Sertão Filmes

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Produção Indepentende de Verdade

Julie, Agosto, Setembro – Teaser from Pedro Novaes on Vimeo.

Em todos os lugares, no Brasil e fora, onde houve uma renovação importante da produção de cinema, com filmes que chamaram a atenção da mídia e do público, quase sempre existia uma escola de cinema que, de alguma forma, propiciava o ambiente para que grupos de aspirantes a cineastas e cineastas já experientes interagissem. Dessa mistura, alimentada por debates acadêmicos, pela discussão de filmes e por aprendizado técnico, é que começaram a aparecer filmes novos e de frescor inusitado em lugares como Recife, Porto Alegre e Buenos Aires.

Não sabemos se algo que chame a atenção do país em termos de cinema surgirá aqui em Goiás em algum momento no futuro próximo. Mas o fato é que a mera existência de um curso superior de graduação em Audiovisual, na Universidade Estadual de Goiás, com todos os seus problemas de estrutura, já começa a mudar a cara do que se faz por aqui – sem demérito dos demais realizadores que, de várias maneiras, têm interagido com os alunos daquela instituição e contribuído para o caldo que devagar se forma ali.

A primeira turma se graduou no ano passado e vários talentos já começam a despontar. Alguns deles se juntaram para a realização do curta “Julie, Agosto, Setembro”, que tive o prazer de editar e que será lançado no dia 14 de março, às 20 horas, no Cine Cultura.

O filme foi produzido absolutamente sem recursos, a partir da colaboração voluntária de toda a equipe e dos esforços da Panaceia Filmes e da Tá na Lata Filmes.

Com roteiro e direção de Jarleo Barbosa, direção de arte de Benedito Ferreira e fotografado por Emerson Maia com uma Canon 5D, o curta, com cerca de oito minutos de duração, conta a história da adaptação de uma jovem suíça a Goiânia.

O resultado ficou muito bom.

JULIE, AGOSTO, SETEMBRO
Roteiro e Direção: Jarleo Barbosa
Direção de Arte: Benedito Ferreira
Direção de Fotografia: Emerson Maia
Produção: Larissa Fernandes
Edição: Pedro Novaes
Edição de Som: Thais Oliveira
Trilha Sonora: Victor L. Pontes
Música Tema: Folk Heart

 

 

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O Assassinato Horrivelmente Lento com a Arma Extremamente Ineficiente

Depois desse título, não é preciso dizer mais nada, apenas assista…

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Making of — Curta Carajás

Making of do Curta Carajás — Primeiro Festival de Cinema de Parauapebas, no qual dei uma oficina de roteiro e direção de curta-metragem e o Pedro, de Produção. Além disso, fomos ambos jurados do Festival. (Conheça os demais professores.)

Making Of – CurtaCarajás from Ivan Oliveira on Vimeo.

CurtaCarajás – Festival de Cinema de Parauapebas -PA
Making Of – Novembro de 2009
Realização: Secult – Parauapebas
Produzido por: HD Produções
Roteiro: Ivan Oliveira
Direção e Montagem: Edinan Costa
Imagens: Gilson Mesquita

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A enchente no Rio de Janeiro

Baixo Gávea Debaixo D’água from Mellin Videos on Vimeo.

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Vanguarda sem Retaguarda

Foto-Glauber-Blog

Walter Murch, o grande montador de cinema, profissional oscarizado por trás de filmes como “Apocalipse Now” e “O Paciente Inglês” não é um saudosista da moviola. Ele fez com tranquilidade a transição para o digital e a edição não-linear, mas é lúcido, reconhecendo que há ganhos e perdas nas mudanças tecnológicas. Entre estas, ressalta que a tecnologia digital, pelo seu custo infinitamente menor e pela possibilidade de desfazer erros, fomenta certo desleixo no processo de trabalho e sobretudo falta de cuidado com o planejamento. Montar em película, com o alto custo de cópias adicionais em caso de erros para remontar uma sequência, sempre obrigava a equipe a maior organização e a pensar muitas vezes antes de lançar mão da tesoura.

O mesmo vale, sem dúvida, para o set de filmagem. Rodar em película obriga a muito planejamento e a ensaios exaustivos com os atores, pois na hora em que se dispara a câmera, tudo tem que funcionar, tendo em vista o preço do negativo e também, claro, o custo da equipe e equipamentos mobilizados.

O custo comparativamente menor para a captação de imagens digitais – mídia regravável, equipes menores, câmeras mais baratas – e a ilusória facilidade de manuseio das câmeras digitais têm induzido, sobretudo os jovens realizadores, a uma cultura de desleixo com o planejamento dos filmes. Captar imagens de fato é fácil. Difícil é captar imagens de qualidade, com alto valor agregado e transformá-las num filme de qualidade. Fato é que o famoso mote glauberiano do Cinema Novo, de “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”, perdeu sua validade. Na verdade, ele nunca teve validade para além de uma idéia-força ou lance de marketing, pois mesmo Glauber e os outros cinema-novistas conheciam profundamente seu ofício e planejavam seus filmes com cuidado antes de disparar a câmera.

A essa ilusória facilidade do digital, que sugere podermos abrir mão do planejamento, une-se, a meu ver, de maneira deletéria, a moda do experimentalismo. Soma de um equivocado pensamento esquerdista, que vê nos filmes narrativos a dominação cultural de um formato imposto pelo cinema americano, à enganosa idéia de que a criação seria produto de um mero ato de inspiração, sem qualquer participação da razão e de técnicas, esta visão tem levado a uma preocupante predominância de filmes não-narrativos entre os curtas produzidos no Brasil e a filmes com pouco ou nenhum apuro técnico, pois no final o que importaria seria apenas “a idéia na cabeça”. Com todas as palavras, o experimentalismo tem sido usado como desculpa para produzir filmes ruins e colocar a culpa na falta de cultura e sensibilidade do espectador pelas diminutas platéias.

Pior ainda, esta moda do experimentalismo, típica de uma visão pós-moderna, em que tudo se justifica em si mesmo e auto-determina seu valor, tem levado a uma formação muito deficiente de roteiristas no país. Escrever roteiros é 10% de inspiração e 90% suor e técnica, técnica esta que o cinema vem desenvolvendo e apurando há um século.

O mais engraçado é a idéia de que se está fazendo cinema de vanguarda, ao promover supostas inovações de linguagem. Ora, mas uma vanguarda é sempre algo que se faz em contraponto a uma certo ponto de vista e modo de fazer dominante numa arte, não? Como então falar em vanguarda se mal conheço e compreendo de fato o caminho tradicional já consolidado?

Acabo de retornar do 1o Curta Carajás, o Festival de Cinema de Parauapebas, no Pará. Assistimos, ao longo de cinco dias, a 48 curtas de 16 estados diferentes do país, uma bela amostra de nossa produção recente de filmes curtos – 29 ficções, 16 docs e 3 animações. A maioria dos curtas de ficção tem roteiros que fogem de uma estrutura narrativa clássica, isto é, uma história com começo, meio e fim, onde se apresenta uma pergunta que a conclusão do filme responderá ou onde uma situação em desequilíbrio será reordenada. Quase todos são “filmes-cabeça”, abertos, sem trama, sem personagens definidos e sem lugar algum a que se deseja chegar. E a grande maioria, embora não todos, é muito ruim, pois combina roteiros débeis a zero de apuro técnico.

Não sou contra filmes não-narrativos, nem contra a experimentação de linguagem no cinema, mas acho que aventurar-se nessa seara requer muito mais estofo e é algo que deveria decorrer da evolução de uma trajetória que necessariamente tem que partir de um conhecimento profundo da linguagem e estrutura narrativa do cinema clássico hollywoodiano. Além disso, experimentar não significa deixar de lado o apuro técnico e o planejamento. Ao contrário até, pois me aventurando em territórios não cartografados de linguagem só posso ter algum tipo de segurança se conheço as ferramentas do meu ofício.

Essa moda não é boa para a o futuro do cinema brasileiro.

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Filmes no Sul do Pará

logocurtacarajas

Acabo de retornar, junto com Yuri, de Parauapebas, cidade do Sul do Pará, aos pés da Serra dos Carajás, onde ministramos oficinas e fomos membros do júri no 1° Curta Carajás – Festival de Cinema de Parauapebas. Foi uma ótima e surpreendente experiência. É muito bom ver como em lugares distantes do eixo Rio-São Paulo sempre há uma turma jovem entusiasmada com a possibilidade da produção audiovisual.

Em segundo lugar, me surpreendi com minha ignorância. Eu fazia uma vaga idéia do que era a região. E lá, me dei conta dos complexos problemas sociais, econômicos e ambientais que a afligem, tendo sido palco nas últimas décadas de vários episódios representativos dos problemas mais profundos do Brasil e que ganharam cobertura da mídia no mundo inteiro, como a Guerrilha do Araguaia, a existência da maior mina de ferro do mundo,  o surgimento, febre e posterior fechamento de Serra Pelada, no vizinho município de Curionópolis – cujo grande coronel político não é outro senão o truculento oficial do exército que comandou a repressão à Guerrilha e que é suspeito de vários outros crimes -, o massacre dos sem-terra no vizinho município de Eldorado dos Carajás, o assassinato da irmã Dorothy.

Apesar de toda a riqueza que circula na região, Parauapebas é um município com graves problemas sociais. Sua população é composta por impressionantes 70% de migrantes do empobrecido e vizinho Maranhão e cresce a inimagináveis 9% ao ano. É um dos municípios com maior taxa de crescimento no país, as desigualdades saltam aos olhos, a infra-estrutura é precária, o esgoto corre a céu aberto em muitos lugares, a taxa de desemprego bate no céu.

O 1° Curta Carajás, capitaneado pela Secretaria Municipal de Cultura, foi muito bem organizado e reuniu em sua mostra competitiva 48 curtas de 16 estados do brasil, um belo panorama de nossa produção recente. Além disso, houve uma mostra paralela organizada pelo Cineclube Labirinto, sediado na cidade, com docs que tinham temas associados à região, e também uma mostra de filmes locais e outra organizada pela ABD Pará, só com curtas paraenses. No front de capacitação, aconteceram quatro oficinais: roteiro e direção, ministrada pelo Yuri Vieira, Produção de Baixo Orçamento, ministrada por mim, Fotografia, ministrada pelo Bruno Assis, de Belém, e edição, comandada por Reinaldo Rogério, também de Belém.

O júri oficial foi composto pelo Homero, presidente da ABD Pará, pelo Bruno Assis, pelo Yuri e por mim. Não foi tarefa fácil definir os premiados. Havia uma boa quantidade de possíveis candidatos a todos os prêmios previstos. No final, ficou assim:

MELHOR CURTA (PRÊMIO IPÊ) – “Brasília (Título Provisório)”, de J. Procópio (DF): trata-se de um hilário roteiro metalinguístico, que por sinal tira o maior sarro da moda de filmes de metalinguagem, em que um cineasta conta para um amigo seu projeto de um filme em que uma expedição arqueológica explora as ruínas de uma abandonada Brasília para fazer um documentário.

MELHOR ROTEIRO (PRÊMIO XIKRIN) – “Para Pedir Perdão”, de Iberê Carvalho (DF), em que um homem procura desesperadamente pela namorada numa noite de Carnaval em Brasília.

MELHOR MONTAGEM (PRÊMIO GAVIÃO REAL) – “Quarto 38″, de Thomas Edward Hale (SP): um assustador curta de suspense em que uma mulher presa em um porão onde coisas muito estranhas acontecem tenta escapar e encontrar sua irmã presa num quarto de hotel assombrado por uma estranha maldição.

Além disso, decidimos atribuir menções honrosas a dois documentários muito fortes, “Fractais Sertanejas” de Heraldo Cavalcanti (CE), que conta a incrível história de um pedreiro que, após uma experiência de quase-morte, se torna um grande escultor, e o impressionante “A Casa dos Mortos”, de Débora Diniz (DF), que num roteiro estruturado sobre um poema de um interno que é também narrador do filme, exibe a realidade de um manicômio judiciário em Salvador.

Por fim, o voto do júri popular terminou em empate, com o prêmio divido entre o “Quarto 38″ e “Pronta Entrega, de  André Migueis (RJ).

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MIAU, MIAU, MIAU

Entre quarta e sábado da semana passada, tive a satisfação de fazer parte, junto com Pedro Plaza e Carolina Paraguassu, do juri do II MIAU (Mostra Independente do Audiovisual Universitário), aqui em Goiânia. O MIAU é uma mostra nacional com foco em curtas, documentais ou de ficção, realizados por universitários de todo o país.

Apesar de se encontrar apenas em sua segunda edição, impressiona o nível de organização do evento, realizado com parcos recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Goiânia, sua ampla divulgação e sobretudo a qualidade dos filmes selecionados. Já participei de alguns festivais e mostras de curtas no país e raras vezes vi um conjunto de filmes com tamanha qualidade. Parece que as universidades são hoje de fato o lugar onde se realizam alguns dos filmes mais criativos no Brasil.

Escolher os filmes a serem premiados não foi fácil diante do alto nível. Outorgamos quatro menções honrosas e os prêmios de melhor filme, melhor ficção, melhor documentário e Gato da Vez (dado ao diretor que apresentasse maior nível entre seu último filme universitário e primeiro depois de graduado). Confira abaixo os premiados. Se tiver oportunidade, todos valem realmente à pena serem vistos:

MELHOR FILME

“Sobre um Dia Qualquer”, de Leonardo Remor;

PRÊMIO GATO DA VEZ

Allan Ribeiro, por “O Brilho dos meus Olhos” e “Depois das Nove”;

MELHOR FICÇÃO

“Romance.38″, de Vinicius Casimiro e Vitor Brandt (tem trailer no You Tube);

MELHOR DOC

“A Vermelha Luz do Bandido”, de Pedro Jorge;

MENÇÕES HONROSAS

“Darluz” (fic), de Leandro Godinho (aqui os vídeos promocionais);

“Maresia” (fic), de Christian Schneider e Natália Piva Chim;

“Baronesa” (doc), de Cláudia Afonso;

“Encanto” (doc), de Julia de Simone (veja acima a primeira parte e aqui a segunda parte).

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