Brasil já tenha obtido êxito no que diz respeito a sucesso internacional. E nem estou falando a respeito apenas dos filmes americanos. Os melhores escritores hoje não estão no cinema, mas sim na televisão americana. As séries estão simplesmente brilhantes. E eles conseguiram esse reconhecimento em todo o mundo por causa da qualidade das histórias contadas – de A família Soprano a Sete Palmos, do Sex and the city ao The Wire, ao Damages.</p>
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		<title>Wim Wenders: conselhos de um mestre</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 15:57:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direção]]></category>
		<category><![CDATA[diretores]]></category>
		<category><![CDATA[Teorias & Conceitos]]></category>
		<category><![CDATA[Direção cinematográfica]]></category>

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<p>Citações do Wim Wenders (depois assista à entrevista abaixo), um dos meus diretores prediletos, retiradas de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000694/" target="_blank">sua página no IMDB</a> (o negrito é meu):</p>
<blockquote><p>&quot;<strong>Sex and violence was never really my cup of tea</strong>; I was always more into sax and violins.&quot;</p>
<p>&quot;Hollywood filmmaking has become more and more about power and control. It&#8217;s really not about telling stories. That&#8217;s just a pretense. But ironically, <strong>the fundamental difference between making films in Europe versus America is in how the screenplay is dealt with</strong>. From my experiences in Germany and France, the script is something that is constantly scrutinized by the film made from it. <strong>Americans are far more practical</strong>. For them, the screenplay is a blueprint and it must be adhered to rigidly in fear of the whole house falling down. In a sense, <strong>all of the creative energy goes into the screenplay so one could say that the film already exists before the film even begins shooting. You lose spontaneity</strong>. But in Germany and France, I think that filmmaking is regarded as an adventure in itself.&quot;</p>
<p>&quot;Originality now is rare in the cinema and it isn&#8217;t worth striving for because most work that does this is egocentric and pretentious. <strong>What is most enjoyable about the cinema is simply working with a language that is classical in the sense that the image is understood by everyone</strong>. <strong>I&#8217;m not at all interested in innovating film language, making it more aesthetic. I love film history</strong>, and you&#8217;re better off learning from those who proceeded you.&quot;</p>
<p>&quot;I will always produce my own films and avoid finding myself at the distributor&#8217;s mercy. <strong>You must become a producer if you want any control over the fate of your work</strong>. Otherwise, it becomes another person&#8217;s film and he does with it what he pleases. I only had one experience like that and I will never repeat it.&quot;</p>
<p>“<strong>I&#8217;ve turned from an imagemaker into a storyteller. Only a story can give meaning and a moral to an image</strong>.”</p>
<p>“In the beginning I just wanted to make movies, but with the passage of time the journey itself was no longer the goal, but what you find at the end. Now, <strong>I make films to discover something I didn&#8217;t know, very much like a detective</strong>.”</p>
<p>“It is very hard to stay inside the boundaries of a genre film; I admire people that are able to do that. I just don&#8217;t have the discipline. <strong>What I like about genres is that you can play with expectations and that there are certain rules that you can either obey or work against.</strong> But genres are a funny thing. They&#8217;re heaven and they&#8217;re hell. They help you to channel your ideas and they are helpful to guide the audience, but they don&#8217;t help you in what you want to transport other than the genre itself. Genres get angry if you want to tell other stories &#8212; because they are sort of self-sufficient. They like to be the foreground.”</p>
</blockquote>
<p> <object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/mFIHnl4rmd0&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0xe1600f&amp;color2=0xfebd01"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/mFIHnl4rmd0&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0xe1600f&amp;color2=0xfebd01" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
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