A Queda de um Cineasta
A Queda de um Cineasta – (paródia de A Queda) from Karaloka on Vimeo.
Nesta paródia do filme “A Queda” (Der Untergang), Hitler pretendia rodar um longa-metragem sobre sua fuga, num submarino, até o exílio secreto no Brasil. Mas algo deu errado…
Imprimir | Sem comentáriosBráulio Mantovani: “Idéias sem forma são apenas idéias”
Do Planeta Tela:
Imprimir | 1 comentárioEnquanto isso, um de seus roteiristas, Bráulio Mantovani, deu um puxão de orelhas nos críticos de cinema esta semana. Quando questionado pela jornalista Maria do Rosário Caetano sobre a não inclusão do nome de Wagner Moura como co-roteirista do filme [Tropa de Elite 2], Mantovani afirmou: “Para ser co-roteirista, é preciso sentar-se junto ao computador e escrever. Dar idéias não é o mesmo que escrever roteiros. Como disse Mallarmé a Degas: um poema não se faz com idéias, um poema se faz com palavras. O mesmo raciocínio se aplica à escrita de roteiros. Wagner Moura, assim como Daniel Rezende, Rodrigo Pimentel e outros, fizeram leituras críticas e deram sugestões para as muitas versões de roteiro de Tropa de Elite 2. Mas quem sentou a bunda diante do computador para dar forma dramática às idéias que iam surgindo fomos José Padilha e eu. Era a nossa a responsabilidade de resolver os problemas da narrativa”.
E conclui: “Ninguém em Tropa de Elite 2 tem crédito não merecido e ninguém deixou de ser creditado pelo trabalho que fez. A participação intensa do Wagner no roteiro corresponde ao que se espera de um coprodutor (assim como eu, que também tenho o mesmo crédito, participei da montagem e de todas as decisões importantes relacionadas à produção e ao lançamento do filme). Já está na hora de vocês críticos assimilarem a evolução do trabalho do escritor no cinema brasileiro. Desde que nós fundamos a AC (Autores de Cinema), o crédito de roteiro passou a ser encarado com mais rigor, mais seriedade e mais profissionalismo. A era dos diretores que assinam roteiros sem sequer saber escrever direito acabou. Idéias sem forma são apenas idéias. Arte é forma”.
Sobre a extinção da Embrafilme
Ipojuca Pontes, cineasta e ex-Secretário Nacional da Cultura, comenta abaixo a extinção da Embrafilme.
(Fonte: MSM.)
Imprimir | Sem comentários«Quem sancionou a extinção da Embrafilme (e mais oito empresas estatais, entre elas, o IBC), em 12 de abril de 1990, foi o Congresso Nacional que aprovou, in totum, o Decreto 8.029 enviado pelo novo governo. Nelson Carneiro, presidente do Congresso, e demais parlamentares, inclusive os da ruidosa oposição, poderiam ter embargado a sua aprovação – mas não o fizeram. E por quê?
«Pelo odor pútrido que a estatal do cinema exalava. De fato, a Embrafilme, empresa criada durante a vigência do AI-5, além de deficitária e inepta, tornou-se, sob a égide da patota do Cinema Novo, um instrumento de “corrupção, politicalha e privilégios” – conforme expressa a abrangente Pesquisa de Opinião publicada em 1980 pela Agência Razões & Motivos, de São Paulo, encomendada, ironicamente, pela estatal do cinema. Para a população brasileira consultada, a Embrafilme deveria ser fechada com urgência e os seus dirigentes devidamente responsabilizados.
«O próprio Glauber Rocha, um dos beneficiários do esquema embrafilmico, assim se manifestou, em carta destinada à “Celsinho” Amorim, então diretor-geral da empresa (tido como traidor e mais tarde expulso do cargo pelos militares): “Proponho para Embrafilme medidas regueanas (queria se referir as “reaganomics”, iniciativas de política econômica de Ronald Reagan, presidente do USA, que tratavam de privatizações, desregulamentação e corte de impostos) de desestatização. Sou favorável, aliás, à desestatização de todo aparato cultural: Funarte, INL, SNT, etc…”.
«Caetano Veloso, por não procurar as fontes primárias, algo fundamental para quem pretende questionar os fatos, acha, como os seus pares, que o cinema brasileiro era só o da patota do CN e ignora que nos dois anos de Collor foram produzidos, sem a grana do governo, 105 filmes de longa-metragem (dado, por exemplo, que o criterioso pesquisador Antonio Leão da Silva Neto, depois de consultar produtoras, distribuidores, realizadores e arquivos oficiais, registra no seu bem documentado “Dicionário de Filmes Brasileiros”, edição de 2002).
«O então fechamento da Embrafilme resultou de uma política desestatizante de governo, a melhor já traçada no País em todo século, infelizmente malograda pela incompetência de Collor e a ação incessante da aparelhagem comunista que não pode viver sem sugar as tetas do Estado – razão de ser da permanente esculhambação nacional.
«De minha parte, digo e repito: foi uma honra ter participado da batalha pela extinção da Embrafilme. O que não impediu, infelizmente, do cinema brasileiro ser hoje uma atividade inteiramente dominada pelo “Estado Forte” de Lula (ou, no futuro, de Dilma ou Zé Serra, pouco importa) a serviço da nomenclatura comunista – um ônus a mais para o bolso do infeliz trabalhador contribuinte que se enverga como louco para sustentar o parasitismo de escol de gente como Cacá Diegues e aliados. (Aqui, convém lembrar que Cacá, cujo pai, Manuel Diegues Jr., dirigia o Departamento Cultural do MEC – órgão ao qual a Embrafilme estava subordinada no tempo da “sangrenta ditadura dos militares” -. não tinha o menor pudor em sacar rios de dinheiro da estatal do cinema para fazer seus “miuras” cerebrinos).»
“Fazer cinema no Brasil está me deixando um cara pior”, diz Ugo Giorgetti
(Fonte: UOL Cinema.)
MAURICIO STYCER
Crítico do UOL
O cineasta Ugo Giorgetti lança nesta sexta (21) o seu projeto mais ousado: “Solo”. Trata-se de um filme protagonizado por um único ator, Antonio Abujamra, que ao longo de 72 minutos recita um monólogo sobre a sua solidão, a saudade dos parentes mortos, as lembranças dos tempos em que São Paulo era uma cidade agradável de viver. “Tudo está ficando incompreensível”, diz o velho. “A minha é uma solidão como todas as outras.”
Em entrevista ao UOL Cinema, Giorgetti fala das dificuldades que cineastas com o seu talento e currículo têm enfrentado no esforço de viabilizar as suas produções. Critica o modelo de financiamento adotado pela cidade de Paulínia, diz que a produção contemporânea não deixará nenhum legado para as gerações futuras e lamenta que, para conseguir verba, seja obrigado a se submeter a diferentes constrangimentos. “Fazer cinema no Brasil está me deixando um cara pior do que sou”.
Apesar do texto de alta qualidade de Giorgetti e da atuação impagável de Abujamra, “Solo” será exibido em um único horário, às 18h, no Espaço Unibanco, em São Paulo. O cineasta considerou a medida acertada – ele acalenta a esperança que dessa forma consiga manter o filme em cartaz por mais tempo do que se fizesse um lançamento em muitas salas.
“Solo” foi feito num momento de impasse de Giorgetti, diante da dificuldade de obter recursos para viabilizar um projeto mais ambicioso, intitulado “Corda Bamba”. Filme de época, passado em 1971, este longa-metragem começará a ser rodado agora em junho, depois de três anos de tentativas de viabilizá-lo.
Na entrevista a seguir, o diretor de “Boleiros”, “A Festa” e “Sábado”, entre outros, fala dos novos projetos e do momento vivido pelo cinema brasileiro.
“Solo”
Durante quase 40 anos eu saí de casa de manhã para filmar. Todo dia. Eu tenho que filmar. Então, se não dá para fazer um filme de ficção, faço um documentário. Se der para fazer em 35 mm, eu faço. Se precisar fazer em 16 mm, vamos embora. Se precisar fazer em digital, eu faço também. O “Solo” está capitulado nisso. Eu estava sem nada, esperando para fazer o filme que eu só vou fazer agora. Vou fazer o quê?
Monólogo
Eu tinha esse monólogo, escrito para o Sergio Mamberti, que depois resolveu não fazer. Conversando com o Abujamra, falei do texto e ele se interessou. Mostrei e ele pirou. Peguei o Washington Olivetto, que sempre entrou comigo nos filmes, e fiz. Custou R$ 250 mil. É um cara caminhando para uma treva cada vez mais espessa. Ele não entende mais nada desse mundo. Não é uma reclamação banal. É uma constatação que a coisa acaba mal.
Reação do público
As pessoas têm se surpreendido com o filme. É muito raro um monólogo no cinema. Tem um filme do Altman assim (“Secret Honor”, de 1984). É o Nixon, um gravador e uma garrafa de uísque. Fiquei feliz com a reação, inclusive do Adhemar [Oliveira, proprietário da cadeia de cinemas Espaço Unibanco e Artplex]. Já propus para ele exibir em uma sessão por dia, mas ele gostou tanto que sugeriu fazer um lançamento maior. Eu não quis. Vai ser uma sessão diária. Acho que é o tamanho do filme. Não vamos disfarçar. É um monólogo. Quem quiser, vá…
Abujamra
A gente tem uma aproximação boa de cabeça. Ele é um grande “diseur”, muito bom em monólogos. Nunca esperei que ele decorasse, mas é um grande leitor de teleprompter – e disfarça muito bem. Ele não ia decorar oito frases. Aliás, é muito perigoso o Abujamra decorar – ele põe “cacos”. Ele até tentou, mas eu cortei. “Ele cortou, e era Paul Valéry. Ele cortou para ficar Ugo Giorgetti” (imitando o jeito de falar do ator). Não sei se era Paul Valéry, ou não, mas foi devidamente extirpado. Foi muito divertido.
“Abaixo a Ditadura”
Eu tinha o roteiro deste novo filme antes mesmo do “Boleiros 2”. Inscrevi na Ancine com outro título, “Abaixo a Ditadura”. Começamos a trabalhar e eu percebi que “Boleiros 2” era mais fácil de viabilizar em termos de dinheiro. Mas eu tinha que cancelar este projeto na Ancine – você não pode ter dois filmes ao mesmo tempo. Aí o burocrata na Ancine falou: “Esse filme é muito mais legal que o ‘Boleiros 2’. Não cancela”.
A história
O filme se passa em 1971, no meio teatral, em São Paulo, no momento em que o Living Theatre (grupo teatral americano fundado por Judith Malina e Julian Beck) estava preso em Ouro Preto. É a tentativa de fazer um painel desta época baseado na ideia que 95% da população não estava nem na repressão nem na luta armada; estava num limbo, no meio daquilo. Em termos culturais, é um período riquíssimo. A agitação era muito grande no meio teatral. É uma ditadura cujos agentes da repressão tinham a cabeça dos anos 40 e 50 e embaixo havia uma turma com costumes de Maio de 68, contracultura, Bob Dylan, tudo aquilo…
Corda bamba
Uma vez que você deslancha o filme, você tem que terminar. Eu não posso chegar para uma equipe, depois de três semanas de filmagem, e falar: “Acabou”. Não dá. Por outro lado, não posso vender uma propriedade para continuar um filme. Está tudo planejado, mas estamos engolindo em seco para que nada aconteça. A gente não tem seguro do filme, por exemplo. O filme está sem rede. Mas vamos embora
Financiamento
Fiquei três anos tentando viabilizar o filme. Consegui apoio da Secretaria de Cultura de São Paulo (tanta a estadual quanto a municipal) e da CSN. Depois vou ter que captar para finalizar. Estou começando a filmar com o mínimo. Pela primeira vez, me associei a uma produtora de publicidade. O orçamento era de R$ 4 milhões, o que já é modesto para um filme de época. Mas vou botar na lata com menos de R$ 2 milhões. Vou fazer em 16 mm pela primeira vez. Mas não é uma concessão. Foi uma coisa pensada com o fotógrafo.
Salários
O que está acontecendo no cinema brasileiro é um escândalo. É um negócio totalmente esquizofrênico. A gente produz com os preços da França e ninguém vai ver os filmes. A entrada da publicidade no negócio explica isso, em parte. E também o fato de que não é o seu roteiro, a sua ideia ou o seu valor pessoal que transforma você num candidato forte a fazer um filme, mas os seus contatos sociais. Formou-se uma cadeia que não tem nada a ver com o cinema.
Exemplo
Quando você lê no jornal que “Heleno” será feito com R$ 8 milhões, por que o técnico vai cobrar a tabela do sindicato? Não. Ele tem toda a razão em cobrar. Mas eu tento convencer alguns técnicos que eu não tenho esse dinheiro. E, no fim eu consigo. Mas está se tornando inviável. Eles estão cobrando preços inviáveis para os cineastas independentes.
Paulínia
Fui no “pitching” (uma audição para seleção de projetos) em Paulínia. O cara que ia julgar os projetos logo falou: “Eu queria dizer que nós não entramos no mérito dos roteiros”. Eu falei: “Desculpe te interromper, mas você não entra no mérito dos roteiros?” Ele: “Não. O nosso critério é o quanto o filme vai ser rodado em Paulínia, quanto dinheiro vai ficar aqui, quantos empregos ele vai gerar”. Eu falei: “Perfeitamente. Mas quando tudo isso tiver passado, alguém vai ver os filmes de Paulínia e, então, o roteiro vai ser levado em consideração. Todos esses caras para quem você está dando emprego estarão mortos, e também não são muitos, e você fez uma bosta. Para o patrimônio cultural de Paulínia não vai sobrar nada”. E ficou por isso mesmo.
Estado de ânimo
Estou muito desmotivado… Vou até dirigir uma ópera, “Norma”. É uma possibilidade de dirigir outras coisas. Estou desmotivado pelo que virou o cinema, a política do cinema. O lado amador está sendo abandonado – e você tem que ter um lado amador em qualquer profissão. Falo do amor ao cinema, de fazer algo que não seja uma perseguição tão evidente por Oscar, Cannes, pelo público. Até porque não tem nem Oscar, nem Cannes, nem público. A única chance é fazer uma coisa que perdure um pouco mais, como fizeram os caras do Cinema Novo. Mal ou bem, os filmes estão aí, de tempos em tempos reaparecem. Dos filmes de hoje, quais vão reaparecer? Só podem reaparecer como retrato de um fenômeno: o momento muito ruim. Tenha santa paciência!
Saída?
Eu não sei como sair disso. Hoje tem a Globo, tem as “majors”, grandes empresas de publicidade… Estão todas ganhando muito dinheiro. Como faz? Temos 12 anos de Lei do Audiovisual. Foi feita para alavancar a indústria. A ideia era que, com o subsídio, essas empresas iam se capitalizar e passar a trabalhar com as próprias pernas. Doze anos depois, me aponte uma empresa que não recorre a lei de incentivo. Alguma coisa está muito errada.
Legado
A Vera Cruz trouxe um avanço técnico muito grande. O cinema paulista é o que é por causa da Vera Cruz. O Cinema Novo deixou um legado muito forte de ideias; o Brasil se pensou pela primeira vez. Nós vamos deixar o quê? Inovações técnicas? Não. A gente se aproveita da propaganda. Ideias? Você está vendo… Fico um pouco triste com o jeito de ser profissional dos jovens cineastas. Eles confundem profissionalismo com talento.
Olhando no espelho
O cinema está me tornando um cara pior do que eu sou. Mesmos nos meus anos de publicidade, eu não era tão subserviente. Fazia o comercial e recebia o meu dinheiro. Não precisava ir na casa do sujeito que me contratou, nem ele na minha. Não tinha que ficar fazendo rapapés para político nenhum, apertando mão de empresário. Nunca almocei com cliente em 30 anos de publicidade. A parte social te torna pior. Se Paulínia me desse o dinheiro, talvez eu não falasse para você que aquilo é uma puta palhaçada. Eu diria: “Veja bem, Mauricio, tem um lado positivo…” Que é o meu (risos). Enfim, eu sei que estou pior do que era. Mas a culpa é minha.
Entrevista com Robert McKee na revista Época
Robert McKee: “Ignore as partes chatas da vida”
(Fonte: Época #625)
O professor de roteiro mais famoso de Hollywood vai ensinar a fórmula que já rendeu 33 Oscars e 168 Emmys
Por LÍVIA DEODATO
Robert McKee é professor dos professores de roteiro de Hollywood. E de alguns dos atores, romancistas, jornalistas e literatos mais premiados do momento – como Kirk Douglas e Peter Jackson. Está a caminho do Brasil na semana que vem para ensinar os princípios que regem uma boa história. Para participar, acesse: www.mckeestorybrasil.com. O site avisa que ainda existem 550 vagas, mas a assessoria do evento diz que há apenas 100 disponíveis. Vai acontecer entre os dias 15 e 18 de maio, das 9h às 19h30 (com intervalo), no Teatro das Artes no Shopping Eldorado, em São Paulo. No dia 14 de maio, das 14h às 19 horas, McKee tem encontro marcado com roteiristas de diversos filmes brasileiros, entre eles Dois filhos de Francisco, Cidade de Deus e O quatrilho, na Galeria Barcalli, na Vila Madalena, também em São Paulo. Abaixo, a entrevista completa.
ÉPOCA – Existe segredo para o bom roteiro?
ROBERT MCKEE – Seria o mesmo que perguntar qual é o segredo da boa música. Para contar uma boa história é preciso ir até a biblioteca pública da esquina. Não há segredo. É uma forma de arte em que o artista deve recorrer aos estudos, à pesquisa, a um curso superior, assim como um bom compositor precisa se graduar para compreender os princípios da composição.
ÉPOCA – O senhor acredita que qualquer pessoa pode escrever uma boa história?
MCKEE – Você precisa ter um talento enorme, ser inteligente, ter uma profunda experiência na vida e conhecimento do assunto que os personagens vão tratar. Com conhecimento e inteligência, a criatividade ganha força. Na verdade, bem poucas pessoas podem escrever boas histórias.
ÉPOCA – Como é o seu workshop? O senhor ensina truques eficientes?
MCKEE – Não. Você deve se comprometer com a inteligência e o sensibilidade dos espectadores. Você deve entregar às pessoas uma história que desperte interesse e que as envolva com a humanidade dos personagens. Não existem regras. As pessoas que pensam em regras para contar histórias produzem um trabalho plástico e artificial. O que existem são princípios. Princípios de expressão visual, por exemplo, assim como há princípios para compor e pintar em escolas superiores. Os princípios norteiam os “artistas da história” quando realizam seus trabalhos para o palco, para uma página ou para a tela.
ÉPOCA – Qual seria o primeiro passo para se escrever uma boa história? Um tema interessante? Leia mais
Imprimir | 2 comentáriosOs Mutantes em As Amorosas
Participação d’Os Mutantes no ótimo filme “As Amorosas”, de Walter Hugo Khouri. Sim, o áudio está bem ruinzinho, mas o filme vale muuuito a pena. (Ao seu alcance num torrent bem perto de você…)
Imprimir | Sem comentáriosCine brasileiro X Cine Argentino
A superioridade do cinema argentino, no campo narrativo-ficcional ao menos, em relação ao cinema brasileiro, é inegável. Isso vem sendo dito há algum tempo, por exemplo, por Jean Claude Bernardet. Essa polêmica se reacendeu com o Oscar para a obra-prima “O Segredos dos Seus Olhos”, de Juan José Campanella, e sua estréia agora por aqui.
Nesta semana que passou, o artigo abaixo reproduzido, de Luiz Felipe Pondé, publicado na Folha, provocou reações extremadas. Embora concorde com muitas das coisas que ele diz e discorde de outras (como o retrato raso e bobo que faz de Glauber Rocha), considero que seu maior pecado é o tom, que colabora pra tornar ainda mais irracional um debate, a meu ver, dos mais importantes. Na minha opinião, o texto, também colado abaixo, de José Geraldo Couto vai muito mais ao cerne da questão e resume de maneira brilhante o que coloca a narração ficcional no cinema argentino num patamar acima do nosso.
A INVEJA DO CINEMA ARGENTINO
Por José Geraldo Couto
Não é de hoje que suspiramos de inveja do cinema argentino. Há quase dez anos o crítico Jean-Claude Bernardet já dizia: os argentinos estão nos dando um banho em matéria de cinema.
A cada bom filme novo argentino, como este “O Segredo dos Seus Olhos”, o suspiro se renova. Mas em que consiste o segredo da superioridade, suposta ou real, do cinema argentino?
Há que lembrar, antes de mais nada, que toda generalização é burra, mas sem algum grau de generalização também é impossível pensar. Assim como há vários cinemas brasileiros (de Fabio Barreto a Julio Bressane, de Beto Brant a Cacá Diegues, de Daniel Filho a Tata Amaral), existem também vários cinemas argentinos, cobrindo um espectro que vai dos filmes de grande bilheteria, como “O Filho da Noiva”, “Nove Rainhas” ou “O Segredo dos Seus Olhos”, à obra mais pessoal, “outsider”, quase “miúra”, de uma Lucrecia Martel (“O Pântano”, “A Menina Santa”, “A Mulher sem Cabeça”), passando pelos caminhos intermediários de um Pablo Trapero ou um Daniel Burman. Isso sem falar da produção de autores mais veteranos, como Fernando Solanas ou Luis Puenzo.
Mas é possível detectar algumas tendências gerais, tanto na variegada filmografia argentina como na igualmente variegada filmografia brasileira. E a meu ver a nossa desvantagem não é da ordem da competência técnica ou dos cuidados de produção, mas sim de natureza estética e narrativa. Vou tentar me explicar. Leia mais
Imprimir | 15 comentáriosChico Xavier – o verdadeiro filho do Brasil (trailer)
Algo me diz que agora sim veremos do que é capaz, em termos de bilheteria, um filme sobre um verdadeiro filho do Brasil…
Imprimir | 5 comentáriosSobre Corumbiara
Acabo de assistir a Corumbiara, o documentário de Vincent Carelli que tem como fio condutor a investigação do massacre de um grupo indígena por fazendeiros em Rondônia na década de 1980. Deu uma certa angústia, vontade de enfiar o rabo entre as pernas e sair correndo e ganindo – caim, caim, caim – com meu filmezinho pretensioso sobre índios. Corumbiara é um monolito, uma obra-prima. Corumbiara e Serras da Desordem são os dois maiores documentários sobre índios já feitos no Brasil e dois dos melhores documentários brasileiros de todos os tempos.
Corumbiara é uma experiência audiovisual de alto impacto. Ecos de cinema direto. Premiado com uma menção honrosa no É Tudo Verdade deste ano, com o grande prêmio do 11o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, e agora incluído na seleção oficial de Gramado, o filme de Carelli não tem frescura nenhuma. É documentário no sentido mais nobre e violento que a palavra pode ter. São duas horas de imagens poderosíssimas pontuadas, aqui e ali, pelas locuções econômicas, diretas e sem rodeios do diretor, alguns depoimentos e nenhuma trilha sonora.
A força do filme deriva, a meu ver, em primeiro lugar, do mérito de Carelli em reconhecer que tinha um material poderosíssimo nas mãos e então conseguir não se colocar diante dele, mas simplesmente pavimentar o caminho para que ele pudesse se exibir em toda a sua força. Nem sempre é fácil reconhecer isso. É muito grande a tentação do diretor querer se colocar, e aí fazê-lo da maneira errada, imprimindo uma marca pessoal por meio de firulas, frescuras e truques que acabam dissipando o poder explosivo do que se tem. É fácil pensar também que não se “colocar” seria um demérito, que, como diretor, tenho que fazer algo mais que simplesmente não me interpôr, não atrapalhar. Neste caso, mais que desnecessário, seria um equívoco. E não que o filme não tenha a marca de Vincent. Ele é o cara, a história de vida dele. O documentário restou inconcluso por mais de 20 anos e finalmente agora se fechou. Então, primeiro mérito, fazer um filme sem frescuras que é uma pancada na cabeça.
Em segundo lugar, a força de Corumbiara vem daquilo que ele não mostra, mas que, não exibido, paira sobre o filme e a cabeça do espectador como uma opressiva nuvem: o fato de que este país à nossa volta foi construído à custa de milhares de corumbiaras. Passemos então a uma sinopse e explicação: Corumbiara é o nome de uma gleba de terras em Rondônia, demarcada e vendida pelo Governo Federal, ainda durante a Ditadura, cujos donos ordenaram o massacre de um grupo indígena que ali vivia. À época, Vincent e Marcelo dos Santos, indigenista da FUNAI, investigaram os vestígios do massacre, mas não lograram convencer as autoridades e o país da brutal realidade do que ali ocorrera – isso não interessava a ninguém. Marcelo acabou desacreditado e foi proibido de permanecer na região. Anos depois, em sucessivas viagens, os dois retornam à região para retomar a investigação e seguir o rastro de índios que, acreditavam, poderiam ser sobreviventes do massacre. O documentário segue inconcluso até que, em 2006, Carelli retorna mais uma vez à região.
Desta maneira, quem assiste fica, todo o tempo, espremido entre essa sombra – de todas as corumbiaras não mostradas -, o impressionante universo daquilo que são as consequências diretas e indiretas do massacre investigado e a grandiosidade do universo indígena retratado, vivo e intensíssimo, apesar de todas as corumbiaras. A cena do cerco ao “índio do buraco” solitário e arredio, expulso a bala de outra gleba na região, é das coisas mais impressionantes que já vi. Durante seis horas, Marcelo e sua equipe tentam acalmá-lo para um diálogo. Ele aponta sua flecha, através das palhas da cabana, para a câmera de Vincent o tempo todo. Por ironia, o objeto que mais o ameaçava era o que registraria as imagens que garantiram a interdição definitiva da área para sua proteção.
Imperdível.
UPDATE: desculpas ao Marcelo pelo erro em seu nome, conforme comentário abaixo, já corrigido acima.
Imprimir | 6 comentáriosBesouro – O Filme

A surpresa da boa bilheteria dos filmes nacionais em ano de crise, encabeçada pelas comédias Divã e Mulher Invisível, promete não se esvair no segundo semestre, nem tampouco, quem sabe, seguir como responsabilidade única e exclusiva das comédias. Além de Os Normais 2, dirigido pelo mesmo José Alvarenga JR. de Divã e de Os Normais – o Filme, a grande promessa da safra próxima de estréias é o filme Besouro, dirigido por João Daniel Tikhomiroff.
O filme, embasado em história da tradição oral baiana, conta a história de um super-capoeirista que luta contra a opressão e o preconceito na Bahia do começo do século XX. Nas palavras do diretor, “queremos que ele seja, para a capoeira, o que filmes chineses contemporâneos como ‘Herói’ e ‘O Tigre e o Dragão’ são para as artes marciais orientais: um espetáculo de aventura, onde a paixão, o misticismo e a emoção têm papel central.”
Besouro é uma produção da Mixer, com coprodução da Globofilmes, e junta um time de primeira. Patrícia Andrade (Dois Filhos de Francisco, Era Uma Vez) e Bráulio Tavares (O Homem que Desafiou o Diabo e A Pedra do Reino) assinam o roteiro junto com o diretor. Fátima Toledo (Cidade de Deus, Tropa de Elite) comandou a preparação de elenco, Enrique Chediak (do promissor Repossesion Mambo e do mal afamado Turistas, entre outros filmes) é o diretor de fotografia. A música tema é de Gilberto Gil acompanhado pelo Nação Zumbi.
Confira o trailer abaixo.
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