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A Queda de um Cineasta

A Queda de um Cineasta – (paródia de A Queda) from Karaloka on Vimeo.

Nesta paródia do filme “A Queda” (Der Untergang), Hitler pretendia rodar um longa-metragem sobre sua fuga, num submarino, até o exílio secreto no Brasil. Mas algo deu errado…

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Sobre a extinção da Embrafilme

Ipojuca Pontes, cineasta e ex-Secretário Nacional da Cultura, comenta abaixo a extinção da Embrafilme.
(Fonte: MSM.)

«Quem sancionou a extinção da Embrafilme (e mais oito empresas estatais, entre elas, o IBC), em 12 de abril de 1990, foi o Congresso Nacional que aprovou, in totum, o Decreto 8.029 enviado pelo novo governo. Nelson Carneiro, presidente do Congresso, e demais parlamentares, inclusive os da ruidosa oposição, poderiam ter embargado a sua aprovação – mas não o fizeram. E por quê?

«Pelo odor pútrido que a estatal do cinema exalava. De fato, a Embrafilme, empresa criada durante a vigência do AI-5, além de deficitária e inepta, tornou-se, sob a égide da patota do Cinema Novo, um instrumento de “corrupção, politicalha e privilégios” – conforme expressa a abrangente Pesquisa de Opinião publicada em 1980 pela Agência Razões & Motivos, de São Paulo, encomendada, ironicamente, pela estatal do cinema. Para a população brasileira consultada, a Embrafilme deveria ser fechada com urgência e os seus dirigentes devidamente responsabilizados.

«O próprio Glauber Rocha, um dos beneficiários do esquema embrafilmico, assim se manifestou, em carta destinada à “Celsinho” Amorim, então diretor-geral da empresa (tido como traidor e mais tarde expulso do cargo pelos militares): “Proponho para Embrafilme medidas regueanas (queria se referir as “reaganomics”, iniciativas de política econômica de Ronald Reagan, presidente do USA, que tratavam de privatizações, desregulamentação e corte de impostos) de desestatização. Sou favorável, aliás, à desestatização de todo aparato cultural: Funarte, INL, SNT, etc…”.

«Caetano Veloso, por não procurar as fontes primárias, algo fundamental para quem pretende questionar os fatos, acha, como os seus pares, que o cinema brasileiro era só o da patota do CN e ignora que nos dois anos de Collor foram produzidos, sem a grana do governo, 105 filmes de longa-metragem (dado, por exemplo, que o criterioso pesquisador Antonio Leão da Silva Neto, depois de consultar produtoras, distribuidores, realizadores e arquivos oficiais, registra no seu bem documentado “Dicionário de Filmes Brasileiros”, edição de 2002).

«O então fechamento da Embrafilme resultou de uma política desestatizante de governo, a melhor já traçada no País em todo século, infelizmente malograda pela incompetência de Collor e a ação incessante da aparelhagem comunista que não pode viver sem sugar as tetas do Estado – razão de ser da permanente esculhambação nacional.

«De minha parte, digo e repito: foi uma honra ter participado da batalha pela extinção da Embrafilme. O que não impediu, infelizmente, do cinema brasileiro ser hoje uma atividade inteiramente dominada pelo “Estado Forte” de Lula (ou, no futuro, de Dilma ou Zé Serra, pouco importa) a serviço da nomenclatura comunista – um ônus a mais para o bolso do infeliz trabalhador contribuinte que se enverga como louco para sustentar o parasitismo de escol de gente como Cacá Diegues e aliados. (Aqui, convém lembrar que Cacá, cujo pai, Manuel Diegues Jr., dirigia o Departamento Cultural do MEC – órgão ao qual a Embrafilme estava subordinada no tempo da “sangrenta ditadura dos militares” -. não tinha o menor pudor em sacar rios de dinheiro da estatal do cinema para fazer seus “miuras” cerebrinos).»

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“Fazer cinema no Brasil está me deixando um cara pior”, diz Ugo Giorgetti

(Fonte: UOL Cinema.)
MAURICIO STYCER
Crítico do UOL

O cineasta Ugo Giorgetti lança nesta sexta (21) o seu projeto mais ousado: “Solo”. Trata-se de um filme protagonizado por um único ator, Antonio Abujamra, que ao longo de 72 minutos recita um monólogo sobre a sua solidão, a saudade dos parentes mortos, as lembranças dos tempos em que São Paulo era uma cidade agradável de viver. “Tudo está ficando incompreensível”, diz o velho. “A minha é uma solidão como todas as outras.”

Em entrevista ao UOL Cinema, Giorgetti fala das dificuldades que cineastas com o seu talento e currículo têm enfrentado no esforço de viabilizar as suas produções. Critica o modelo de financiamento adotado pela cidade de Paulínia, diz que a produção contemporânea não deixará nenhum legado para as gerações futuras e lamenta que, para conseguir verba, seja obrigado a se submeter a diferentes constrangimentos. “Fazer cinema no Brasil está me deixando um cara pior do que sou”.

Apesar do texto de alta qualidade de Giorgetti e da atuação impagável de Abujamra, “Solo” será exibido em um único horário, às 18h, no Espaço Unibanco, em São Paulo. O cineasta considerou a medida acertada – ele acalenta a esperança que dessa forma consiga manter o filme em cartaz por mais tempo do que se fizesse um lançamento em muitas salas.

“Solo” foi feito num momento de impasse de Giorgetti, diante da dificuldade de obter recursos para viabilizar um projeto mais ambicioso, intitulado “Corda Bamba”. Filme de época, passado em 1971, este longa-metragem começará a ser rodado agora em junho, depois de três anos de tentativas de viabilizá-lo.

Na entrevista a seguir, o diretor de “Boleiros”, “A Festa” e “Sábado”, entre outros, fala dos novos projetos e do momento vivido pelo cinema brasileiro.

“Solo”
Durante quase 40 anos eu saí de casa de manhã para filmar. Todo dia. Eu tenho que filmar. Então, se não dá para fazer um filme de ficção, faço um documentário. Se der para fazer em 35 mm, eu faço. Se precisar fazer em 16 mm, vamos embora. Se precisar fazer em digital, eu faço também. O “Solo” está capitulado nisso. Eu estava sem nada, esperando para fazer o filme que eu só vou fazer agora. Vou fazer o quê?

Monólogo
Eu tinha esse monólogo, escrito para o Sergio Mamberti, que depois resolveu não fazer. Conversando com o Abujamra, falei do texto e ele se interessou. Mostrei e ele pirou. Peguei o Washington Olivetto, que sempre entrou comigo nos filmes, e fiz. Custou R$ 250 mil. É um cara caminhando para uma treva cada vez mais espessa. Ele não entende mais nada desse mundo. Não é uma reclamação banal. É uma constatação que a coisa acaba mal.

Reação do público
As pessoas têm se surpreendido com o filme. É muito raro um monólogo no cinema. Tem um filme do Altman assim (“Secret Honor”, de 1984). É o Nixon, um gravador e uma garrafa de uísque. Fiquei feliz com a reação, inclusive do Adhemar [Oliveira, proprietário da cadeia de cinemas Espaço Unibanco e Artplex]. Já propus para ele exibir em uma sessão por dia, mas ele gostou tanto que sugeriu fazer um lançamento maior. Eu não quis. Vai ser uma sessão diária. Acho que é o tamanho do filme. Não vamos disfarçar. É um monólogo. Quem quiser, vá…

Abujamra
A gente tem uma aproximação boa de cabeça. Ele é um grande “diseur”, muito bom em monólogos. Nunca esperei que ele decorasse, mas é um grande leitor de teleprompter – e disfarça muito bem. Ele não ia decorar oito frases. Aliás, é muito perigoso o Abujamra decorar – ele põe “cacos”. Ele até tentou, mas eu cortei. “Ele cortou, e era Paul Valéry. Ele cortou para ficar Ugo Giorgetti” (imitando o jeito de falar do ator). Não sei se era Paul Valéry, ou não, mas foi devidamente extirpado. Foi muito divertido.

“Abaixo a Ditadura”
Eu tinha o roteiro deste novo filme antes mesmo do “Boleiros 2”. Inscrevi na Ancine com outro título, “Abaixo a Ditadura”. Começamos a trabalhar e eu percebi que “Boleiros 2” era mais fácil de viabilizar em termos de dinheiro. Mas eu tinha que cancelar este projeto na Ancine – você não pode ter dois filmes ao mesmo tempo. Aí o burocrata na Ancine falou: “Esse filme é muito mais legal que o ‘Boleiros 2’. Não cancela”.

A história
O filme se passa em 1971, no meio teatral, em São Paulo, no momento em que o Living Theatre (grupo teatral americano fundado por Judith Malina e Julian Beck) estava preso em Ouro Preto. É a tentativa de fazer um painel desta época baseado na ideia que 95% da população não estava nem na repressão nem na luta armada; estava num limbo, no meio daquilo. Em termos culturais, é um período riquíssimo. A agitação era muito grande no meio teatral. É uma ditadura cujos agentes da repressão tinham a cabeça dos anos 40 e 50 e embaixo havia uma turma com costumes de Maio de 68, contracultura, Bob Dylan, tudo aquilo…

Corda bamba
Uma vez que você deslancha o filme, você tem que terminar. Eu não posso chegar para uma equipe, depois de três semanas de filmagem, e falar: “Acabou”. Não dá. Por outro lado, não posso vender uma propriedade para continuar um filme. Está tudo planejado, mas estamos engolindo em seco para que nada aconteça. A gente não tem seguro do filme, por exemplo. O filme está sem rede. Mas vamos embora

Financiamento
Fiquei três anos tentando viabilizar o filme. Consegui apoio da Secretaria de Cultura de São Paulo (tanta a estadual quanto a municipal) e da CSN. Depois vou ter que captar para finalizar. Estou começando a filmar com o mínimo. Pela primeira vez, me associei a uma produtora de publicidade. O orçamento era de R$ 4 milhões, o que já é modesto para um filme de época. Mas vou botar na lata com menos de R$ 2 milhões. Vou fazer em 16 mm pela primeira vez. Mas não é uma concessão. Foi uma coisa pensada com o fotógrafo.

Salários
O que está acontecendo no cinema brasileiro é um escândalo. É um negócio totalmente esquizofrênico. A gente produz com os preços da França e ninguém vai ver os filmes. A entrada da publicidade no negócio explica isso, em parte. E também o fato de que não é o seu roteiro, a sua ideia ou o seu valor pessoal que transforma você num candidato forte a fazer um filme, mas os seus contatos sociais. Formou-se uma cadeia que não tem nada a ver com o cinema.

Exemplo
Quando você lê no jornal que “Heleno” será feito com R$ 8 milhões, por que o técnico vai cobrar a tabela do sindicato? Não. Ele tem toda a razão em cobrar. Mas eu tento convencer alguns técnicos que eu não tenho esse dinheiro. E, no fim eu consigo. Mas está se tornando inviável. Eles estão cobrando preços inviáveis para os cineastas independentes.

Paulínia
Fui no “pitching” (uma audição para seleção de projetos) em Paulínia. O cara que ia julgar os projetos logo falou: “Eu queria dizer que nós não entramos no mérito dos roteiros”. Eu falei: “Desculpe te interromper, mas você não entra no mérito dos roteiros?” Ele: “Não. O nosso critério é o quanto o filme vai ser rodado em Paulínia, quanto dinheiro vai ficar aqui, quantos empregos ele vai gerar”. Eu falei: “Perfeitamente. Mas quando tudo isso tiver passado, alguém vai ver os filmes de Paulínia e, então, o roteiro vai ser levado em consideração. Todos esses caras para quem você está dando emprego estarão mortos, e também não são muitos, e você fez uma bosta. Para o patrimônio cultural de Paulínia não vai sobrar nada”. E ficou por isso mesmo.

Estado de ânimo
Estou muito desmotivado… Vou até dirigir uma ópera, “Norma”. É uma possibilidade de dirigir outras coisas. Estou desmotivado pelo que virou o cinema, a política do cinema. O lado amador está sendo abandonado – e você tem que ter um lado amador em qualquer profissão. Falo do amor ao cinema, de fazer algo que não seja uma perseguição tão evidente por Oscar, Cannes, pelo público. Até porque não tem nem Oscar, nem Cannes, nem público. A única chance é fazer uma coisa que perdure um pouco mais, como fizeram os caras do Cinema Novo. Mal ou bem, os filmes estão aí, de tempos em tempos reaparecem. Dos filmes de hoje, quais vão reaparecer? Só podem reaparecer como retrato de um fenômeno: o momento muito ruim. Tenha santa paciência!

Saída?
Eu não sei como sair disso. Hoje tem a Globo, tem as “majors”, grandes empresas de publicidade… Estão todas ganhando muito dinheiro. Como faz? Temos 12 anos de Lei do Audiovisual. Foi feita para alavancar a indústria. A ideia era que, com o subsídio, essas empresas iam se capitalizar e passar a trabalhar com as próprias pernas. Doze anos depois, me aponte uma empresa que não recorre a lei de incentivo. Alguma coisa está muito errada.

Legado
A Vera Cruz trouxe um avanço técnico muito grande. O cinema paulista é o que é por causa da Vera Cruz. O Cinema Novo deixou um legado muito forte de ideias; o Brasil se pensou pela primeira vez. Nós vamos deixar o quê? Inovações técnicas? Não. A gente se aproveita da propaganda. Ideias? Você está vendo… Fico um pouco triste com o jeito de ser profissional dos jovens cineastas. Eles confundem profissionalismo com talento.

Olhando no espelho
O cinema está me tornando um cara pior do que eu sou. Mesmos nos meus anos de publicidade, eu não era tão subserviente. Fazia o comercial e recebia o meu dinheiro. Não precisava ir na casa do sujeito que me contratou, nem ele na minha. Não tinha que ficar fazendo rapapés para político nenhum, apertando mão de empresário. Nunca almocei com cliente em 30 anos de publicidade. A parte social te torna pior. Se Paulínia me desse o dinheiro, talvez eu não falasse para você que aquilo é uma puta palhaçada. Eu diria: “Veja bem, Mauricio, tem um lado positivo…” Que é o meu (risos). Enfim, eu sei que estou pior do que era. Mas a culpa é minha.

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Republiqueta — um Mensalão muito animado

Se me convidassem novamente para ser jurado num festival de cinema, defenderia o prêmio de “melhor animação de humor” para esta aqui. Simplesmente impagável. (E pouco me importa que o estilo tenha sido chupado do South Park. Até isso é uma ótima piada.)

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Benicio del Toro e o filme “Che”

Em entrevista à jornalista Marlen Gonzalez, Benicio del Toro gaguejou, ficou mudo e, por fim, deve ter se arrependido amargamente da dita cuja. A primeira pergunta: “por que estrear um filme sobre Che Guevara numa cidade (Miami) onde vivem tantos cubanos vitimados por um sistema que ainda está implantado em Cuba? É uma provocação?” Benicio gagueja. E ela completa: “O filme traz uma imagem positiva do Che, e imagine que, se fosse sobre Hitler, estaria ofendendo aos judeus.” Ele diz que o Che não criou campos de concentração. E ela: “Estamos falando sobre assassinos. Não é o mesmo crime assassinar uma pessoa, cem ou cem mil?” E acrescenta: “Você sabia que o Che, quando esteve encarregado da prisão de La Cabaña, mandou fuzilar pessoalmente mais de 400 pessoas?” Benicio del Toro fala de pena de morte e ela contesta, já que foram execuções sumárias, sem julgamento. Ele afirma então que eram terroristas ligados ao ex-ditador Batista. (Santa inocência!) Ela o contesta, dizendo que foram assassinados por suas opiniões contra o governo revolucionário, por suas consciências. Ele fica muuuito desconfortável. A jornalista indaga por que o filme não mostra os fuzilamentos, os disparos que o próprio Che deu, em execuções, a sangue frio. O ator não sabe. E, por fim, ela pergunta se Benicio conhece a seguinte declaração de Che Guevara: “A forma mais positiva e mais forte que há, à parte de toda ideologia, é um tiro em quem se deve dar em seu momento”. “Não me lembro, exatamente”, responde ele. E ela lhe presenteia com o livro “Guevara: Misionero de la Violencia“, escrito por Pedro Corzo, historiador cubano e ex-preso político na ilha.

Ah, claro: a jornalista Marlen Gonzalez é de origem cubana.

Che: Part One e Che: Part Two (2008) são filmes de Steven Soderbergh.

Pedro Corzo mantém o Instituto de la Memoria Histórica Cubana contra el Totalitarismo.

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