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	<title>Olho de Vidro -- blog sobre cinema e vídeo digital &#187; Uncategorized</title>
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	<description>Blog da Sertão Filmes, contendo discussões técnicas, e nem tão técnicas assim, sobre cinema e vídeo digital, equipamentos, filmes, etc. Afinal, como já dizia o Riobaldo, "filmar é muito perigoso..."</description>
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		<title>Entre o Clássico e o Moderno</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Dec 2009 21:10:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Rodrigo Cássio (O TEXTO ABAIXO É UMA RÉPLICA AO POST &#8220;VANGUARDA SEM RETAGUARDA II&#8221; ABAIXO) Caro Pedro, Bela réplica. Fico feliz por ter provocado um desdobramento positivo do seu texto. O debate agora ficou mais claro, menos taxativo e mais frutífero. Penso que concordamos bem mais do que no post anterior. E me veio [...]


Não há posts relacionados.]]></description>
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<p>Por <a href="http://vistoseescritos.wordpress.com/">Rodrigo Cássio</a></p>
<p>(O TEXTO ABAIXO É UMA RÉPLICA AO POST <a href="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/2009/11/29/vanguarda-sem-retaguarda-ii/">&#8220;VANGUARDA SEM RETAGUARDA II&#8221;</a> ABAIXO)</p>
<p>Caro Pedro,</p>
<p>Bela réplica. Fico feliz por ter provocado um desdobramento positivo do seu texto. O debate agora ficou mais claro, menos taxativo e mais frutífero.<br />
Penso que concordamos bem mais do que no post anterior. E me veio à mente o quanto a patrulha ideológica é um tema que lhe preocupa. Talvez a minha maior – ou única – discordância, agora, seja a respeito do grau de responsabilidade desse patrulhamento quanto aos problemas que você aponta no contexto atual.</p>
<p>Talvez você o compreenda de maneira superlativa. Não sem alguma razão: é fato que a rejeição a Hollywood caracteriza o pensamento crítico mais sólido que se construiu no Brasil, sobretudo na academia (o legado da Usp, especialmente), e isso tem consequências na maneira como as novas gerações são formadas. Dialeticamente, chega a hora em que se forma uma reação ao que compôs a hegemonia, inclusive quando se trata de uma hegemonia contra-hegemônica, rs.</p>
<p>Mas considero, no entanto, que é indispensável separar o que é a teoria do que é a sua vulgarização – e isso você mesmo faz, no novo texto. O que eu diria, a partir disso, é que a vulgarização da crítica a Hollywood, geradora do seu incômodo, já é algo que se perdeu da origem dessa crítica. De certo modo, se há um MODISMO na crítica a Hollywood, reverberado por uma nova geração, o que há, no fundo, é o amortecimento dessa crítica: os modismos são fenômenos estreitamente ligados ao modus operandi da indústria cultural.</p>
<p>O que observo é que, muitas vezes, a ingênua antipatia para com Hollywood pode ser apenas o sintoma de que ela ainda é hegemônica, e que o antipático não saiu da sua zona de influência, por assim dizer. Nada disso garante bons frutos, bons filmes. Do mesmo modo que não há bons frutos na mera reprodução dos produtos audiovisuais menos interessantes, transformados na maior referência dos consumidores junto com a vasta presentificação da televisão nos anos 1970, o que acompanhou mudanças grandiosas na maneira como são recebidos os filmes, assim como nas expectativas que os artistas depositam neles (estes consumidores de hoje tornam-se diretores de cinema, mas sem terem ido muito ao cinema).</p>
<p>Aqui, insisto na ideia de que uma crítica esquerdista vulgarizada é tão perniciosa quanto a admissão acrítica de Hollywood – e se é para escolher um alvo, positivamente, eu escaparia do viés ideológico para vislumbrar, fazendo coro com alguns trechos da sua réplica, uma melhor formação do espectador, dos realizadores, e também da crítica.</p>
<p>A Nouvelle Vague celebrou o cinema clássico. Glauber Rocha assimilou a estrutura dos westerns. Truffaut era um admirador incondicional de Hitchcock. Se Godard desconstruiu o cinema de estúdios, foi para reconstruí-lo desvelando o ilusionismo e o que há de mágico na sua relação com os espectadores. Etc, etc. Tudo isso é pauta para mostrar que clássico e moderno não são duas coisas estanques; o contemporâneo, então, está ai para ser feito. Nesse ponto, estamos, sim, de pleno acordo.</p>
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<p>Não há posts relacionados.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Aprender com o Cinema de Ruptura</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 21:01:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Rodrigo Cássio (O TEXTO ABAIXO É UMA RÉPLICA AO POST &#8220;VANGUARDA SEM RETAGUARDA&#8221; ABAIXO) É sempre bom encontrar textos que refletem sobre o cinema, inclusive quando discordamos deles. A propósito, o espírito da discordância inteligente e produtiva é algo que anda raro, infelizmente. Talvez porque esse espírito tenha sido verdadeiramente forte apenas durante o [...]


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<p>Por <a href="http://vistoseescritos.wordpress.com/">Rodrigo Cássio</a></p>
<p>(O TEXTO ABAIXO É UMA RÉPLICA AO POST <a href="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/2009/11/18/vanguarda-sem-retaguarda/">&#8220;VANGUARDA SEM RETAGUARDA&#8221; </a>ABAIXO)</p>
<p>É sempre bom encontrar textos que refletem sobre o cinema, inclusive quando discordamos deles. A propósito, o espírito da discordância inteligente e produtiva é algo que anda raro, infelizmente. Talvez porque esse espírito tenha sido verdadeiramente forte apenas durante o cinema moderno, ou nos circuitos fechados da vanguarda.</p>
<p>Penso que o artigo extrai algumas conclusões impróprias de premissas que deveriam ser melhor debatidas, e gostaria de comentar sobre isso. Tratando-se de um texto que emite juízo de valor estético, há uma concepção de arte que fica velada, servindo-lhe de fundamento; ou seja, há uma predeterminação do bom e do mau filme, mas que não é posta em xeque nunca. Talvez essa ausência de uma análise dos próprios filmes seja o que simplifica, no texto, o significado do cinema clássico e do moderno, simplificando também as relações entre eles na era contemporânea. Sobretudo na parte final do artigo, isso me incomodou.</p>
<p>Ainda que, na primeira frase do parágrafo final, o texto tenha a precaução de não condenar o experimentalismo tout court, é patente a indisposição para com essa vertente, sintetizada nas cobranças por um aprimoramento técnico, ou na afirmação de que um gesto vanguardista, no Brasil, deveria ser posterior a algum tipo de profissionalização do cinema que consolidasse o alvo a ser contraposto por ele (o que pergunto é: qual a concepção de cinema que está por trás dessas cobranças? Afirmar a importância do aprimoramento técnico já é um ato que inibe alternativas diferentes. Não é possível defender certas práticas sem cunhar um significado do cinema.).</p>
<p>Quando é dito, então, que o experimentalismo é uma desculpa para que sejam feitos filmes ruins, essa tese carece de demonstração. Até mesmo se considerássemos, imprudentemente, que o conceito de filme ruim é algo muito claro e evidente, a discussão se tornaria estéril por causa da duvidosa assertiva sobre a intenção vanguardista dos cineastas. Seriam eles pessoas mal intencionadas, que levantam referências cinematográficas apenas como desculpa? Ou seriam preguiçosos arrogantes?. O cinema de ruptura (moderno/vanguarda) será mesmo esse vulto que paira sobre os cineastas atuais, prejudicando a todos? Não creio.</p>
<p>Do fato de que muitos filmes, ditos experimentais, possam ser considerados ruins, não resulta que o flerte dos cineastas com essa tradição é o que realmente deva ser questionado. Existem filmes ruins tanto do lado do cinema de origem clássica quanto do lado das rupturas! Ao contrário do que sugere o texto, não vejo o acesso ao cinema de ruptura como uma etapa que só é conseguida depois que os cineastas aprendem a fazer filmes, como em Hollywood. Nessa tese, há o deslocamento equivocado de um problema de formação estética e de construção da sensibilidade (problema do qual o artigo desdenha) para o domínio da realização.</p>
<p>Não é necessário dominar a técnica do cinema narrativo dramático para ser um Júlio Bressane (você conseguiria imaginar Bressane filmando um filme clássico? rs Aposto que ele simplesmente não seria capaz). A imensa maioria dos cineastas modernos e de vanguarda nunca realizou filmes clássicos. Todavia, a maioria destes mesmos cineastas foram ou são cinéfilos vorazes e pensadores do cinema. Apenas isso nos força a admitir que a formação dos cineastas (e também do público) não é uma falsa questão, e merece ser vista com outro olhar. Não é a inexistência de um cinema narrativo de características clássicas, localmente, que faz com que os nossos filmes pretensamente modernos sejam ruins, mas sim a inexistência de um ambiente no qual o gesto moderno de ruptura seja tomado em seu verdadeiro sentido e amplitude. Falta discutir e entender melhor o cinema, e não fazer mais filmes.</p>
<p>Nesse aspecto, o seu artigo já mostra que a assimilação das rupturas é um tanto quanto turva, hoje (o que não exclui que a assimilação do cinema clássico, em geral, também é deficitária; mas não necessariamente na prática). Entender que o princípio glauberiano da câmera na mão e uma ideia na cabeça foi sobretudo um lance de marketing é desprezar exatamente o que Glauber tem de mais importante para nos dizer. Afirmar que a vanguarda é uma moda, seja em suas diversas vertentes do século XX ou em seus legatários atuais, é dissimular o que é a vanguarda, a fundo, e qual a sua importância para o cinema (o termo MODA, aqui, chegaria a ser ofensivo para certos vanguardistas!rs). Na mesma linha, o ataque do artigo a um esquerdismo questionador de Hollywood é gratuito. A teoria crítica do cinema hollywoodiano é muito mais avançada do que supõe essa rejeição ideológica tão em voga, disseminada por certo neoconservadorismo, e que, na verdade, não faz nem cócegas nos teóricos de esquerda sérios, que existem inclusive no Brasil.</p>
<p>Por fim, eu concordo que experimentar não significa deixar de lado o apuro técnico e o planejamento. Mas acrescento que exigir apuro técnico, enfatizar os bons roteiros e insuflar o planejamento meticuloso que resulta na boa imagem são gestos que estabelecem, necessariamente, um tipo determinado de cinema e de gosto como os merecedores da nossa maior atenção. Em arte, sobretudo na era (pós) industrial, não há defesa de meios ou de estéticas que não acarrete marginalizações. E, com isso, o risco de passar por cima do cinema de ruptura, ignorando o que ele pode nos ensinar, é muito grande. Penso que o seu texto cedeu a esse risco, e por isso escrevo.</p>
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		<title>A arte de montar trailers</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Jul 2009 13:06:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Distribuição & Mercado]]></category>
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<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/LAZ6aDYcCuw&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/LAZ6aDYcCuw&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Já que acabamos de soltar o trailer do <a href="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/2009/06/26/cartas-do-kuluene-trailer/"><strong><em>Cartas do Kuluene</em></strong></a>, não custa lembrar que a roteirização e montagem de trailers é uma arte por si só, uma função que, em Hollywood, é executada por profissionais e empresas especializados. Os trailers de grandes filmes com frequência incluem cenas feitas especificamente para eles e podem ter trilha sonora própria. Ora, o <a href="http://www.ifc.com">Independent Film Channel</a> criou sua <a href="http://www.ifc.com/news/2009/06/50-greatest-trailers.php">lista dos 50 melhores trailers</a> de todos os tempos. No topo da lista, figura o trailer de <strong><em>Alien &#8211; O Oitavo Passageiro</em></strong>, que você confere acima.</p>
<p>[Via <a href="http://www.brainstorm9.com.br/">Brainstorm</a>]</p>
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		<title>O Montador</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Jul 2009 18:58:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu e João Paulo Carvalho, outro mestre, montador de Dom, Benjamin, O Paí Ó e da nossa série Xingu. Ele generosamente topou nossa insana proposta de nos ajudar a finalizar o Cartas do Kuluene. Daqui a uns dois meses, devemos tê-lo aqui em Goiânia. Não há posts relacionados.


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<div class="topsy_widget_data topsy_theme_mustard" style="float: right;margin: 15px 5px 10px 10px; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Folhodevidro.sertaofilmes.com%252F2009%252F07%252F05%252Fo-montador%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22O%20Montador%22%20%7D);"></div>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-328" title="jpc1" src="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2009/07/jpc1-300x199.jpg" alt="jpc1" width="300" height="199" /></p>
<p>Eu e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0142458/">João Paulo Carvalho</a>, outro mestre, montador de <em><strong>Dom</strong></em>, <em><strong>Benjamin</strong></em>, <em><strong>O Paí Ó</strong></em> e da nossa série <strong><em>Xingu</em></strong>. Ele generosamente topou nossa insana proposta de nos ajudar a finalizar o <em><strong>Cartas do Kuluene</strong></em>. Daqui a uns dois meses, devemos tê-lo aqui em Goiânia.</p>
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		<title>Cineastas</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jan 2009 09:53:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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<p><img class="alignnone size-full wp-image-183" title="angeli1" src="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2009/01/angeli1.gif" alt="angeli1" width="500" height="144" /></p>
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		<title>Dois Filmes com Penélope Cruz</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 16:44:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sobre “Vicky Cristina Barcelona”, tenho ouvido várias pessoas fazendo comentários do tipo: “Ah, achei legal, mas não é dos melhores dele”, ou, mais comumente ainda, coisas do tipo: “É leve, né? Divertido, despretensioso”, como se se referissem a “American Pie” ou coisa do gênero. Por último, um descolado conhecido disse que não era legal porque [...]


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<p>Sobre “Vicky Cristina Barcelona”, tenho ouvido várias pessoas fazendo comentários do tipo: “Ah, achei legal, mas não é dos melhores dele”, ou, mais comumente ainda, coisas do tipo: “É leve, né? Divertido, despretensioso”, como se se referissem a “American Pie” ou coisa do gênero. Por último, um descolado conhecido disse que não era legal porque “as pessoas passam por tudo aquilo, mas ninguém se transforma”.</p>
<p>Como achei o filme excelente, possivelmente o terceiro melhor Woody Allen (depois de “Match Point” e “Desconstruindo Harry”), me pus a pensar o que havia de errado comigo que ninguém o achara tão bom quanto eu, exceto minha mulher. E, óbvio, cheguei à conclusão de que o problema está nos outros.</p>
<p>Afinal, é preciso sutileza para compreender a fina ironia que perpassa todo o roteiro do filme e, sobretudo, para escapar às peças que nossos cérebros e espíritos, acostumados ao melodrama, nos pregam.</p>
<p>Em primeiro lugar, a voz do narrador marca o tempo todo, em constantes observações, sempre de fundo irônico, o contraponto ao que está acontecendo. E evidentemente o filme é corrosivamente crítico das posições de todos os personagens, na verdade estereótipos: a moderna que nunca acha sentido nas coisas, o artista galante que não consegue se acertar, o yuppie que só vê o mundo através de rótulos, a intelectual que não consegue arriscar ou mudar a vida por medo da opinião dos outros e a mulher desequilibrada.</p>
<p>Anestesiados pela enxurrada de melodramas, evidentemente aprendemos a esperar transformações dos personagens. As pessoas enfrentam obstáculos, se expõem a situações novas ou arriscadas e, no fim, se transformam para melhor. Mas a grande ironia de “Vicky&#8230;” é justamente que as pessoas não se transformam. Elas seguem as mesmas.</p>
<p>Acho que meu conhecido descolado não consegue enxergar o grosso dessa ironia porque o filme apresenta uma situação que é uma fantasia batida da maioria de nós, e, por isso, não apenas levada a sério, mas carregada de uma grande expectativa de transformação: um triângulo amoroso em Barcelona, a vida descolada dos artistas, jardins com apresentações de guitarras flamencas em noites de verão, etc. Tudo isso é lindo e bastante batido. Como poderia não transformar alguém?<br />
<img class="alignnone size-medium wp-image-178" title="fatal-poster01" src="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2009/01/fatal-poster01-204x300.jpg" alt="fatal-poster01" width="204" height="300" /></p>
<p>Fatal, por sua vez, seria um filme quase cinco estrelas, se acabasse antes. ( O <a href="http://lisandronogueira.blogspot.com/2009/01/o-melodrama-e-qualificao-do-olhar-no.html#links">Lisandro acha que é apenas um melodrama sofisticado</a>). (Atenção, <em>spoilers </em>do filme abaixo).</p>
<p>Para mim, o roteiro deveria terminar quando, findo o caso entre David e Consuela, e morto George, o amigo poeta, o personagem de Ben Kingsley e Carolyn, sua antiga amante, conversam e ele se oferece para levá-la ao aeroporto no outro dia, ao que ela responde: “Estamos há 20 anos juntos. Por que começar com isso agora?” Fim perfeito. Daí em diante, capotada total. É incrível porque parece que o filme, até então equilibrado, bastante sóbrio e implacável com os personagens, instantaneamente descamba para o melodrama: em três rápidas cenas em sequência, David olha pela janela e vê, no prédio do outro lado da rua, uma velha triste na janela; em seguida, o vemos solitário e desajeitado no café onde costumava encontrar o amigo agora falecido; por fim, na sala de sua casa, as folhas de uma planta estão secas e caem ao chão. Todo filme sobre velhice têm que acontecer no outono e ter folhas caindo? Segue-se aquela infindável e intragável parte sobre o câncer de Consuela e a tranformação de David, que finalmente se torna um homem bom, capaz de se relacionar, a ponto de começar a rever a relação com o filho.</p>
<p>Esta última transformação, em particular, me foi a mais dolorida. A cena do filho procurando David para confessar que tinha um caso fora do casamento é sensacional, talvez a melhor do filme: diálogos ácidos, personagens muito bem trabalhados e interpretações soberbas de Kingsley e Peter Sarsgaard. A palhaçada do final estraga tudo. Nota 3,5.</p>
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		<title>A Fábula pela Metade</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jan 2009 10:53:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
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Não há posts relacionados.]]></description>
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<p>É legalzinho, bonitinho, esse &#8220;O Curioso Caso de Benjamin Button&#8221;. Inevitável, como já se tem dito muito por aí, a comparação com &#8220;Forest Gump&#8221;. O pecado do filme, na minha opinião, é ser uma fábula só pela metade. A situação central, de um camarada que nasce velho e vai rejuvenescendo, apresenta a história como tal, mas fica nisso, o que não é o caso de Forest Gump, muito melhor que essa sua quase cópia. Depois, o filme vira um romance água com açúcar, e o cara é só um sujeito super bonzinho sem defeitos. Os caras tinham que ter entrado de cabeça no realismo fantástico.  Como é, ficou bobo. Três estrelinhas. Vale mais pela Cate Blanchett, absolutamente estonteante.</p>
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		<title>Blog do Lisandro</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jan 2009 00:35:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Outro blog cinematográfico que merece acompanhamento e participação nos debates é o do Lisandro Nogueira, professor da Universidade Federal de Goiás e crítico de cinema. O Lisandro é meu &#8220;supervisor&#8221; de estudos sobre teoria e linguagem cinematográfica, na falta de um designação melhor. Grande figura. Posts relacionados:Blog do Lauro


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<p>Outro blog cinematográfico que merece acompanhamento e participação nos debates é o do <a href="http://www.lisandronogueira.blogspot.com/">Lisandro Nogueira</a>, professor da Universidade Federal de Goiás e crítico de cinema. O Lisandro é meu &#8220;supervisor&#8221; de estudos sobre teoria e linguagem cinematográfica, na falta de um designação melhor. Grande figura.</p>
<p><map name='google_ad_map_158_2a9dc209058b53d2'>
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		<title>Blog do Lauro</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Jan 2009 10:52:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sites e Blogs]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Outro ótimo blog sobre filmes, mas não apenas sobre isso, é o do Lauro António, cineasta português e, entre outras coisas, organizador do Cineeco, Festival de Cinema Ambiental de Seia, em Portugal, parceiro do FICA, aqui em Goiás. Não há posts relacionados.


Não há posts relacionados.]]></description>
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<p>Outro ótimo blog sobre filmes, mas não apenas sobre isso, é o do <a href="http://lauroantonioapresenta.blogspot.com/">Lauro António</a>, cineasta português e, entre outras coisas, organizador do <a href="http://cineeco2008.blogspot.com/">Cineeco</a>, Festival de Cinema Ambiental de Seia, em Portugal, parceiro do <a href="http://www.fica.art.br">FICA</a>, aqui em Goiás.</p>
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		<title>Fim das Gravações do Cartas?</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Jan 2009 23:40:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Novaes</dc:creator>
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Não há posts relacionados.]]></description>
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<p>Com algumas garrafas de vinho à noite, em meio aos temporais de São João Del Rei, e algumas horas de chopps em Tiradentes, no outro dia, comemoramos o encerramento das gravações do Cartas do Kuluene, rodando justamente a primeira cena do filme, a partida e viagem em trem de Paul Berthelot, o anarquista, entre São Paulo e Goyaz. Nossos mais sinceros agradecimentos à Vale, à Ferrovia Centro Atlântica, à Prefeitura de São João del Rei, ao Ricardo, genial fotógrafo da estação, e aos hotéis Calcinfer e Trilhos de Minas pelo apoio ao filme. O fraterno agradecimento a toda a equipe. Nas fotos abaixo: 1) eu e Emerson na estação em São João del Rei; 2), Da frente-esquerda e em sentido horário: Ricardo Calaça, Som Direto, Emerson Maia, Diretor de Fotografia, Pedro Novaes, Diretor, Paulo Paiva, Produtor Executivo, e Antonio Zayek, um dos protagonistas; 3) Nossa Z1 equipada com o imprescindível pára-sol (ai, meu Deus, e a reforma ortográfica?!) e filtros da <a href="http://www.cinelocacoes.com.br">Cinelocações</a>, nossa também apoiadora e parceira. As fotos são do Emerson</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-133" title="estacao-de-trem" src="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2009/01/estacao-de-trem-300x225.jpg" alt="estacao-de-trem" width="300" height="225" /><img class="alignnone size-medium wp-image-134" title="tiradentes" src="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2009/01/tiradentes-300x225.jpg" alt="tiradentes" width="300" height="225" /><img class="alignnone size-medium wp-image-135" title="z1-parasol" src="http://olhodevidro.sertaofilmes.com/wp-content/uploads/2009/01/z1-parasol-300x225.jpg" alt="z1-parasol" width="300" height="225" /></p>
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<p>Não há posts relacionados.</p>]]></content:encoded>
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