Bráulio Mantovani: “Idéias sem forma são apenas idéias”
Do Planeta Tela:
Imprimir | 1 comentárioEnquanto isso, um de seus roteiristas, Bráulio Mantovani, deu um puxão de orelhas nos críticos de cinema esta semana. Quando questionado pela jornalista Maria do Rosário Caetano sobre a não inclusão do nome de Wagner Moura como co-roteirista do filme [Tropa de Elite 2], Mantovani afirmou: “Para ser co-roteirista, é preciso sentar-se junto ao computador e escrever. Dar idéias não é o mesmo que escrever roteiros. Como disse Mallarmé a Degas: um poema não se faz com idéias, um poema se faz com palavras. O mesmo raciocínio se aplica à escrita de roteiros. Wagner Moura, assim como Daniel Rezende, Rodrigo Pimentel e outros, fizeram leituras críticas e deram sugestões para as muitas versões de roteiro de Tropa de Elite 2. Mas quem sentou a bunda diante do computador para dar forma dramática às idéias que iam surgindo fomos José Padilha e eu. Era a nossa a responsabilidade de resolver os problemas da narrativa”.
E conclui: “Ninguém em Tropa de Elite 2 tem crédito não merecido e ninguém deixou de ser creditado pelo trabalho que fez. A participação intensa do Wagner no roteiro corresponde ao que se espera de um coprodutor (assim como eu, que também tenho o mesmo crédito, participei da montagem e de todas as decisões importantes relacionadas à produção e ao lançamento do filme). Já está na hora de vocês críticos assimilarem a evolução do trabalho do escritor no cinema brasileiro. Desde que nós fundamos a AC (Autores de Cinema), o crédito de roteiro passou a ser encarado com mais rigor, mais seriedade e mais profissionalismo. A era dos diretores que assinam roteiros sem sequer saber escrever direito acabou. Idéias sem forma são apenas idéias. Arte é forma”.
O que é um McGuffin, mister Hitchcock?
McGuffin by Hitchcock from isaac niemand on Vimeo.
voice form the 1972 interview with Dick Cavett
Imprimir | Sem comentários“Guru de Hollywood” critica falta de escritores no cinema brasileiro
(Fonte: Folha Online.)
RAFAEL CALIXTO TAUIL
da Reportagem Local
O escritor Robert McKee, um dos principais consultores de roteiros de Hollywood, afirmou que o principal problema do cinema brasileiro é a falta de roteiristas. Para ele, a classe no país é “desunida, preguiçosa e medrosa”, com uma produção norteada pela adaptação de romances literários.
Aos 69 anos, o norte-americano de Detroit é um dos mais conhecidos mentores de roteiristas para cinema e TV. Seu livro, intitulado “Story”, tornou-se um tipo de bíblia para os aspirantes à carreira de escritor.
McKee está em São Paulo para ministrar seu minicurso, lançado há 25 anos e que já formou mais de 50 mil alunos, entre diretores, produtores, atores e roteiristas. Segundo ele, seus pupilos já levaram 33 Oscar e 168 Emmy –com produções como “O Senhor dos Anéis”, “Friends”, “Seinfeld”, “Forrest Gump”, “Arquivo X” e “Grey’s Anatomy”, entre outros
Divulgação
O roteirista e consultor Robert McKee, que está em SP para dar curso
“[O que falta é] o roteiro. Vocês têm ótimos atores, ótimos diretores, vocês têm tudo que os melhores países têm. Se um filme no Brasil é bom, ele geralmente é a adaptação de um livro. Muitas vezes o cinema brasileiro tem que esperar escritores fazerem bons livros que podem ser adaptados. Precisa parar de se ‘canibalizar’ os romances”, falou McKee, em entrevista à Folha.
“A cada um ou dois anos, em média, surge um brilhante filme brasileiro. A reputação do Brasil, em geral, é boa no exterior. Com a Argentina, são os países mais famosos do continente sul-americano.”
Perguntado se o fato de as maiores produções do cinema nacional receberem subsídio do governo, o consultor afirmou que não conhece a fundo a situação do Brasil, mas que já viu a situação se repetir na Europa. “A Suíça financia o cinema, mas não são feitos filmes suíços sobre seu sistema bancário corrupto”, respondeu.
McKee esteve nesta quinta-feira também no Ecine (Escritório de Cinema) da Secretaria de Cultura de São Paulo. Durante a palestra que deu, aproveitou para criticar novamente a falta de roteiristas no Brasil e questionou a falta de um sindicato especializado da categoria.
Com um sindicato, acrescentou, uma greve (similar a que recentemente criou um entrave nos EUA) faz parar TV e cinema –”porque tudo começa com o roteirista”, disse.
Quanto à questão do financiamento governamental, McKee afirmou ainda que os escritores brasileiros serão covardes se alterarem suas produções por conta do vínculo. Ou então são preguiçosos, por não buscarem levantar orçamento privado para realizarem seus filmes.
“Precisa criar-se uma cultura de escritores para cinema. Quando venho para o Brasil, essa é minha missão: incitar a escrever.”
Workshop
O curso de McKee em São Paulo começa neste sábado, 15. Os quatro dias de aula saem por R$ 1.250, e as inscrições podem ser feitas no site do evento.
Imprimir | 3 comentáriosEntrevista com Robert McKee na revista Época
Robert McKee: “Ignore as partes chatas da vida”
(Fonte: Época #625)
O professor de roteiro mais famoso de Hollywood vai ensinar a fórmula que já rendeu 33 Oscars e 168 Emmys
Por LÍVIA DEODATO
Robert McKee é professor dos professores de roteiro de Hollywood. E de alguns dos atores, romancistas, jornalistas e literatos mais premiados do momento – como Kirk Douglas e Peter Jackson. Está a caminho do Brasil na semana que vem para ensinar os princípios que regem uma boa história. Para participar, acesse: www.mckeestorybrasil.com. O site avisa que ainda existem 550 vagas, mas a assessoria do evento diz que há apenas 100 disponíveis. Vai acontecer entre os dias 15 e 18 de maio, das 9h às 19h30 (com intervalo), no Teatro das Artes no Shopping Eldorado, em São Paulo. No dia 14 de maio, das 14h às 19 horas, McKee tem encontro marcado com roteiristas de diversos filmes brasileiros, entre eles Dois filhos de Francisco, Cidade de Deus e O quatrilho, na Galeria Barcalli, na Vila Madalena, também em São Paulo. Abaixo, a entrevista completa.
ÉPOCA – Existe segredo para o bom roteiro?
ROBERT MCKEE – Seria o mesmo que perguntar qual é o segredo da boa música. Para contar uma boa história é preciso ir até a biblioteca pública da esquina. Não há segredo. É uma forma de arte em que o artista deve recorrer aos estudos, à pesquisa, a um curso superior, assim como um bom compositor precisa se graduar para compreender os princípios da composição.
ÉPOCA – O senhor acredita que qualquer pessoa pode escrever uma boa história?
MCKEE – Você precisa ter um talento enorme, ser inteligente, ter uma profunda experiência na vida e conhecimento do assunto que os personagens vão tratar. Com conhecimento e inteligência, a criatividade ganha força. Na verdade, bem poucas pessoas podem escrever boas histórias.
ÉPOCA – Como é o seu workshop? O senhor ensina truques eficientes?
MCKEE – Não. Você deve se comprometer com a inteligência e o sensibilidade dos espectadores. Você deve entregar às pessoas uma história que desperte interesse e que as envolva com a humanidade dos personagens. Não existem regras. As pessoas que pensam em regras para contar histórias produzem um trabalho plástico e artificial. O que existem são princípios. Princípios de expressão visual, por exemplo, assim como há princípios para compor e pintar em escolas superiores. Os princípios norteiam os “artistas da história” quando realizam seus trabalhos para o palco, para uma página ou para a tela.
ÉPOCA – Qual seria o primeiro passo para se escrever uma boa história? Um tema interessante? Leia mais
Imprimir | 2 comentáriosMaking of — Curta Carajás
Making of do Curta Carajás — Primeiro Festival de Cinema de Parauapebas, no qual dei uma oficina de roteiro e direção de curta-metragem e o Pedro, de Produção. Além disso, fomos ambos jurados do Festival. (Conheça os demais professores.)
Making Of – CurtaCarajás from Ivan Oliveira on Vimeo.
CurtaCarajás – Festival de Cinema de Parauapebas -PA
Making Of – Novembro de 2009
Realização: Secult – Parauapebas
Produzido por: HD Produções
Roteiro: Ivan Oliveira
Direção e Montagem: Edinan Costa
Imagens: Gilson Mesquita
Fundamentos da arte de escrever roteiros para cinema
Por Michael Hauge *
Em minhas primeiras duas colunas eu apresentei as questões primárias envolvendo a escolha pela carreira de roteirista, e as qualidades que o roteirista deve ter. Agora eu quero entrar no próprio roteiro, discutindo os quatro elementos que formam a base de todas as histórias: personagem, desejo, conflito e coragem. Aqueles que estão familiarizados com meu livro ou seminário reconhecerão aqui a influência de ambos, mas eu tentarei apresentar minhas considerações aqui de forma um pouco diferente. E para todos que estiverem lendo isto, estes princípios soarão simples e até mesmo óbvios.
Mais de 90% dos roteiros rejeitadas em Hollywood não têm estes quatro componentes essenciais. Pense em um roteiro como uma pirâmide. Personagem, desejo, conflito e coragem estão nos quatro cantos da base da estrutura; eles formam a fundação que apoiará tudo aquilo que acontece no filme. O cume da pirâmide representa seu principal objetivo: emoção. Todo elemento de qualquer roteiro é projetado para maximizar o envolvimento emocional do leitor e da platéia. Sem todos os quatro componentes necessários na sua base, a estrutura desmoronará, e o filme falhará. (Seria agradável se eu pudesse inserir um belo diagrama aqui, eu poderia mostrar mais nitidamente minha pirâmide de estrutura, mas meus conhecimentos sobre o uso de computadores é tão primário que eu não saberia criar tal coisa com minha máquina. Deixo então a idéia no cyberspaço. Algum hacker dentre vocês trocaria algumas lições sobre uso de computador por uma consultoria em seu roteiro?)
Por favor observe que eu uso leitor e observador (platéia) como sinônimos ao longo deste artigo, já que o seu objetivo como um roteirista é o mesmo para ambos.
O PERSONAGEM é o ponto de entrada do filme para seu leitor/platéia. Ainda que todas as pessoas que povoam sua história sejam importantes, é o herói ou protagonista o motivo da sua real preocupação. Outros personagens servirão para apoiar o desejo do herói ou aumentar o conflito, mas é o seu personagem principal que serve como o veículo para a jornada emocional de qualquer leitor.
Imprimir | 1 comentárioEscreva roteiros no OpenOffice
Num post anterior, falei de vários programas para formatação de roteiros. Mas, obviamente, há outros, além de alguns recursos bem simples. Por exemplo: para quem usa o OpenOffice, que é uma versão gratuita do Microsoft Office desenvolvida pela Sun, basta baixar este template, abri-lo no Writer e terá então uma ferramenta para formatar seu roteiro segundo os padrões usuais.
Imprimir | Sem comentáriosO melhor software para roteiristas
Nos últimos anos, andei testando diversos programas para confecção de roteiros de cinema, textos literários e peças de teatro. Passei pelo Movie Magic Screenwriter, Final Draft, Hollywood Screenplay, New Novelist, StoryCraft, StoryView, Dramatica Pro e assim por diante. Alguns têm a função exclusiva de formatar o roteiro de modo profissional — Movie Magic Screenwriter, Final Draft (para mim, o melhor), Hollywood Screenplay — e os demais — New Novelist, StoryCraft, StoryView, Dramatica Pro –, de servir de orientação e guia na criação mesma de argumentos, enredos e personagens. Se você não é um matemático totalmente desprovido de espontaneidade tentando ser um escritor, não mexa com estes últimos, principalmente com o Dramatica Pro, que é a coisa mais complexa que já vi na vida. Se Shakespeare fosse usar semelhante ferramenta teria escrito não mais que meia dúzia de peças, haja vista o tempo que consumiria perdido em meio às entranhas labirínticas do programa, com o qual — cá entre nós — é possível definir até mesmo o diâmetro do cu do protagonista (perdão!) e o comprimento do dedinho do pé do vilão.
Enfim, qualquer dia, se me der na gana, falarei de cada um deles. No momento, importa dizer que apenas recentemente encontrei o melhor de todos: Celtx. É um software tão fantástico que me dá preguiça falar dos outros. Além de ser o único gratuito — uhuuuu, freeware!!! — também está disponível em português e possui uma comunidade online para troca de roteiros e experiências. Mas o melhor mesmo é a facilidade de lidar com seus recursos. É possível, através de abas (viva as abaaas!), manter abertos, por exemplo, o livro que se está adaptando (se for o caso), o próprio roteiro, a descrição individual de cada personagem, de cada objeto de cena, dos figurinos, o perfil dos atores, e ainda arquivar, no mesmo projeto, fotos, mapas de locações, sons, planilha de orçamento e o escambau. Também é possível ir salvando o projeto online e, assim, compartilhá-lo com uma ou mais pessoas que poderão ir trabalhando nele ao mesmo tempo. E ainda tem uma agenda — tal como a do Movie Magic Scheduling — para planejar dia a dia tudo o que será feito na pré-produção, produção e pós, uma coisa incrível.
Bom, agora que você já sabe que o Celtx é o melhor software para se escrever um roteiro de cinema, só falta o talento. Se Deus to deu, bem, se não deu, amém. Amém não, vá brincar com o Dramatica Pro. Até um macaco conseguiria escrever uma novela com ele. Claro, se conseguisse sair dali de dentro…
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