Sertão Filmes

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No set de “2001: Uma Odisséia no Espaço”

Stanley Kubrick orienta seus atores no “set da centrífuga”:

Stanley Kubrick

A parte exterior da centrífuga:

2001: A Space Odyssey

Agora tente incluir esse set no orçamento de um filme brasileiro com financiamento público…

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A canção final de A Vida de Brian

Eric Idle descreve como o grupo Monty Python decidiu incluir a cena final de A Vida de Brian (1979) — na qual homens crucificados cantam Always Look on the Bright Side of Life.

A canção completa no palco (aprenda a letra):

E no filme:

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Atores aterrorizantes

Rathbone, Karloff, Lorre and Price

Basil RathboneBoris KarloffPeter LorreVincent Price.

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A Fórmula Secreta de Tim Burton

Sempre achei os filmes de Tim Burton superficiais. Os caras do College Humor resumiram bem o porquê.

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As locações do filme “Os Caça-fantasmas”

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10 Melhores Filmes de 2009

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Taí, com um pouco de atraso, a lista mais importante do ano: os 10 melhores filmes de 2009 na minha inquestionável opinião. Avisem à grande mídia.

1) Gran Torino: nenhum diretor vivo sabe se servir tão bem da potência do melodrama como Clint Eastwood. O sujeito é o mestre do gênero. Gran Torino é, como bem colocou o Ismail Xavier, um faroeste moderno, uma reelaboração da fábula do velho cowboy enferrujado que já não se encaixa no presente, mas que segue a seu modo fazendo o bem. É também uma complexa e sutil visão do confronto entre a América tradicional e os Estados Unidos de hoje.

2) Corumbiara: um dos melhores documentários brasileiros de todos os tempos. Um filme cuja grandeza é sublinhada sobretudo pela simplicidade e robustez de sua linguagem: sem frescuras, sem grandes recursos técnicos, na fotografia crua da câmera na mão em lugares remotos, sem trilha sonora. Mas são duas horas de choque elétrico na veia – na pujância e subversão do universo indígena, na crueldade e na frieza do massacre que documenta, revelando sem palavras a ossatura do Brasil, construído sobre milhares de corumbiaras.

3) Entre os muros da escola: desses filmes que fascinam pelas possibilidades de um cinema que caminha cada vez mais sobre o fértil e ilusório muro que separa (??) documentário e ficção. De que outra forma se poderia explorar mais profundamente uma realidade, a da imigração numa Europa cada vez mais africana, que, à custa da mistura, se torna cada vez mais difícil de nomear?

4) Bastardos Inglórios: interpretações memoráveis e um Tarantino mais em forma do que nunca na sua habilidade em oferecer o filme como espelho para os desejos e emoções do espectador. A cena do massacre final no cinema merece entrar para o cânone das mais memoráveis da história do cinema.

5) Anticristo: se não pelo manejo magistral da linguagem e pelo roteiro efetivamente angustiante, o filme merece a lista pela polêmica causada.

6) O Equilibrista: um documentário dos mais emocionantes na sensibilidade e sutileza com que expõe um tema e um personagem escorregadios pelo risco sempre vizinho do melodrama. Um passo em falso e o sujeito seria posto num pedestal de coragem e bravura ou atirado no território da loucura. E no entanto o que vemos é tão somente um homem. Sem falar em todo o não dito – e que dito estragaria tudo – sobre o fato de que a base do sonho da vida desse homem já não existe, pois as Torres Gêmeas ruíram. Ninguém nunca mais repetirá o que ele fez. Escapar à tentação de dizer este tipo de coisa que, no fundo, não precisa ser dita, mas que cutuca um cineasta todo o tempo implorando para ser dita, é o que revela a tessitura de um grande documentarista.

7) Avatar: à guisa de crítica tem-se dito que o roteiro é uma mistura de Dança com Lobos e Pocahontas engrandecida pelos efeitos visuais espetaculares. E é isso mesmo. Mas Joseph Campbell e Cristopher Vogler há tempos nos mostraram que a história é sempre e a mesma, não é verdade? Pelo menos quando falamos de melodramas e do cinema clássico. E o que Cameron e sua equipe fizeram em termos de conceito visual e computação gráfica é de fato de cair o queixo. Deixem o mal humor de lado e permitam-se celebrar as possibilidades de Hollywood.

8 ) Abraços Partidos: não é o melhor Almodóvar, mas é muito bom. E é um Almodóvar diferente, mais contido, um filme em que os homossexuais não estão no proscênio, com as vísceras menos expostas. Tomara seja um filme de transição rumo a novos territórios. Me choca, pelo que revela de segurança e domínio da linguagem, a capacidade dele para, no filme dentro do filme – o “Chicas e Maletas” – , parodiar a si mesmo, fazendo uma espécie de comédia antiga de Almodóvar. Só um mestre como ele.

9) O Casamento de Rachel: tem um quê de John Cassavettes esse filme, num roteiro também a meu ver delicado sobre um tema também difícil pela vizinhança ameaçadora do melodrama. Remete também ao mestre na câmera na mão, nas interpretações espontâneas e frequentemente desconcertantes que dão uma sensação muitas vezes de documentário e nos fazem sentir como se invadindo uma festa de família.

10) O Visitante: um roteiro grande pelo que tem de singelo e humano. Fantástica a interpretação indicada ao Oscar de Richard Jenkins.

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Apagãolipse Now

[Escrevi o conto abaixo — Apagãolipse Now — há exatos 10 anos, na Casa do Sol, residência da escritora Hilda Hilst. Volto a publicá-lo aqui porque traz comentários críticos a dois filmes concorrentes ao Oscar daquele ano: A Vida é Bela e Central do Brasil. Foi inspirado em acontecimentos reais ligados ao grande blecaute ocorrido naquele ano — 11/03/1999 — em quase todo o país.]

 

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Ivan chegou de Campinas, por volta das dezoito horas, um tanto cansado. Não conseguia se livrar de tanta informação apocalíptica, tantas coincidências significativas, tanta sincronicidade. Ou tudo não passava de humor negro cósmico – que o fazia sentir-se à beira da loucura – ou Alguém o escolhia como um tipo de profeta moderno, um João de Pátmos paulista. Em Campinas, na Casa da Lua, passou dois memoráveis meses em companhia da poeta e escritora outsider Lia Lizt. Tudo ali parecia corroborar não apenas as idéias da estranha organização que conhecera em Brasília, mas também muitos prognósticos sobre o futuro próximo do planeta. Lia Lizt tinha certeza: vivemos uma época à beira do extraordinário e do fantástico, um prenúncio de acontecimentos surpreendentes, deslumbrantes. Os ovnis que ela vira, as manifestações de seres do astral, os sinais que vira no céu, as fitas que gravara com mensagens do além, as vozes que ouvira, suas projeções astrais, os clarividentes que conhecera, sua eterna busca poética de Deus, tudo era prova disso, pouco importando se a chamavam de louca. E a viagem que Ivan fizera a uma imensa fazenda, no extremo norte do Distrito Federal, também o deixara perplexo. Realmente se construía ali uma pequena cidade multiétnica e multicultural, sob os bigodes do governo e da mídia. E ninguém se apercebia desse insólito ululante. E tudo isto era apenas o começo: como já haviam previsto malucos como Dom Bosco e Pietro Ubaldi, ali se planejava o centro de uma nova fase para o planeta. Ana, a amiga que o apresentara àquela gente, lhe contara sem pestanejar: "eles vieram ontem, antes de você chegar. Eram dez naves de quatro diferentes planetas. Vão construir suas embaixadas bem aqui." Ivan não sabia o que pensar. Ana – uma respeitada neurologista – não era nenhuma louca, nenhuma pódi-crê, muito menos aquelas outras cento e cinqüenta pessoas, entre estrangeiros e brasileiros. Ivan conversara, num inglês de Tarzã, com um engenheiro eletrônico japonês que lhe explicou como os extraterrestres vinham lhe ensinando uma tecnologia ainda desconhecida na Terra. "Para produzir energia limpa", dissera ele. Mas o mais incrível é que tudo aquilo era tão natural para aquelas pessoas, que o assunto mais corrente entre todos não eram os ETs, ou a pretensa Nova Era, mas as duas onças que vinham atacando o gado da região. Era surpreendente ainda existirem onças no centro-oeste. Teilhard de Chardin talvez tivesse razão: só o fantástico tem condições de ser verdadeiro.

Em sua casa, na grande São Paulo, Ivan tentava costurar as informações. Um certo Raël, um judeu francês, tentava convencer o Primeiro Ministro de Israel a ceder um terreno para a construção de uma embaixada para os Elohim, aqueles que vêm do céu. Claro, os dois últimos ministros não lhe fizeram caso. Raël escreveu: "não há um povo escolhido. Escolhidos são aqueles que escolhem aceitá-los. Se não for em Israel, será noutro lugar. Eles, os Elohim, oferecem tal oportunidade ao povo judeu apenas por uma questão histórica. Nós os recebemos no passado." Coincidência? Pela Internet, qualquer um pode conhecer tal carta. Mas não há nada sobre a embaixada que está sendo construída em Brasília. Ivan ainda se lembrava quando o japonês lhe falou sobre Karran, o líder ET, e de como há um certo Lord por trás de tudo. Ivan brincou citando Darth Vader, mas o japonês lhe contestou: "não, ele não é material como os outros, como o Karran, ou como nós. É um ser de luz. Esteve entre nós como Jesus de Nazaré…"

Ivan acendeu um beque e ficou pensando no outdoor negro que vira na Marginal Tietê, assim que chegara de Brasília: "Jesus está chegando!", dizia. Loucura? Fanatismo? Ilusão? Ana lhe dissera que nosso mundo é um planeta descarrilhado, mas que está prestes a reingressar na Família Cósmica. "Leia o Livro de Urântia", ela dissera. "Foi dele que o Benítez tirou praticamente todas as informações para escrever os vários Operação Cavalo de Tróia. O tal livro tá todinho na Internet, dizem que é uma revelação dos seres astrais e mentais sobre toda a verdade do Cosmos", acrescentou.

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MIAU, MIAU, MIAU

Entre quarta e sábado da semana passada, tive a satisfação de fazer parte, junto com Pedro Plaza e Carolina Paraguassu, do juri do II MIAU (Mostra Independente do Audiovisual Universitário), aqui em Goiânia. O MIAU é uma mostra nacional com foco em curtas, documentais ou de ficção, realizados por universitários de todo o país.

Apesar de se encontrar apenas em sua segunda edição, impressiona o nível de organização do evento, realizado com parcos recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Goiânia, sua ampla divulgação e sobretudo a qualidade dos filmes selecionados. Já participei de alguns festivais e mostras de curtas no país e raras vezes vi um conjunto de filmes com tamanha qualidade. Parece que as universidades são hoje de fato o lugar onde se realizam alguns dos filmes mais criativos no Brasil.

Escolher os filmes a serem premiados não foi fácil diante do alto nível. Outorgamos quatro menções honrosas e os prêmios de melhor filme, melhor ficção, melhor documentário e Gato da Vez (dado ao diretor que apresentasse maior nível entre seu último filme universitário e primeiro depois de graduado). Confira abaixo os premiados. Se tiver oportunidade, todos valem realmente à pena serem vistos:

MELHOR FILME

“Sobre um Dia Qualquer”, de Leonardo Remor;

PRÊMIO GATO DA VEZ

Allan Ribeiro, por “O Brilho dos meus Olhos” e “Depois das Nove”;

MELHOR FICÇÃO

“Romance.38″, de Vinicius Casimiro e Vitor Brandt (tem trailer no You Tube);

MELHOR DOC

“A Vermelha Luz do Bandido”, de Pedro Jorge;

MENÇÕES HONROSAS

“Darluz” (fic), de Leandro Godinho (aqui os vídeos promocionais);

“Maresia” (fic), de Christian Schneider e Natália Piva Chim;

“Baronesa” (doc), de Cláudia Afonso;

“Encanto” (doc), de Julia de Simone (veja acima a primeira parte e aqui a segunda parte).

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Sinais de um mau diretor

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Apesar do tom de auto-ajuda, o artigo abaixo, do blog Iliterary Fiction, vai direto ao ponto em relação ao aspecto mais importante, mas talvez menos valorizado, da direção cinematográfica. Pode soar básico, mas os exemplos disso em nossos sets abudam. A tradução é minha.

SINAIS DE UM MAU DIRETOR

Len Esten

Todo diretor de cinema possui uma especialidade. Alguns dão mais atenção à performance dos atores, outros ao desenho de produção, enquanto outros ainda se concentram mais no trabalho de câmera. A despeito de todas estas diferenças, é a falta de habilidades interpessoais que, em geral, os leva à ruína. Nada é mais indicativo da possibilidade de fracasso futuro para um cineasta que não saber como lidar com pessoas.

Gritos e falta de educação

Elevar sua voz sem se dar conta e sem sem provocado a isso é uma ótima forma de distanciar as pessoas. Uma coisa é gritar uma vez ou outra quando a pressão se eleva e o tempo está se esgotando, mas fazer disso um hábito não é bom. Interromper conversas porque precisa perguntar algo trivial naquele exato momento é também uma boa maneira de se fazer odiar. E esperar ser tratado como rei é um ótimo jeito de conseguir que as pessoas mijem no seu café. Trate as pessoas como o faria se elas pudessem lhe dar um soco na cara e provavelmente tudo transcorrerá bem.

Não Elogiar

Quando fazem um bom trabalho, as pessoas não necessariamente se dão conta disso. Se alguém se desdobra e o impressiona, elogie-os de forma sincera. Há uma escola de pensamento que diz que elogios levam as pessoas a se esforçarem menos, mas eu, assim como muitos especialistas em gestão, nunca confirmei esta idéia. Uma vez cumprimentadas, as pessoas querem receber mais elogios. Isso encoraja um desempenho ainda melhor, de forma a conseguir estes novos elogios. Para extrair o máximo de seu elenco e equipe, seja caloroso ao exaltar e pródigo nos elogios.

Ser o dono das idéias

O diretor é a autoridade máxima no set. Ele toma todas as decisões. Com o poder para fazer o que se quer, a tentação de ceder a caprichos é grande. Um desses caprichos pode ser o de se aferrar à pureza de sua idéia original para o filme. As equipes trabalham horas sem conta e não são tão bem pagas. Um caminho seguro para manter todo o mundo feliz é o de pedir idéias a todos e utilizá-las. Ao invés de ser a única pessoa a dar idéias, torne-se o árbitro delas. Permita que todos contribuam com idéias e seja simplesmente seu juiz, acolhendo as que funcionam e dispensando as demais.

Perfeccionismo

O que é perfeito para alguém pode ter falhas para outro. Buscar a cena perfeita é um objetivo fútil. Um filme é tão bom quanto as circustâncias de sua realização. Acostume-se à idéia de que seu filme não será aquele que você concebeu em sua mente e a experiência de realizá-lo será muito mais prazerosa. Esforce-se para chegar o mais próximo possível daquilo que concebeu, mas aceite suas limitações com estilo, dignidade e graça.

Culpar ao invés de assumir a responsabilidade

A reponsabilidade final é de quem lidera, e o diretor é um líder. Não há nada que não seja responsabilidade dele ou dela. Se algo dá errado, isso é falha do diretor. Esquivar-se disso é não assumir a responsabilidade de quem lidera. Culpar os outros demonstra covardia e é um indicativo de que o pior ainda está por vir quando a pressão realmente subir. Se um diretor não assume a responsabilidade pela comida ruim na hora do almoço, como pode se esperar que o elenco e a equipe se sintam seguros em relação ao cumprimento de outros compromissos?

Planejamento Deficiente

Planejar é chato. Planejamento é aquilo que acontece enquanto a vida acontece, mas falhar em planejar é planejar para falhar. Ninguém gosta de se ver correndo em desespero ou sem saber o que fazer porque o diretor não sabe direito o que quer fazer naquele dia. O diretor deve se adiantar sempre o máximo possível para que o elenco e a equipe possam trabalhar melhor.

Esperar Telepatia

Meu pai costumava esperar que eu sempre soubesse o que ele precisaria em seguida, algo a que ele se referia como “antecipar-se”. Infelizmente, entretanto, como diretor, diferentemente do meu pai, não está entre suas opções o uso de ameaça física para estimular as pessoas a serem capazes de ler sua mente. Compreenda que todos têm seus afazeres e que nem sempre têm como avaliar o que você precisará no momento seguinte. Comunique-se com clareza e as pessoas colaborarão. Recorra à telepatia e se desapontará.

Diretores podem agir frequentemente como rematados idiotas sem pagar por isso. No final das contas, entretanto, a menos que seus filmes façam muito dinheiro para muita gente, não seguirão ilesos por muito tempo. Se quiser ser um diretor para desrespeitar os outros, não posso impedi-lo, mas devo alertá-lo para o fato de que o karma existe e que muitos estados americanos permitem o porte de armas.

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